Por que não Flávio contra José Sarney em 2018?

Por Raimundo Borges

Faltam 14 meses para as eleições de 2018 e a guerra declarada entre o grupo Sarney (PMDB) – por sua pessoa, mediante artigos no jornal de sua propriedade – e o governador Flávio Dino (PCdoB), pelas redes sociais – ganha contornos cada dia mais exacerbados e estimulantes. Neste fim de semana Sarney deu umas estocadas pontiagudas no adversário governador, ao usar o seu artigo sabatino para reclamar que “só uma coisa prospera hoje no Maranhão: placas com dizeres de aluga-se ou vende-se”.

Já no domingo, Flávio Dino rebateu com igual contundência: “O oligarca sente saudade do passado em que havia espaço para ele tornar sócio de ‘investidores’ em tenebrosas transações”. E não ficou só nisso, o governador acrescentou que Sarney “não aceita não poder usar mais o helicóptero do Estado para passear em sua ilha privada”. E que “a oligarquia já vive a ansiedade eleitoral de 2018, batalha em que tentarão reaver os privilégios perdidos, suas fontes de riqueza e poder”.

Não é de hoje e nem acabará tão cedo a encrenca política entre o Sarney e seu grupão, contra o governador, que o timbram de “comunista”, como se o fato de Flávio Dino ser do PCdoB fosse motivo de praguejamento popular. O bom nesse briga sem fim seria se José Sarney Costa e Flávio Dino de Castro e Costa tivessem a oportunidade de promover um debate histórico, pela televisão em que ambos – apesar da diferença de idade e de tempo no poder – poderiam trocar opiniões, dizer o que o povo que ouvir, ressaltar as divergências e mostrar ao Maranhão e ao Brasil quem é quem na política estadual.

José Sarney tem 87 anos e um respeitável currículo político que começou com deputado federal, passou pelo governo do Maranhão, Senado Federal, que presidiu por quatro vezes, Presidência da República, durante cinco anos e comando político-eleitoral do Maranhão e Amapá, simultaneamente. Flávio Dino tem 49 anos, foi líder estudantil com militância no PT, professor de direito da Universidade Federal do Maranhão, depois advogado de sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos e de entidades sociais. Em 1994 foi aprovado em primeiro lugar no Brasil no concurso de juiz federal, com 26 anos.

Por 15 anos Dino foi magistrado federal, quando presidiu a associação nacional da classe e prestou assessoramento ao STF. Em 2006 trocou a toga pela eleição de deputado federal, tendo sido eleito, na aliança do PCdoB com o PDT que elegeu Jackson Lago governador.  Hoje é ex-professor de direito. Em 2013 foi nomeado presidente da Embratur até 2014 , quando deixou o cargo para disputar o governo do Maranhão, vencendo em primeiro turno o candidato do PMDB, Lobão Filho.

Agora, José Sarney é um ex quase tudo em cargos políticos que exerceu. Porém, nunca deixou de ser “o Sarney”, que comanda um grupo político no Maranhão e no Amapá e ainda tem força no Congresso Nacional, graça ramificações de poder em vários partidos. Como, por exemplo, no Maranhão, onde domina uma corrente de petistas, que o venera mais do que Lula. Sem qualquer mandato, Sarney tornou-se, no entanto, um conselheiro informal do  presidente Temer, de ex-presidentes da República, além membro influente da Academia Brasileira de Letras. Pelo Brasil afora, qualquer maranhense – até Flávio Dino – já ouviu a afirmação inquietante: “Ah, você é do Maranhão? O Maranhão do Sarney!”

Como Roseana Sarney não parece nada animada em disputar um novo mandato no Palácio dos Leões, onde ela já exerceu o cargo por quatro vezes – talvez uma disputa entre José Sarney e Flávio Dino em 2018 seria a eleição mais importante da história do Maranhão. Se Sarney tem disposição para fustigar, sempre que pode o adversário governador e ser por ele contra-atacado na mesma medida, nada mais impactante seria, se os dois resolvessem medir força eleitoral nas urnas de 2018.

Sarney mostraria que a idade física não é idade política, e Flávio Dino poderia entrar para a história por derrotar, pessoalmente, o “oligarca”, ou então ser derrotado por ele. A história só mudaria no lide (lead). Assim como Sarney se mostra entusiasmado em disputar mais um mandato de oito anos no Senado, pelo Amapá, com seus 487 mil eleitores, bem que poderia tentar quatro anos no Maranhão, enfrentando Flávio Dino, num contingente mais robusto, de 4, 611 milhões de votantes. Seria a eleição do século, em mais de meio século só de mandonismo dos Sarney.

Num confronto dessa magnitude, o Brasil e até o mundo ficariam interessados em acompanhar o desenrolar da campanha do “ex-quase tudo” na política nacional e estadual, José Sarney, contra o governador, que já marcou ponto da história ao ser eleito o primeiro governador pelo PCdoB, em 95 anos de fundação. Roseana bem que poderia dá essa chance ao velho pai. Daria um filme tão estimulante quanto foi “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, com imagens de sua posse em 1965. Desta vez, em 4K, a tecnologia de resolução mais moderna no momento na telona.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *