Confronto de 2018 no MA: Oligarquia x Comunismo

Por Raimundo Borges

As eleições de governador do Maranhão, como dos demais estados, apesar de previstas na Constituição Federal para 2018, ainda dependem dos desdobramentos da crise política e econômica que diariamente sacode os alicerces dos Três Poderes em Brasília. Mesmo faltando apenas três meses para terminar o prazo de um ano de antecipação, para que se mudem as regras eleitorais visando o próximo pleito, no entanto, levando-se em conta a velocidade das ocorrências políticas no país, o que menos prevalece são regras estabelecidas.

O governo do Maranhão tem sido principal fonte alimentadora de grupos políticos que se apoderam do poder. José Sarney desmontou em 1965 a oligarquia vitorinista de 20 anos de mandonismo e criou outra que durou 50 anos. E como tudo isso aconteceu? Além da conjuntura política, em pleno alvorecer da ditadura militar, Sarney cuidou de produzir até o filme “O Milagre do Maranhão”, do cineasta romeno Isaac Rozenberg, com o objetivo de legitimar o seu poder como governador e pavimentar a candidatura dele ao senado em 1970, onde tornou-se, depois, recordista na presidência daquela Casa.

Vinte anos depois, em 1990, no fim do mandato de cinco anos na Presidência da República, Sarney lança a filha Roseana candidata a deputada federal. Mesmo debaixo de um verdadeiro terremoto político, com a inflação do pai alcançando o estratosférico índice de 84,23% ao mês, com acumulado de 4.853,90% em 12 meses, Roseana deu um “passeio de urnas”, sagrando-se deputada com a maior votação, enquanto o senador Edison Lobão era eleito governador, em segundo turno, contra João Castelo.

A história de Roseana começou naquele pleito. Quatro anos depois foi eleita governadora do Maranhão, substituindo Lobão. Ele deixou o cargo com o vice Ribamar Fiquene, um juiz seresteiro de Imperatriz, para se eleger senador, cargo do qual até hoje não se afastou. Em 2014, quando encerrou sua última de quatro temporadas no Palácio dos Leões, Roseana passou 14 anos mandando no governo. Um recorde maranhense.

Hoje há quem questione a disposição de Roseana Sarney em concorrer a um novo mandato em 2018, isto se for cumprido o calendário em vigência do Tribunal Superior Eleitoral e as regras da Constituição Federal. Mas há torcidas escancaradas até dentro do PT, que tem firmado posição em apoiar Flávio Dino, pela candidatura de Roseana. O seu “carisma estrelar” chega a ser confrontado com a “sisudez, a empáfia e a arrogância” de juiz, de Flávio Dino, como analisou o ex-deputado e acadêmico da AML, Joaquim Haickel, historicamente ligado ao grupo Sarney.

Portanto o desafio político está lançado. Se Roseana Sarney decidir for à busca de novo mandato, terá pela frente Flávio Dino, seu maior opositor – mais até do que foi Jackson Lago em 2006 –, apoiado pelo ex-sarneísta José Reinaldo no Governo. Os dois farão um segundo confronto histórico. Salvo acontecimentos imprevisíveis que podem atropelar a lógica e produzir fenômenos eleitorais, como aconteceu em 2016 com Jorge Dória em São Paulo e Donald Trump nos Estados Unidos. O problema é que o Maranhão não é São Paulo e seria até imprudente se imaginar, comparando-o aos Estados Unidos.

Flávio Dino tem o governo e sua máquina de “convencer” e “atrair” até recalcitrantes opositores. Tem talento, oratória incomparável na sua geração e visão de governar completamente diferente de todos que passaram pelo Palácio dos Leões, independentemente da ideologia de seu partido, o PCdoB. Seu governo, mesmo na maior crise política e econômica do Brasil em décadas, está conseguindo investir, atuando forte em programas sociais, incentivando o empresariado a produzir, pagando a folha em dia, abrindo concursos e se voltando para a pobreza, com programas sociais criados por seu governo.

Roseana, contudo, é páreo duro. De tantos anos no governo e sua família no poder, sobra um recall considerável de simpatizantes, os que antipatizam e tem preconceito ideológico contra comunista. Os que perderam poder, os que não conseguiram sobreviver politicamente no ambiente “comunista” de Dino formam a legião de saudosistas do sarneísmo. Roseana é dona de inegável carisma, que se resume no jeito de lidar com as massas, mesmo não sendo a oradora que as empolguem.

Pela via intermediária, o senador Roberto Rocha vem trabalhando, desde as eleições de 2018, para se tornar um candidato forte ao governo, fazendo oposição dura a Flávio Dino e nenhuma palavra contra Roseana Sarney e seu grupo. É como quem trabalha na previsibilidade de Roseana não concorrer e ele ser o nome do gruo Sarney para o confronto com Flávio Dino.

Em termo de estrutura partidária, o PCdoB de Dino hoje tem prefeitos em 45 municípios, além de 28 do PDT e 29 do PSDB, siglas aliadas, contra 22 do PMDB, 13 do PSB de Roberto Rocha, que, no entanto, quem controla a legenda é o prefeito Luciano Leitoa, de Timona, presidente regional. Tudo isso pesam tão quanto as pesquisas eleitorais que, apesar de tudo, começam a parecer mostrando com se manipulam as “intenções” de voto, para atender as encomendas de quem paga as tais consultas eleitorais.

O Milagre do Maranhão, um fragmento cinematográfico feito pelo cineasta romeno Isaac Rozenberg, cria um Maranhão diferente, pois expõe uma grandeza e opulência que só existiam nos discursos de José Sarney e dos militares. O filme traça um perfil do governo do Maranhão, o sucesso das obras e de um governo que está de acordo com as ordens dos militares. Uma campanha de exaltação do poder político do regime.

Em entrevista a O Imparcial em março deste ano, Roseana Sarney declarou que poderia sim disputar o governo em 2018. “Se me provocarem, vou sem medo”.

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