MDB, PT E PDT SEM CANDIDATO À PREFEITURA DE SÃO LUÍS

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A disputa da prefeitura de São Luís em 2020, definitivamente, não terá Roseana Sarney no páreo. Da família Sarney, o único nome que entrará na corrida ao Palácio de la Ravardiére é o deputado estadual Adriano Sarney (PV). Por conta disso, o MDB dos Sarney não terá candidato, mesmo sendo no Brasil, o partido com maior número de filiados, e dificilmente estará na aliança com o PV de Adriano. Motivo: resistências internas. Mas se depender de Roseana, as duas legendas marcharão juntas. Afinal, não seria lógico o MDB, controlado pelos Sarney no Maranhão desde quando surgiu como PMDB, deixar o neto de José Sarney entrar numa batalha dura como esta de 2020, sozinho.

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Roseana Sarney, definitivamente, está fora da disputa à prefeitura de São Luís

A relutância de históricos do partido segue a lógica do risco de um resultado eleitoral incompatível com o seu tamanho. Eles levam em conta a posição de Adriano até agora nas pesquisas. Um membro do MDB chegou a brinca com a situação do neto do ex-presidente da República e político que mais fez história no Brasil: “Manga que não amadurece, encroa”. No âmbito nacional, na contramão de várias legendas que explodiram entre 2016 e 2020, o MDB foi a que mais encolheu em número de integrantes. Mais de 230 mil pessoas abandonaram a sigla entre 2018 e 2020. Mas, apesar da debandada, o partido continua o maior do Brasil em número de filiados, com 2,1 milhões.

Nome mais lembrado

Roseana, embora bem colocada nas pesquisas, principalmente na pergunta espontânea, em razão dos 14 anos em que despachou no Palácio dos Leões, como governadora, sabe que na hora do voto na chamada “Ilha Rebelde”, o enredo muda de figurino. Seu grupo que mandou no Maranhão por meio século, jamais ganhou uma eleição na capital. Mesmo assim, o MDB, presidido em São Luís pelo deputado Roberto Costa, passou à ex-governadora, as negociações em termos de aliança. Em 2016, por exemplo, o vereador Fábio Câmara concorreu pelo ainda PMDB e obteve magros 3,63% dos votos.

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Deputado Estadual Adriano Sarney (PV), neto do ex-presidente José Sarney, único nome do grupo que entrará na corrida ao Palácio de la Ravardiére

O caso do MDB não é único embaraçado nessas eleições de novembro, altamente afetadas pela pandemia do coronavírus. O PT, maior partido na Câmara dos Deputados e com maior volume de recursos dos Fundos Partidários e de Campanha, também marcha para não ter candidato próprio em São Luís. Os rachas históricos entre suas correntes internas podem acabar em nova pendenga no diretório nacional. O deputado José Inácio ensaiou candidatura, mas o comando municipal e o estadual da legenda analisam aliança com Rubens Júnior (PCdoB), o ex-juiz José Carlos Madeira (Solidariedade), Neto Evangelista (DEM), ou ainda Bira do Pindaré (PSB). No entanto, a bússola da legenda são as pesquisas.

Descompasso entre filiados e votos

No Brasil, existem 16,5 milhões de filiados a algum partido político, o equivalente a 7,8% da população. A política brasileira ainda é majoritariamente masculina. Desse universo, 9 milhões são homens e 7,5 milhões, mulheres. Os dados constam no levantamento feito pelo TSE, cuja regra eleitoral dá maior espaço aos candidatos. Depois do MDB, seguem PT, com 1,5 milhão; PSDB, com 1,4 milhão; PP (1,3 milhão); PDT (1,1 milhão); PTB e DEM, com aproximadamente 1 milhão de adeptos, cada. A menor legenda em número de filiados é a desconhecida Unidade Popular (UP), que conta com meros 1,1 mil membros.

Como se pode perceber, dos maiores partidos em numero de filiados, o MDB e o PT não conseguiram, até agora, organizar suas estruturas para lançar candidatos próprios à prefeitura de São Luís em novembro. O MDB insistiu em Roseana até quando ela tirou o cavalo de campo, temendo encerrar sua carreira política com mais uma derrota, desta vez, liderando a chapa na capital. Já o PT do lulismo, como acontece sempre em ano eleitoral, vive momentos de tensão sobre aliança. Sabe que qualquer posição fora do eixo normal de poder, vira imbróglio que vai esbarrar no diretório nacional, com possibilidade de decidir, de cima para baixo, inclusive com intervenção, como já ocorreu em 2010.

Tucanos no muro

Enquanto os grandões ficam no debate sobre candidatura própria ou aliança na capital maranhense, o PSDB também vive seus dias de incerteza. Até agora, o presidente regional, senador Roberto Rocha não bateu o martelo sobre a pré-candidatura do deputado Estadual, Wellington do Curso. Rocha quer ganhar tempo, para apostar numa candidatura realmente mais viável, como, por exemplo, do deputado federal Eduardo Braide, do Podemos, que desde 2016, quando disputou a prefeitura, vem liderando as pesquisas.

Eduardo Braide venceria disputa em São Luís no primeiro turno, diz pesquisa  do Jornal Pequeno - Maranhão Hoje
Deputado Federal Eduardo Braide, (Podemos), vem liderando as pesquisas e pode ter apoio dos tucanos numa eventual desistência de Wellington do Curso  

Enquanto o tempo voa, os pré-candidatos tentam aprender fazer campanha no ambiente chamado de “novo normal”, sem comício e com reuniões em bairros e zona rural, tudo obedecendo a protocolos de distância social. Já os conchavos de bastidores acabam marcando abrindo nunca visto antes, nas redes sociais. Nesse jogo, o MDB se faz de noiva cortejada, pelo DEM, do deputado Neto Evangelista; o Solidariedade, do ex-juiz federal Carlos Madeira; o Pros, do deputado Yglésio Moisés; o PV, de Adriano Sarney; e, quem diria, também o PCdoB, do deputado Rubens Pereira Júnior.

Dino e Roseana Juntos?

Essa proposta ainda em forma de especulações seria uma daquelas situações em que o imponderável só se torna fato diante das dobras da política – com Flávio Dino e Roseana Sarney juntos numa campanha política. Nada demais, para o antigo PMDB que se tornou aliado do PT, com Lula e Dilma.

No meio desse cenário confuso para uma campanha igualmente transformada pela força da crise pandêmica do coronavírus, o deputado Duarte Jr trocou o PCdoB pelo Republicanos, ex-PRB, ligado à Igreja Universal e, no Maranhão, com a presença destacada do vice-governador Carlos Brandão.  A legenda é focada no campo ideológico centro-direita, o mesmo ambiente do Podemos, do deputado federal Eduardo Braide que, até 2017 tinha o registro de PTN. Sua presidente deputada Renata Abreu (SP), explica o sentido ideológico da legenda: “O que mobiliza hoje a sociedade não é mais a ideologia de esquerda ou direita, mas as causas, que são muito dinâmicas”.

Pesquisa aponta crescimento da aprovação de Edivaldo Holanda e queda de  Braide | Luís Cardoso – Bastidores da Notícia
O PCdoB do governador Flávio Dino tenta abrir espaço no pelotão da frente, enquanto o PDT, do prefeito Edvaldo Holanda Júnior, não terá candidato ao pleito municipal

Assim, a pré-campanha das eleições municipais de São Luís segue embaralhada em todos os cenários. O PCdoB do governador Flávio Dino ainda tenta abrir espaço no pelotão da frente apontado nas pesquisas. O MDB das famílias Sarney, Lobão e Murad entregou à Roseana Sarney o seu futuro nas próximas eleições. O PDT do prefeito Edivaldo Holanda Júnior não terá candidato; o partido Aliança pelo Brasil, do presidente Jair Bolsonaro, não conseguiu registro no prazo de concorrer em 2020. E o PSL, segundo maior na Câmara Federal, também não sabe como disputará a eleição majoritária na capital maranhense.

Os pré-candidatos são os seguintes:

Adriano Sarney (PV), Bira do Pindaré (PSB), Detinha (PL), Duarte Jr (Republicanos), Eduardo Braide (Podemos), Neto Evangelista (DEM), Wellington do Curso (PSDB), Yglésio Moisés (Pros), Jeisael Marx (Rede), Rubens Jr (PCdoB), Franklin Douglas (Psol), Carlos Madeira (Solidariedade) e Hertz Dias (PSTU).

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