Flávio Dino na reta final da reforma do governo

Por Raimundo Borges

Com 45 dias à frente do segundo mandato, o governador Flávio Dino (PCdoB), finalmente deu acelerada no processo de mudança na equipe de governo, o qual vinha mantendo sob completo sigilo, gerando imensa expectativa no meio político. Os 16 partidos da base aliada já mostravam apreensão, na ansiedade de como seria a participação de cada um na nova administração estadual.

Somente ontem Flávio Dino usou a sua costumeira ferramenta de comunicação diária com o público – o Twitter – para anunciar alterações no comando de quatro secretarias. No arremate de intrincado jogo de troca de posições ou de substituições, acabou por colocar o ex-deputado Gastão Vieira (Pros) de volta à Câmara dos Deputados, como segundo suplente.

Ao chamar para o governo, o deputado Rubens Pereira Jr, PCdoB, que ingressara no segundo mandato federal e manter na Secretaria de Indústria e Comércio, o primeiro suplente Simplício Araújo, Flávio Dino resolveu uma demanda das mais complicadas. Colocar Gastão Vieira, que era do grupo Sarney até o começo de 2018 e trocou de posição, num lugar de destaque.

Gabinete vizinho do chefe

As novas mudanças foram a seguintes: na Secretaria de Cidades assume Rubens Pereira Júnior, enquanto a economista Flávia Alexandrina vai para a Secretaria de Gestão e Previdência; Lilian Guimarães comandará a Secretaria de Transparência no lugar de Rodrigo Lago, que foi deslocado para a pasta da Comunicação e Articulação Política, com gabinete bem próximo do governador, no Palácio dos Leões.

Com esses anúncios, já são dez os nomes confirmados por Flávio Dino na reforma que ele disse ser pequena e os indicados, escolhas de sua exclusiva responsabilidade, mesmo diante de eventuais preferências apontadas pelos partidos da base aliada. Antes ele já havia confirmado Marcelo Tavares (PSB) na Casa Civil, o que permitiu o retorno de Edivaldo Holanda (PTC) ao plenário da Assembleia Legislativa, como primeiro suplente.

Dino oficializou a permanência do secretário de Segurança, Jefferson Portela (PCdoB), uma das pastas mais complicadas do governo, assim como fez na Sejap, Fazenda, Planejamento, Infraestrutura, Educação e Saúde. Quanto a Segup, o delegado tem realizado um trabalho de reconhecimento até fora do Maranhão. As demais secretarias formam o centro nervoso e decisivo do governo.

Jefferson Portela (PCdoB), permanece a frente da Secretaria e Segurança

Para acomodar a situação do ex-deputado Rogério Cafeteira (DEM), que foi seu líder na Alema, Dino o colocou na pasta dos Esportes e Lazer. Diego Galdino, que seria deslocado para a presidência da Companhia de Saneamento (Caema), permanece na Cultura e Turismo; e Flávia Ewerton, ligada ao PDT, será titular da Agência de Desenvolvimento da Agropecuária (Aged).

Demarcando espaço nacional

Essas mudanças no governo tornaram-se uma necessidade política e de governança. Nos primeiros quatro anos, Dino não fez nenhum alteração significativa no time do primeiro escalão, sob o bordão de que “time que está ganhando não se mexe”. Em 2015, tanto ele quanto a maioria dos secretários eram estreantes no governo. Dino tinha apenas a experiência haver presidido a Embratur, no governo Dilma Rousseff, quando Gastão Vieira era ministro do Turismo.

Em 2019, Flávio Dino logicamente já começa a trabalhar num cenário ampliado, de como terminar seus oito anos à frente do governo do Maranhão, que o recebeu mergulhado na crise nacional e local, razão de tantos anos de gestões sob o Grupo Sarney. Só Roseana Sarney governou por 14 anos, e o Estado permaneceu atolado nos piores indicadores de desenvolvimento humano do Brasil. E Dino chegou ao governo sustentando a bandeira da mudança nas práticas de gestão e de fazer política.

Falta o arremate

Ainda faltam alguns ajustes políticos e de governo. A deputada Ana do Gás (PCdoB) pode ser indicada para a Secretaria da Mulher, substituindo a petista Terezinha Fernandes. Ela, assim como o secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, entrou no governo pela “cota” do próprio Flávio. Se for substituída, deve ser acomodada em outra esfera do governo.

Flávio Dino ainda precisa resolver, pela via partidária, a vida de pelo menos dois suplentes de deputado estadual. Zito Rolim (PDT), de Codó, e Ariston Gonçalo (Avante), irmão do prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB). Para isso, chamaria para o governo os deputados Márcio Onaiser (PDT), ex-secretário da Agricultura, cuja pasta é cobiçada pelo deputado federal Josimar do Maranhãozinho (PR). E Neto Evangelista também iria desocupar sua cadeira na Alema, para outro suplente.

A exemplo do primeiro mandato –, uma parte com Dilma Rousseff e outra com Michel Temer no Planalto – Flávio Dino procurou ser destaque político nacional. Foi apoiador de Dilma, atuou fortemente contra o impeachment (o que provocou o início de seu rompimento com o então deputado José Reinaldo), e na mesma linha, manteve-se leal ao ex-presidente Lula antes e depois de sua prisão.

Com o governo Temer, Dino teve uma relação de opositor, tanto por ter liderando o golpe contra Dilma Rousseff, quanto como vice-presidente, assim também na condição de liderança máxima do PMDB. Mas isso tudo não impediu o governador maranhense de manter uma “ponte” de diálogo que lhe permitia acesso institucional e relação amistosa com o Palácio do Planalto. Também teve boa acolhida em alguns momentos, por ministros de Temer.

Relação com Bolsonaro

Agora, em 2019, num cenário totalmente reformulado pelas urnas de 2018, no Maranhão e no Brasil, Flávio Dino já procura demarcar espaço como opositor duro do presidente Jair Bolsonaro, um anticomunista raivoso e líder absoluto  da direita brasileira e sul-americana. Mesmo assim, o fator ideológico não impediu o governador do PCdoB de manter encontro com o vice-presidente Hamilton Ourão, quinta-feira passada, no Palácio do Planalto.

 

Ao destoar publicamente de inúmeras posições de Bolsonaro e alguns ministros, Mourão já atrai simpatias de segmentos da esquerda brasileira, embora alguns esquerdistas vejam como um erro esse “namoro” com o general. Mas Dino não pretende aproximação ideológica e sim resolver questão de governo estadual com o governo federal.

Flávio Dino foi ao vice Mourão (PSL) levar demandas do Maranhão nas áreas de Segurança Pública, Infraestrutura, e quebrar o gelo na relação institucional com o Planalto, falando, também, em nome do Consórcio de Governadores do Nordeste. Para arrematar o encontro, bem recebido por Mourão, Dino o convidou para o encontro de governadores de todo o Brasil, a realizar-se em março, em São Luís.

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