O Maranhão na crise e os desdobramentos na Câmara

Por Raimundo Borges

O Maranhão, mesmo sem fazer grande sombra na Esplanada, está, contudo, dentro da crise política de Brasília, sem esquecer-se, também, da econômica, que devasta o país como um todo. Enquanto o presidente Michel Temer prepara uma reforma ministerial a fim de desalojar, da Esplanada, representantes de partidos que o tenham “traído”, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV) nem se abala com tal ameaça. Ele e seu PV cumpriram rigorosamente o figurino da tropa de choque na CCJ e deve ser manter irredutível na votação do plenário.

Mas no geral, a nova etapa do processo deve ser muito mais complicada do que a votação na CCJ. A pressão foi tamanha que, dos 40 deputados que votaram contra o prosseguimento do processo do procurador geral da República, Rodrigo Janot, 12 entraram na comissão após a chegada da denúncia. Entre os deputados do Maranhão, a alteração mais visível foi a troca de um titular suspeito de “infidelidade” pelo alinhado Cleber Verde (PRB), que virou titular na CCJ e votou sim, sem titubear .

Pelos cálculos do deputado Alexandro Molon (Rede), se a base do governo não tivesse feito as mudanças na CCJ, o resultado seria de 37 a 28, a favor do parecer do relator Sérgio Zveiter. Da bancada do Maranhão com presença na Comissão de Justiça, votaram contra a admissibilidade da denúncia, os deputados Cleber Verde (PRB), Hildo Rocha (PMDB) e Juscelino Filho (DEM). O ‘comunista’ Rubens Pereira Júnior (PCdoB) foi com o bloco da aceitação.

Posturas trocadas em Dilma e Temer

O que chama a atenção na votação da CCJ é quanto deputados da bancada maranhense que votaram a favor do relatório contra Dilma Rousseff para condená-la por crimes de pedaladas fiscais. Agora votaram a favor de Temer, que substituiu Dilma, mesmo diante de amplo noticiário dando conta que o presidente distribuiu fartas verbas de emendas parlamentares, cargos e fez trocas para “arrumar” a CCJ.
Quanto o placar sobre a próxima votação, vários sites de jornais abriram pesquisas e mostram uma disparidade imensurável. O do Estadão indica que 172 são favor de Temer, 274 foram considerados “outros”, aqueles que não revelam o voto, e 67 se dizem contra. Depois da CCJ, a denúncia segue para o plenário da Câmara. Na votação é necessário o mínimo de 342 votos para que o Supremo possa julgar a acusação formal contra o presidente.

Um dado que pode pesar sobre a próxima votação tem relação direta com o eleitorado, mesmo diante das manobras praticadas pelo Planalto e sua base aliada no Congresso, além dos ocupantes de cargos no Ministério. Pesquisa divulgada quinta-feira revela que 75% dos brasileiros não pretendem votar em deputados que se aliarem a Temer. Mas o próprio Congresso pode encontrar um remédio para essa malquerença: apressar a reforma política, que retirem o nome dos deputados da urna, e o eleitor votará em partido, por suas listas fechadas, ou ainda, no sistema Distritão.
Na esteira da crise, o país se prepara para um futuro politicamente obscuro. Ninguém é capaz de prever o que vai acontecer de fato e de direito com as eleições gerais daqui a apenas 14 meses. No Maranhão, por exemplo, apenas a candidatura do governador Flávio Dino à reeleição é tida como favas contadas. As demais, de Roberto Rocha (PSB), Roseana Sarney (PMDB) e agregados estão sendo trabalhadas, porém, faltando-lhes o acabamento, tais como, coligações, financiamento, apoios, partidos etc.

Dino vai atuar no Caso Temer?

Flávio Dino jogou fortemente nas votações do impeachment, a favor de Dilma Rousseff. Como a derrubada dela foi consumada pelo que se convencionou chamar de golpe parlamentar, agora, o governador do PCdoB defende eleições diretas, com Lula disputando. O seu partido é aliado histórico do PT e tudo indica que assim será em 2018. No Maranhão, o PMDB quebrou lanças e conseguiu junto à direção nacional manter aliança com o PT, embora parte significativa do partido tenha optado por manter fiel ao partido de Flávio Dino em 2014, quando oficialmente a legenda estava com Lobão Filho.

Ainda durante a fase de debates na CCJ, deputados da oposição já esperavam a derrota e lamentaram o que consideram como “resultado artificial”, em referência às trocas de membros da CCJ que foram feitas pela base governista. Desde a semana em que a denúncia chegou à Câmara, 25 dos 66 integrantes da comissão foram substituídos. Já na votação do plenário, é impossível fazer-se qualquer prognóstico tanto sobre o conjunto dos 413 deputados. Quanto aos 18 da bancada maranhense, coordenada pelo ‘comunista’ Ruben Pereira Jr, Flávio Dino – pelo que se sabe – ainda não se meteu.

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