Apagão no Senado pode chegar a João Alberto

Por Raimundo Borges

O senador João Alberto (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado pode ter nos próximos dias outro abacaxi de tamanho gigante para descascar. Depois de conseguir, na semana passada, inocentar o tucano Aécio Neves (PSDB-MG) da acusação de recebimento de propina da JBF, chegando a ser afastado do mandato pelo Supremo Tribunal, conforme delação de Joesley Batista, agora é o apagão no plenário da Casa, ocorrido ontem, por ordem do presidente Eunício Oliveira, que deve acabar em nova encrenca no Conselho de João Alberto.

Senadoras no escuro no Senado

O que deve gerar questionamento ou ação direta ao Conselho de Ética é a atitude que levou as senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) a ocuparem a mesa diretora do Senado, na sessão que votaria a Reforma Trabalhista do governo Michel Temer. Elas adotaram uma medida extrema para obstruir a votação da matéria, que a oposição queria emendar ou discutir mais com a base governista.

Eunício Oliveira chegou para assumir a sua cadeira de presidente e tocar a sessão, mas as senadoras não arredaram de onde estavam na mesa diretora. Ele, concomitantemente, suspendeu a sessão, mandou apagar as luzes do plenário e a transmissão de rádio e TV foi suspensa, “até enquanto durar a ditadura delas”, como explicou.

Mesmo no escuro, o plenário ficou lotado, sendo que depois, as luzes foram religadas, mas em condições mínimas. As conversas passaram a ser ouvidas no escurinho do Senado, enquanto as senadoras mostravam-se tranquilas e tirando fotos da situação, talvez para postar em redes sociais. Foi um ato inusitado, inédito, porém, consoantes com a escuridão institucional porque passa hoje o Brasil. Marca um momento de tensão máxima vivido pelo Congresso Nacional e pelos outros poderes.

Pode-se dizer até, sem exagero, que foi a continuidade do que ocorreu na sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), segunda-feira. Em meio a enxurrada de pronunciamentos, de ataque e defesa, entre governistas, advogados e opositores, o relator Sérgio Zveiter, do PMDB do presidente Michel Temer, a apresentou o parecer, a favor de que a Câmara dos Deputados autorize a investigação contra o mesmo Temer.

Já o deputado maranhense Hildo Rocha (PMDB), por sua vez, interpretou os fatos ocorridos na ação e no parecer do Sérgio Zveiter, como sendo uma armação contra o presidente da República a partir de seu próprio partido. No entendimento de Hildo, o relator estaria fazendo o jogo da Rede Globo, para derrubar Michel Temer e substitui-lo pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Mas tem um detalhe curioso nessa interpretação. Hildo também acompanhou coo deputado todo o processo em que votou favorável a admissão do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016, articulado pelo então presidente Eduardo Cunha, com todo o apoio da mesma Rede Globo. Hildo, que agora reclama da emissora dos Marinho porque afeta seu partido de seu interesses políticos, achou tudo legal o que aconteceu com a presidente petista.

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