Câmera de segurança mostra início da confusão antes do assassinato brutal de João Alberto no RS

Imagens obtidas pelo Fantástico mostram um ângulo diferente das agressões brutais e da imobilização do cidadão negro, que duraram mais de cinco minutos.

G1 – Novas imagens das câmeras de segurança de uma unidade do Carrefour de Porto Alegre mostram por outro ângulo a confusão antes do assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças na noite de quinta-feira (19). Veja acima.

No início do novo vídeo, obtido pelo “Fantástico” neste sábado (21), é possível ver João Alberto sendo acompanhado pelo segurança de dentro do supermercado para o estacionamento. Não é possível ouvir o que eles falam. João Alberto dá um soco em um dos seguranças.

O pai de João Alberto, João Batista Rodrigues Freitas, disse ao Jornal Nacional na sexta-feira (20): “Mesmo que fosse um soco, acho que isso não é motivo para tirar a vida de uma pessoa”. Ele classificou de “agressão covarde” e um “ato de racismo” o assassinato do filho.

O vídeo mostra, em ângulo diferente dasimagens divulgadas na sexta-feira, o início das agressões e a imobilização de João Alberto, que duraram mais de cinco minutos, mesmo com pedidos de ajuda.

João Alberto fazia compras com a esposa no supermercado quando teria ocorrido um desentendimento com uma funcionária do local.

Ela chamou os seguranças, que levaram João Alberto para o estacionamento, onde ocorreram as agressões.

Reação e manifestações

O presidente Jair Bolsonaro disse que tensões raciais são importadas e “alheias” à história do país. O vice-presidente Hamilton Mourão lamentou a morte, mas afirmou que não há racismo no Brasil.

‘Divertido, parceiro’: lembranças e pedido de justiça

João Alberto foi enterrado na manhã deste sábado (21), em Porto Alegre. Amigos e familiares fizeram uma última homenagem à vítima.

Muito abalada, a mulher de João Alberto, Milena Borges Alves pediu justiça. “Eu não tenho nada pra falar. Só quero justiça, quero que paguem”.

Uma das filhas dele, Taís Amaral Freitas, agradeceu o apoio que a família tem recebido. “A gente até se sente confortável por isso, mas mesmo assim, não traz a vida de volta. Não tem muito o que falar, depois de ver aquelas imagens”.

Amigo próximo do soldador, Noé Fernando Pithan também prestou uma última homenagem.

“Brincalhão, divertido, parceiro mesmo, até eu tenho camisa de clube que ele me deu, e gostava de andar de boné, camisa de clube. Não tem como aceitar uma coisa dessa, não tem como, ninguém vai te explicar isso daí”, desabafa.

Prisão em flagrante e apuração interna

Os dois agressores – o policial militar Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30 – foram presos em flagrante e tiveram a prisão preventiva decretada na tarde desta sexta.

As análises iniciais do Instituto Geral de Perícias do RS (IGP-RS) apontaram para a possibilidade de asfixia como causa da morte de Beto.

O advogado William Vacari Freitas, que defende Magno, disse ao G1: “Vamos aguardar o resultado das perícias e das demais investigações”.

Já o advogado David Leal, que assumiu a defesa de Giovane, afirma que seu cliente relatou que João Alberto “estava alterado” e “deu um encontrão em uma senhora” no supermercado. Eles devem ser indiciados por homicídio triplamente qualificado.

O Carrefour informou, em nota, que lamenta profundamente o caso, que iniciou rigorosa apuração interna e tomou providências para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

A rede, que atribuiu a agressão a seguranças, também chamou o ato de criminoso e anunciou o rompimento do contrato com a empresa que responde pelos funcionários agressores.

Veja as imagens em G1

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