Nó cego do dinismo em 2022

Por Raimundo Borges

Em 2018, pelos menos 14 senadores disputaram o governo de seus estados, quando havia duas vagas à disposição. Trezes deles foram eleitos, exceto João Capiberibe do Amapá, que nem concorreu. O Maranhão não foi discrepante. As duas vagas foram ocupadas pelos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Rede). Mas há uma tradição histórica que vem de longe: o Senado é a principal porta de entrada para governadores após o fim de mandato. Desde José Sarney (1970) até hoje, foram senadores do Maranhão, os ex-governadores João Castelo, Epitácio Cafeteira, Edison Lobão, Roseana Sarney e João Alberto, todos apoiados pelo sistema sarneísta.

Roberto Rocha, foi eleito em 2014 pelo PSB, “puxado” pela força eleitoral do então candidato a governador Flávio Dino

O senador Roberto Rocha, foi eleito em 2014 pelo PSB, “puxado” pela força eleitoral do candidato a governador Flávio Dino, cujo partido estava na aliança com o PCdoB. Ele derrotou Gastão Vieira do MDB sarneísta que, até uma semana da eleição liderava todas as pesquisas. Dino arregaçou as mangas por Roberto Rocha para impedir que Gastão lhe trouxesse problemas como senador roseanista. O curioso foi a coligação dinista ir da esquerda petista ao PSDB, então presidido no Maranhão por Carlos Brandão, posto como vice. Em 2017, ele perdeu para Roberto Rocha a legenda, apoiado pela mesma cúpula tucana (Aécio Neves-Alckmin), que colocou Brandão na chapa vitoriosa de Flávio Dino.

Agora, Roberto Rocha está numa situação delicada no PSDB. Sua liderança máxima é o governador paulista João Dória, inimigo número um do presidente Jair Bolsonaro, que fez de Roberto Rocha seu principal apoiador dentro e fora do Senado. Até 2022, Rocha e Doria não poderão conviver no mesmo partido, dentro do qual, o governador trava uma disputa de vida ou morte com Jair Bolsonaro pela eleição da Presidência da República. O senador maranhense, portanto, está entrando num beco sem saída com a sua posição rasgadamente favorável a tudo que disser respeito ao bolsonarismo.

Até 2022, Roberto Rocha e João Doria, inimigo número um de Bolsonaro, não poderão conviver no mesmo partido

Cenário impactante para 2022

Portanto, a história da eleição de senador em 2022 promete ser tão impactante quanto a de governador. Flávio Dino é “candidato nato” à cadeira de Roberto Rocha no Senado. E Roberto Rocha hoje promete disputá-la, mas não descarta concorrer ao governo. Com o estrangulamento do grupo Sarney, Flávio Dino só tem como opositor Roberto Rocha.

Flávio Dino é “candidato nato” à cadeira de Roberto Rocha no Senado

É um jogo que, antes da campanha, precisa ter desfecho dentro do grupo dinista, onde Carlos Brandão vai assumir em abril de 2022, o comando do Estado, como candidato à reeleição. É um cenário em que, atualmente, Weverton Rocha (PDT) também só pensa no Palácio dos Leões. Mas antes é preciso saber por qual partido Roberto Rocha será candidato.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *