O jogo pesado da eleição da Famem

Por Raimundo Borges

Acabou o consenso que prevaleceu nas últimas eleições da Federação dos Municípios do Maranhão, cuja votação já está em andamento durante o dia de hoje. Os 217 prefeitos do Maranhão estão indo às urnas, divididos. No entanto, vários partidos participam das chapas lideradas pelo prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos) e o de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT). O curioso é que os dois candidatos são da base aliada do governador Flávio Dino, que tirou férias no começo de janeiro e só retornar neste fim de semana.

O que está em jogo é um paradoxo político. A batalha para eleger o presidente da Famem separa o governador em exercício Carlos Brandão, do mesmo partido de Fábio Gentil, e o senador Weverton Rocha, que comanda com absoluto controle o PDT do Maranhão, no qual está filiado o atual presidente da entidade municipalista, Erlânio Xavier, que se dispôs à concorrer à reeleição.

Por trás desse jogo de vale-tudo, está a disputa do governo em 2022, com a presença garantida de Carlos Brandão, que assumirá a titularidade do cargo tão logo Flávio Dino se desincompatibilize para concorrer a outro mandato eletivo, e de Weverton Rocha. Ele vai tentar transformar a votação de 2018 – quase dois milhões – em seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões. Tanto Brandão quanto Rocha são fiéis seguidores do governador do PCdoB, mesmo que nenhum sejam seguidor da doutrina comunista do PCdoB.

Como se pode perceber, a eleição de hoje na Famem se transformou num biombo que marcará a primeira medição de força entre Brandão e Weverton. Sem falar que, ao lado de Fábio Gentil está o Josimar do Maranhãozinho, que conseguiu no ano passado eleger em sua base política, 40 prefeito, apenas um a menos que o PDT de Weverton. Como Flávio Dino, cujo PCdoB tem 22 prefeitos, resolveu ficar “neutro” na disputa da Famem, mas acompanhando com interesse as escaramuças de seus aliados próximos, engalfinhados na luta pelo poder que a entidade representa hoje.

Os prefeitos que acabam de assumir seus mandatos vão precisar em 2021 e 2022 de uma representação estadual forte, capaz de liderar suas reivindicações tanto no âmbito do Maranhão quanto no Federal. Vários municípios estão financeiramente quebrados e não possuem sequer um plano de vacinação a exemplo do que já fez o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos). Ele permanece neutro na eleição da Famem, mesmo tendo recebido, do apoio o PDT, apoio na disputa do segundo turno contra o candidato do Partido Republicanos, Duarte Júnior.

A votação está sendo realizada presencialmente e por voto secreto, na Sede da Famem, em São Luís (Avenida dos Holandeses) e no fim da tarde já haverá resultado. Pelo movimento travado nos bastidores entre os dois grupos, tudo indica que a vitória do ganhador não será por larga margem de votos.

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