Michel Temer joga todas suas fichas para não cair, como Dilma Rousseff

Nesta quarta-feira será um novo dia D na Câmara dos Deputados. Os 413 parlamentares – caso todos compareçam – vão decidir se autorizam investigar Michel Temer ou o mantém no cargo, acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. Portanto, será uma data decisiva para o Brasil e o peemedebista que o preside. Ele vem quebrando lanças em negociações, assumidas pessoalmente, no varejo e no “atacado”, para “convencer” os deputados.

O custo de tais acertos teria alcançado a astronômica soma de R$ 15 bilhões, entre emendas parlamentares e investimentos librados em programas de governo, atendendo ao mesmo objetivo: permanecer no cargo. Para isso, os acordos chegam batem à porta dos estados afogados na crise. E que a população do Maranhão quer saber é: quais deputados estão com Temer, preservando-o no cargo, ou votando pela sua derrubada, assim como a posição do governador Flávio Dino e do grupo Sarney.

Tudo esse novo imbróglio está ocorrendo distante apenas onze meses do afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff pelo Senado Federal (31/08/2016), no processo de impeachment, chamado de golpe parlamentar, comandado pelo próprio Michel Temer, como vice-presidente. Ele contou com decisivos apoios do senador Aécio Neves, presidente do PSDB, e de Eduardo Cunha (PMDB), que presidia a Câmara. Também a derrubada de Dilma teve o apoio das mídias, como a Globo e Veja, na vanguarda do movimento. Sem contar com os empresários da FIESP e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). E, de longe, os Estados Unidos.

Assim como aconteceu com Dilma Rousseff, em 17 de abril do ano passado, Michel Temer está diante da mesma situação ameaçadora. Naquela votação, o impeachment recebeu 367 votos favoráveis e 137 contrários. Porém, como conhecedor profundo das manhas e artimanhas da Câmara, que já a presidiu, Temer resolveu arregaçar as mangas. Teve dia em que a agenda oficial “denunciava” a visita de 22 parlamentares num período de apenas 13 horas, para discutir a ação da PGR.

Posição de Flávio Dino

O governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, legenda historicamente alinhada ao PT desde o primeiro momento de poder, tem posição marcadamente contra o golpe de 2016. Na ocasião da admissão do impeachment por Eduardo Cunha, Flávio Dino jogou forte junto aos deputados maranhenses. Levou até o deputado Waldir Maranhão (PP) a anular a votação na Câmara, uma decisão polêmica, revogada logo em seguida, quando o processo já estava no Senado.

Agora, Dino mudou de estratégia. Sua postura é a favor do afastamento de Temer, mas também de eleições diretas subsequentes. Age com descrição e cautela. Ele ainda não demonstrou, pelo menos publicamente, como se articula na Câmara sobre a votação do pedido de cassação do presidente Michel Temer, proposto Rodrigo Janot, que, diante da provável derrota nesta votação, já prepara outra ação, com mais cuidado, no mesmo sentido.

A bancada do Maranhão votou assim, no impeachment de Dilma: Alberto Filho (PMDB) – Sim; Aluísio Mendes (PTN) – Não; André Fufuca (PP) – Sim; Cleber Verde (PRB) – Sim; Eliziane Gama (PPS) – Sim; Hildo Rocha (PMDB) – Sim; José Reinaldo (PSB) – Sim; João Castelo (PSDB) – Sim; João Marcelo Sousa (PMDB) – Não; Juscelino Filho (DEM) – Sim; Júnior Marreca (PEN) – Não; Pedro Fernandes (PTB) – Não; Rubens Júnior (PCdoB) – Não; Sarney Filho (PV) – Sim; Victor Mendes (PSD) – Sim; Waldir Maranhão (PP) – Não; Weverton Rocha (PDT) – Não; Zé Carlos (PT) – Não. Hoje, João Castelo já morto e sua substituta, Luana Costa (PSB) deve votar com Temer.

Como vota a bancada do MA

O Grupo Sarney, que já foi Lula e Dilma dentro de suas conveniências de sobrevivência política, foi a favor de Michel Temer no impeachment e agora permanece inarredável. José Sarney, os filhos Roseana e Zequinha Sarney, ministro do Meio Ambiente, estão empenhados em salvar Temer, além dos senadores João Alberto, Edison Lobão. O grupo conta ainda com a simpatia do “socialista” Roberto Rocha que, mesmo sem votar, joga politicamente no flanco onde estiver jogando Flávio Dino. Rocha excomungando a ideologia “comunista”, mesmo estando filiado ao PSB.

No esquema sarneísta, Temer terá oito votos inarredáveis: Sarney Filho (que será exonerado só para votar e depois reintegrado ao ministério), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Cléber Verde (PRP), Aluísio Mendes (PTN), Pedro Fernandes (PTB), André Fufuca (DEM), Jr. Marreca (PEN). Já o deputado José Reinaldo Tavares, que já se considera fora do PSB, mas ainda sem filiação no DEM, também vota em Temer, junto com Juscelino Rezende (DEM). Contra, estarão os alinhados de Flávio Dino: Rubens Jr. (PCdoB), Zé Carlos (PT), Waldir Maranhão (PP), Eliziane Gama (PPS), Deoclídes Macedo (PDT) e Weverton Rocha (PDT).

O processo agora, contra Michel Temer segue assim: Primeiro, a câmara dos Deputados, com 413 membros, precisa dar autorização para investigar o presidente. No plenário será preciso 342 votos a favor para que a matéria chegue ao Supremo Tribunal Federal. É o mesmo número que Temer precisa para matar o processo. Caso seja aprovada a admissão, a responsabilidade vai para o Supremo Tribunal Federal. Uma vez autorizado a investigar o presidente, o STF irá votar em plenário se torna ou não Michel Temer réu. Caso positivo, ele será afastado por 180 dias, assumindo Rodrigo Maia como presidente da República.

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