ENTREVISTA COM O SENADOR ROBERTO ROCHA

O senador tucano abordou também uma proposta sua de construir uma espécie de transposição do Rio Parnaíba para o Itapecuru.

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O senador Roberto Rocha, líder do PSDB, classificou de “ridícula” as críticas do Senador americano, do partido Democrata, Bernie Sanders que, esta semana pediu que o Congresso Estadunidense que os impostos pagos pelos americanos sejam aplicados no projeto do Centro de Lançamento de Alcântara. “Será que ele sabe que esse acordo vinha sendo construído desde os governos do PT?”, Indagou Rocha.

O senador tucano abordou também uma proposta sua de construir uma espécie de transposição do Rio Parnaíba para o Itapecuru, perto de Caxias, que facilitaria o transporte de grãos da região do Matopiba para o Porto do Itaqui. “Esse é um projeto que, com a construção de duas eclusas e um canal de aproximadamente 20 quilômetros, permitirá escoar a produção de grãos de mais de 20 milhões de toneladas do Matopiba de Alto Parnaíba até São Luís”, explicou.

O Imparcial – O senador democrata americano Bernie Sanders disse à BBC que as comunidades afrodescendentes de Alcântara e indígenas do Brasil estão sob “ataque implacável” do governo Bolsonaro. Ele pediu ao Congresso estadunidense que se levante e impeça que os dólares dos contribuintes dos EUA sejam usados no projeto da Base de Alcântara, que o governo Brasileiro aposta em torná-lo competitivo e rendoso para o país. O senhor como defensor do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), firmado em 2019 entre Brasil e Estados Unidos, poderia dizer qual a situação do programa hoje e o que acha das declarações de Bernie Sanders?

Roberto Rocha – Lá, como cá, há políticos mais voltados a falar para a plateia de eleitores do que expressar compromisso com a verdade. Isso é politicamente correto para o eleitor democrata americano, mas é uma fala perfeitamente ridícula de quem não entende nada do assunto. Será que ele ao menos leu o Acordo de Salvaguardas firmado entre o Brasil e os EUA? Será que ele sabe que esse acordo vinha sendo construído desde os governos do PT?

Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Foto: Divulgação

O programa está em andamento, cumprindo as etapas formais que tem que atravessar, justamente para proteger as populações quilombolas que serão as mais favorecidas quando a Base estiver em pleno funcionamento.

O que prevê de fato o projeto de uso do Centro Espacial de Alcântara para as comunidades quilombolas em termos de moradia e espaço territorial, caso sejam removidas de onde moram?

Prevê uma série de benefícios, alguns deles que não foram cumpridos pelos governos anteriores. Por isso eles têm razão de estarem desconfiados. Mas agora será diferente, pois o Governo Federal irá cumprir todo o combinado, acionando os órgãos e empresas federais, como a Codevasf. Foi justamente por isso que eu me empenhei tanto para estender a ação da Codevasf para todo o Maranhão, inclusive Alcântara.

Comunidade quilombola em Alcântara. Foto: Agência Brasil

O Maranhão, infelizmente, tem a população mais pobre do Brasil. E, no Maranhão, a região mais pobre é a baixada maranhense, exatamente onde se encontra Alcântara.

Um pouco acima de Alcântara, na Guiana Francesa, tem a Base Espacial de Kourou, uma pequena cidade com 23 mil habitantes, o mesmo que Alcântara. A renda per capita de Kourou é 16.800 euros.

Os comunistas daqui e os de lá deveriam comparar com a renda per capita de Alcântara.

Outro assunto é a Zona de Exportação do Maranhão (ZEMA), que será instalada em São Luís, cujo projeto de sua autoria até agora não saiu do papel. Em que situação se encontra e quando a Zema deve ficar pronta?

A Zema já saiu do papel sim e se instalou, primeiramente, nos planos oficiais do Governo Federal. Mas é um projeto tão ambicioso que exige muitas alterações no ordenamento jurídico, por conta inclusive das exigências aduaneiras. Mas está caminhando para se tornar a primeira ZPE plena a se instalar no Brasil.

Quais são os benefícios reais para a economia do Maranhão com a Zema?

O primeiro e grande benefício é o de transformar completamente a dinâmica econômica do Estado do Maranhão. Pois a Zema, ao contrário dos grandes projetos de economia de enclave que existem hoje, permite irrigar para a cadeia produtiva os seus benefícios. Juntamente com a Base de Alcântara, o Maranhão, se tiver juízo e não ficar brigando por picuinhas políticas, poderá vir a ser um polo de alta tecnologia, assim como São José dos Campos se transformou com a indústria da Embraer.

O senhor tem dito que o Nordeste precisa ser emancipado e o ponto de partida são as ZPEs. Como se dará isso na região nordestina?

Como aconteceu na China comunista, que parece bem mais sensata que a nossa China capitalista do Maranhão.

Ao invés de expulsar investimentos, a China estendeu tapetes vermelhos e deu segurança jurídica aos investidores do mundo inteiro. Ou seja, jogou na lata do lixo esse esquerdismo imbecilizado, que o próprio Lênin chamava de “lado mais ingênuo do comunismo”. Sem abrir mão de uma política industrial forte, se transformou em poucos anos em um uma potência econômica mundial, elevando as condições sociais de mais de 600 milhões de chineses, isto é, três Brasis.

Lá, foram criadas dezenas de ZPEs. Podemos ser uma “China democrática”. Recomendo assistir no Netflix o capítulo “Ascensão da China” no seriado HISTÓRIA: DIRETO AO ASSUNTO.

A pandemia contribuiu para atrasar a implantação do empreendimento tão importante para o Maranhão?

Não é a pandemia. São os interesses de outras regiões do país que imaginam perder a hegemonia sobre a industrialização do Brasil. Isso é bem claro para mim e para o Governo Bolsonaro, que felizmente foi eleito sem as amarras históricas que os governantes sempre tiveram com os grupos econômicos que mandavam no país.

A Reforma Tributária pode ser aprovada ainda em 2020 e o que muda de fato para o contribuinte e para o país?
Muda tudo. Simplificando, muda a lógica arrecadadora da economia e dá poder ao consumidor. Essa é a mais importante tarefa do Governo, hoje. Quebrar a espinha dorsal desse monstro chamado política fiscal, que é o principal motivo do país estar paralisado há tantos anos. Não há saída para o Brasil, a não ser com uma profunda reforma tributária e administrativa, para tornar a arrecadação tributária melhor e mais justa e diminuir o gasto público.

O senhor tem defendido um projeto de grande investimento do governo federal, que é hidrovia ligando o Rio Parnaíba ao Itapecuru, perto de Caxias. Que projeto é esse, de tamanha magnitude econômica, que vai exigir pesados investimentos, com a transposição e tornar os dois rios navegáveis?

Esse é um projeto que, com a construção de duas eclusas e um canal de aproximadamente 20 quilômetros, permitirá escoar a produção de grãos de mais de 20 milhões de toneladas do Matopiba de Alto Parnaíba até São Luís.

É um custo muito baixo para melhorar em muito a competitividade brasileira, tirando milhares de carretas das estradas, com ganhos laterais para o meio ambiente e para o SUS, pela redução drástica de acidentes.

Já mostrei pessoalmente o projeto ao ministro Tarcísio, que como homem tocador de obras percebeu rapidamente a importância e já solicitou a sua equipe que faça os estudos de viabilidade.

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