Os desafios de Flávio Dino em 13 meses de governo

Por Raimundo Borges

A partir de hoje, o mandato do governador Flávio Dino tem apenas 20 meses para acabar, em 31 de janeiro de 2022. Porém, o governo dinista terá 13 meses, caso ele se desincompatibilize até 5 de abril do próximo ano, para concorrer ao Senado. Portanto, Flávio Dino não terá mais tempo para aventurar-se em projetos de construção de grande envergadura. Sua agenda administrativa é terminar as obras em andamento em São Luís e no interior e investir recursos em parcerias com as prefeituras para que elas realizem o que for possível até o prazo que ele tem para completar sua temporada no Palácio dos Leões.

Em 2022 o governador do PCdoB tem um desafio político que atormenta todos os governantes em fim de mandato: manter sua liderança de pé e unir no Maranhão a força partidária que o conduziu em 2014 e repetiu 2018, ao governo. Mas como o leque que se formou em torno de sua candidatura foi inédita em termos numéricos – 16 partidos -, a maioria de centro e de direita ideológica, Dino já tem a missão de impedir que a disputa da sucessão, entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) possa provocar ruptura interna no grupo. Seria abrir espaço para a oposição se reagrupar ao pré-dinismo e ganhar força no bolsonarismo de âmbito federal.

Dino tem a missão de impedir que a disputa da sucessão, entre Weverton Rocha e Carlos Brandão provoque ruptura no grupo

O peso do cargo

O presidente Jair Bolsonaro, um direitista extremado, terá obrigatoriamente que, em 2022, filiar-se a um partido de direita e, então, colocar todo o peso do cargo governamental para tentar derrotar o “comunista” que tem projeção nacional na esquerda e sempre o fustiga, como governador. Antes de se lançar à corrida pelo Senado, Flávio Dino terá que acertar o passo com Weverton Rocha, um jovem político que não mede distância nem sacrifício para galgar poder, e Carlos Brandão, um vice que se mantém por dois mandatos, na mais completa lealdade e colaboração com o titular. Sem conspirar e jamais sair da linha na posição de segundo mandatário do Estado.

Uma fonte com influência no Palácio dos Leões faz uma avaliação bem realista da política maranhense na era Flávio Dino. Em 2014, ele recebeu 63,5% dos votos contra o emedebista Lobão Filho, que chegou a 33,6%, com apoio total de Roseana Sarney e o restante do grupo que até então mandava no Maranhão havia 50 anos. Em 2018, Dino ficou em 59,2% dos votos, contra Roseana Sarney, que chegou a 30%. Significa que na primeira eleição, o governador teve 37% dos eleitores que deixaram de votar nele. E em 2018, o percentual dos indiferentes a Dino já beiravam os 40% – dos anularam, votaram em branco ou se abstiveram.

Estigma de comunista

Os números acima são compatíveis com qualquer administração pública. Por mais bem avaliado que seja o gestor, no fim de mandato no executivo, ou de temporada de reeleição dificilmente o mandatário está no patamar de quando entrou. Flávio Dino hoje é um dos governadores mais bem avaliados no Brasil, mesmo sendo de um partido pequeno que só elegeu ele em quase 100 anos de existência. E ainda por cima é historicamente estigmatizado por ter a denominação de “comunista”. Não é à toa que nenhum partido no Brasil, de esquerda ou de direita, consegue levar para o eleito sua denominação ideológica. Nem os eleitos pelo PSB, por exemplo, ninguém os chama de “socialistas”.

Por todas essas variantes, o governador do Maranhão tem desafios internos e externos. Como ele confronta Jair Bolsonaro pelas ações de governo, principalmente na estrambelhada gestão da crise da pandemia da covid19, vai receber desde agora toda a ira não só do presidente da República quanto de seus seguidores nas redes sociais robotizadas. Os políticos maranhenses que conviveram 50 anos com no sistema sarneísta sabem que o poder oligárquico estrangulou-se. Porém, muitos combatem Flávio Dino, mais pelo lado ideológico do que por divergência com sua maneira de governar, controlando a máquina em todas as áreas e não permitindo a ocorrência de escândalo de corrupção.

Confrontar Jair Bolsonaro pelas ações de governo continua sendo um dos desafios de Flávio Dino

Ele ainda tenta mostrar à oposição a Bolsonaro que sem união coordenada, o presidente tem chances reais de se manter por mais quatro anos no Planalto. Por essa razão, Flávio Dino tem dito aos mais próximos do ciclo palaciano que, se for para ser mais um a dividir o lado oposto a Bolsonaro, ele vai disputar o Senado. Hoje, não é segredo que o PT não aceita opção de candidatura a presidente em 2022 que não seja Lula ou Fernando Haddad na cabeça de chapa. Os outros partidos, como PDT de Ciro Gomes, PSOL de Guilherme Boulos e o PSDB de João Doria, por exemplo, só esperam o tempo certo para se lançarem à disputa do Planalto.

Juntos em 2022

Para 2022, Dino tem um concorrente chamado Roberto Rocha, senador do PSDB, eleito pelo PSB em 2014, apoiado pelo mesmo que hoje chama de “comunista”, como um xingamento. Como o partido do senador tem João Doria candidato à Presidência da República, fica difícil imaginar que Roberto Rocha esteja na mesma legenda e apoiando fervorosamente o presidente Jair Bolsonaro. O mais provável é que tão logo Bolsonaro se defina por um partido para se tornar candidato em 2022, Roberto Rocha o siga, deixando para trás sua segunda temporada no ninho tucano.

Para 2022, Dino tem como concorrente, Roberto Rocha, senador do PSDB

Por sua vez, Bolsonaro permanece com a popularidade ao redor de 30 a 40%. Significa que, a manter-se nesse patamar em 2022, será candidato fortíssimo a galgar o novo mandato. Após meses de estabilidade, ele enfrenta apenas “tendência” de queda na sua aprovação, com as taxas de reprovação oscilando. Os institutos de pesquisa não discrepam quanto essa posição, o que anima Bolsonaro a continuar com o mesmo discurso negacionista sobre a pandemia e tomando decisões de governo que se encaixam no apoio popular dos bolsonaristas, como por exemplo, a polêmica do preço dos combustíveis, os decretos das armas, a transferências de responsabilidade pelo que é impopular e colocar nos governadores a culpa por tudo que a legião de admiradores reclama.

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