Flávio Dino desmonta o sarneísmo e projeta outra história para o MA

Por Raimundo Borges

Caiu o sarneísmo. Durou tanto que não sustentou a corrosão do tempo de 53 anos. Foi o sistema político regional que mais durou na história do Brasil. Ontem, desabou nas urnas da eleição mais importante do Maranhão. Flávio Dino recebeu 59,29%, (1.867.396 votos), contra 30,07%, ou (947.191) votos de Roseana Sarney; 7,87% (247988 votos) de Maura Jorge ; e 2,05% (64.446 votos) do senador Roberto Rocha. Foi uma votação pífia, menor que os 70.864  da campeão de votos para a Assembleia Legislativa, Detinha, esposa do vice-campeão de votos para federal, Josimar do Maranhãozinho (142.079 votos), atual deputado estadual (PR).

Roseana Sarney perdeu para ela mesma. Resistiu o quanto pode a ideia de concorrer a um eventual quinto mandato, contra o candidato mais forte que o sarneísmo já enfrentar durante cinco décadas. Roseana foi para a disputa empurrada pela família – principalmente, o pai, José Sarney – para tentar se eleger e manter o irmão Zequinha no Senado.

Com 88 anos e uma trajetória política inigualável no país, José Sarney não contava ver a sua oligarquia ser implodida neste domingo. Com toda a experiência que acumula em tantos mandatos de presidente da República, governador do Maranhão e cinco de senador pelo seu Estado e pelo Amapá, o filho ilustre de Pinheiro viu seu inimigo preferencial Flávio Dino dar um passeio de urnas, ganhando sempre com quase o dobro, de Roseana Sarney, desde a primeira urna até a última.

O fiasco tucano

Flavio Dino fez uma devassa geral no sarneísmo. Elegeu os dois senadores e colocou seus adversários Roberto Rocha e Maura Jorge lá atrás. Ela só elevou seu percentual de voto, puxado pelo prestígio do presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro. Roberto Rocha só veio mostrar que, se não fosse Flávio Dino, o senador eleito em 2014 seria Gastão Vieira e não ele. Ele foi o maior fiasco da eleição de domingo.

Roberto Rocha (PSDB) sai derrotado com apenas 64.446 votos, equivalentes a 2,05% do total

Seu PSDB não elegeu um único deputado federal, enquanto o PMN do deputado Eduardo Braide, campeão de voto, com 166,6 mil votos, colocou ainda o segundo deputado na Câmara, o desconhecido político, pastor Gildenemyr, com 34 mil votos. Na Assembleia Legislativa, PSDB de Roberto Rocha só reelegeu Wellington do Curso, um dos últimos colocados com apenas 23,5 mil votos.

Sarney Filho, Edison Lobão e os Murad estão, ao longo da história política do Maranhão, sem mandato federal. Dino elegeu ainda a maioria das bancada de deputados federais e estaduais.

Desta vez, as pesquisas acertaram. Nunca chegaram tão perto da realidade saída das urnas, mesmo as feitas por institutos pagos pelo sistema de comunicação da família Sarney. De nada adiantou a campanha sistemática dos mesmos veículos de mídia dos Sarney e dos Lobão contra o governador, chamado, diariamente de “comunista”, com a intenção de qualificá-lo como um elemento pernicioso à sociedade. Usaram da artimanha, como se fazia antigamente para “dedurar” adversários da ditadura militar de 64.

Flávio Dino derrotou as famílias Sarney, Lobão e Murad. Não foi diferente com as mídias ligadas e agregadas ao seu sistema de comunicação, com dezenas de blogs que entraram na mesma faixa de repulsão ao governador do PCdoB. O próprio ex-presidente José Sarney, que não chegou a ir diretamente às ruas pedir voto para os filhos e o neto Adriano (único a ser reeleito deputado estadual), mas usou semanalmente o seu jornal para escrever artigos duros, escrachando o governo e a pessoa do adversário.

Método de governar. controlando

Flávio Dino (PC do B), governador reeleito com maioria esmagadora, 59,29% (1.867.396 votos)

Flávio Dino fez um governo proficiente em vários setores. Na organização de sua equipe de secretários, escolhida com técnicos e não políticos, nas principais pastas. A divisão dos cargos concedidos aos partidos, Dino foi o autorizador. Estruturou as ações políticas em qualquer município, agindo diretamente sobre elas, quando são parcerias com prefeituras.  Em 2016, o governador atuou forte nas eleições para eleger o maior número possível de prefeitos, e conseguiu 46. Governou com uma bancada majoritária na Assembleia Legislativa, presidida por Humberto Coutinho (PDT), que faleceu no cargo, e depois, Othelino Neto (PCdoB), deputados de sua inteira confiança.

Ação coordenada na segurança

Dino agiu sintonizado com a Polícia Militar e a Civil, conseguindo mantê-las sobre seu comando direto. Reduziu os números da violência, aumentou o efetivo, promoveu milhares de policiais e colocou na gestão do sistema Penitenciário, um técnico pouco conhecido, trazido de Minas Gerais, Murilo de Andrade Vieira, hoje, admirado até pelos juízes criminais do Maranhão, em razão do trabalho que realiza. Nenhuma rebelião em quatro anos.

Mesmo com a crise econômica que afundou vários estados ricos, o Maranhão, com os piores indicadores sociais do Brasil, conseguiu atravessá-la até hoje sem dar sinal de fracasso na gestão. Paga o melhor salário do Brasil aos professores, não atrasa salário e programou na campanha eleitoral outras ações inovadoras para o segundo mandato. Agiu em sintonia com o setor empresarial, apoiando-o no que pôde e tornando-se respeitados, também, junto ao agronegócio e à agricultura familiar, que ganhou importância.

O governador mantém com os municípios parcerias em vários programas sócias, dando prioridade o combate à miséria e às desigualdades sociais, onde a pobreza torna o Maranhão uma vergonha nacional. O programa mais IDH nos 30 municípios mais carentes foi uma ação combinada com o “Escola Digna”, escola de tempo integral e ampliação da Universidade Estadual, o “Mais Asfalto”, Hospitais regionais de alta resolução deu visibilidade até nacional à gestão do “comunista”. Agora é outra história que está começando – ou dando prosseguimento à iniciada em 2015.

Usando seu perfil no twitter, Flávio Dino se dirigiu ao povo do Maranhão, com agradecimentos:

Agradeço à população do nosso Estado pela extraordinária vitória: vencemos no 1º turno, nossos 2 senadores foram eleitos e elegemos a maioria de deputados federais e estaduais. O trabalho continua e as mudanças seguem em frente.

Obrigado, Maranhão. Muito feliz e grato. Aos que quiserem confraternizar conosco: eu, Brandao, Weverton e Eliziane faremos um pronunciamento agora (ontem à noite) na Praça Pedro 2º. Enorme vitória do nosso povo. Fizemos uma campanha popular e alegre. Vencemos.

Em meio a uma gigantesca crise econômica e política, fizemos muito em favor do Maranhão. Me dediquei todos os dias ao Governo, realizando obras e ampliando serviços públicos. Peço mais 4 anos para continuar esse trabalho sério, honesto e efetivo. As mudanças seguirão em frente.

Roseana parabeniza Flávio Dino

Em nota, distribuída logo após o resultado da totalização dos votos, em que ela ficou em 2º lugar com 30% dos votos,  se dirige ao adversário vencedor, Flávio Dino, aos senadores, deputados federais e estaduais eleitos, “desejo sucesso no exercício de seus mandatos”. Além de perder a hegemonia política no Maranhão, o grupo Sarney perdeu também as duas vagas de senador, a maioria das bancadas parlamentares. Roseana disse o seguinte:

As eleições representam a celebração da democracia. É o momento em que os cidadãos expressam suas vontades e suas escolhas.
Com os resultados já conhecidos, e em respeito à decisão da maioria, parabenizo a todos os candidatos que se apresentaram à escolha popular.
Agradeço, de coração, a todos que me ajudaram com o seu trabalho e sua dedicação em toda a minha carreira politica, especialmente nestas eleições.
Ao governador Flávio Dino, aos senadores, deputados federais e estaduais eleitos, desejo sucesso no exercício de seus mandatos.
A todos os maranhenses, o meu carinho e o meu reconhecimento.

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