Temer escapou desta e veja como a bancada maranhense ajudou

Por Raimundo Borges

O presidente Michel Temer escapou de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal, depois de uma batalha pessoal que custou caro ao erário. Ao preço de farta distribuição de recursos em emendas parlamentares e outros tipos de “estímulos”, a votação resultou no placar de 263 votos a 227. Ele fez o inacreditável, num país em crise, “forrando” a base parlamentar com bilhões de reais do orçamento, para estancar na Câmara dos Deputados, a denúncia de corrupção passiva, proposta pela Procuradoria-Geral da República.

Temer usou seus ministros e as bancadas da bala, ruralista e da Bíblia, que se organizam no Centrão, que em 2015 elegeu o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, com votos comprados pela JBS e Odebrecht. Vale recordar que, em 17 de abril do ano passado, quando Eduardo Cunha, hoje condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, aceitou o pedido de impeachment, de Dilma Rousseff, o escritor português Miguel Sousa Tavares definiu a sessão como “a assembleia de bandidos presidida por um bandido”.

Aqui não pretendo chegar a tanto. Mas o que se passou no dia 2 de agosto vai ficar na história do Brasil. Não como uma vitória política da democracia, mas como o desdobramento do golpe dos corruptos que tomaram conta do poder e agora fazem fanfarra cínica com seus discursos que nem a eles convencem, para justificar os votos. A Câmara arquivou a acusação contra Michel Temer, o custo da operação que custou R$ 17 bilhões, segundo dados da ong Contas Abertas, na compra de deputados até no próprio plenário.

Como votaram os maranhenses?

Pela bancada do Maranhão, o placar final foi de 11 votos a favor do presidente e sete contra. Pouca diferença em relação à votação da admissão do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Cada parlamentar teve o direito a até 15 segundos para o uso da palavra no momento de pronunciar seu voto. Até as cenas dantescas do “voto declaratório” de 2016, foram repetidas sem cerimônia no microfone da Câmara. Porém, desta vez com um pouco mais de comedimento. Mas os fizeram, obedeceram o script definido pelo Palácio do Planalto na hora do negociação com a dinheirama das emendas.

Por ordem alfabética, assim votaram os parlamentares do Maranhão, com comentários do site sobre cada voto:


Aluísio Mendes:
“Dá mesma forma que votei contra o afastamento da presidente Dilma, por acreditar que somente eleições diretas e livres representam a vontade da população, eu voto sim pelo relatório”.

Comentário: Ficou meio confuso, com esse “sim pelo relatório”. Mas foi pelo prosseguimento das investigações.


André Fufuca
“Pela estabilidade política e econômica do meu país, não para inocentar, mas para que o presidente seja investigado e julgado após o término de seu mandato, e em respeito a orientação partidária do Partido Progressista, eu voto sim”

Comentário: Nhenhenhém não pega mais, excelência! Pensa que o povo é besta, com essa de “investigação após o término do mandato?”


Cléber Verde
“A denúncia que ora analisamos, primeiro não apresenta provas concretas baseado no que foi encaminhado pelo Ministério Público. Segundo, o colegiado técnico desta Casa, que é a CCJ já afastou essa denúncia, portanto, lá em sou membro dessa comissão, votei contra essa denúncia e, portanto, o relatório que foi vitorioso na comissão, voto sim”.

Comentário: Oh, deputado! Deveria ser coerente e dizer: “Pelos cargos que tenho no governo, pelo dinheiro liberado das emendas” e não tenta fazer jogo de palavra, com essa de não ter provas.


Deoclides Macedo
“A favor do Brasil, pela autorização do prosseguimento da denúncia perante o Supremo Tribunal Federal, [voto] não ao relatório”.

Comentário: Fez o que o PDT de Lupi e de Weverton mandou.


Eliziane Gama
“Em nome do nosso povo simples, honesto e trabalhador, contra a corrupção no nosso país, e, sobretudo, porque ninguém está acima da lei, eu voto não ao Temer”.
Comentário: Voto-justificativo sobre a aprovação do impeachment de Dilma. Arrependimento explícito.


Hildo Rocha
“Eu voto a favor do relatório da Comissão de Constituição e Justiça, que diz claramente que a denúncia do Rodrigo Janot é inepta e é carregada de vontade política, de querer desestabilizar o nosso país. E pela estabilidade de nosso país, eu voto sim pelo relatório”.

Comentário: Desestabilizar o país é manter Temer mancando no governo, pagando caro por votos do PMDB e do Centrão.


João Marcelo
“Eu voto com o relator. Meu voto é sim”.

Comentário: dizer o quê? Com o eleitorado de olhos arregalados?


José Reinaldo Tavares
“Eu voto sim”

Comentário: Mesmo dizendo-se infeliz no PSB, o deputado manteve-se fiel à legenda e às suas convicções políticas, a favor das reformas de Temer.


Júnior Marreca
“Nós temos que parar de brincar de se trocar presidente como se troca se roupa. Eu voto sim ao relatório!”

Comentário: Ele esqueceu-se da fila quilométrica em Itapecuru-Mirim, de pobres voltando ao Bolsa Família, por causa da política do governo. Quem “brincou” de trocar presidente foi ele mesmo, ao apoiar o golpe de Dilma, a eleita.


Juscelino Filho
“Pela retomada econômica do nosso país, pela estabilidade, eu voto sim”.

Comentário: Vai ter que esperar muito. E os cargos no governo? E as emendas, esqueceu de citar?


Luana Costa
“Votei contra a Reforma Trabalhista e a favor do trabalhador do Brasil. Voto contra a Reforma da Previdência e a favor do aposentado do nosso país. Por isso, eu acredito que a Justiça deve ser igual para homens e mulheres do nosso país, independente de sua posição social. Por isso, eu voto não ao relatório”.

Comentário: Ela foi uma das que “arrombaram” o fechamento de questão do PSB a favor de Temer. Falou e disse.


Pedro Fernandes
“Só o Poder Legislativo tem o poder político. Eu acho que com esse poder político nós podemos dar uma trégua da crise política desse país. O Brasil não aguenta ter presidente de plantão. Eu voto sim ao relatório.

Comentário: Até parece que ele acredita no que disse com esse “só o Poder Legislativo tem poder político”. Fala sério, deputado! E a duplicação da BR-135, quando sai? O DNIT ficou só com carrinho-de-mão nas obras?


Rubens Pereira Júnior
“Há mala cheia de dinheiro, há vantagem indevida com ilícito na Petrobras, há conluio com Rocha Loures, há o crime de corrupção passiva. Afinal de contas, se uma mala cheia de dinheiro não se for motivo suficiente para se processar alguém, o que mais seria? O processo não atrapalha o Brasil. O que atrapalha o Brasil é a corrupção e a impunidade. É por isso que eu voto pelo prosseguimento do denúncia, voto não, fora Temer!”

Comentário: “O que atrapalha o Brasil é a corrupção e a impunidade”. Disse tudo. Ele fez sucesso, com destacado até nos telejornais da Globo, agora metendo a ripa em Temer, que ela carregou até o Planalto. Flávio Dino bateu palmas.


Sarney Filho
“Sim, [voto] com o parecer da Comissão de Constituição e Justiça”.

Comentário: Ministro, o Michel Temer, que assistia a tudo, não gostou desse voto lacônico, sem comentário algum. José Sarney, o pai, com sua magnânima sabedoria paterna, deve ter recomendado: “Fala só o necessário, Zequinha!”


Victor Mendes
“O presidente Temer será investigado mais na frente. Essa denúncia se baseou no artigo 317 do Código de Processo Penal, só que a corrupção não foi praticada por ele. O Ministério Público não conseguiu mostrar quem pegou o dinheiro. Então, essa denúncia se baseou em ilação, em suposição. Afastar o presidente, desestabilizar o país em base de suposição é frágil. Por isso, eu voto sim ao relatório”.

Comentário: Oh, deputado! Melhor ter ficado calado. Como Sarney Filho. O comentário não convence nem o próprio votante.


Waldir Maranhão
“Povo brasileiro, povo do meu querido estado do Maranhão, o meu voto é pela coerência. Votei contra o impeachment. Votei contra o golpe. Portanto, não [ao relatório]”.

Comentário: Desta vez, a incoerência foi não ter produzido nenhuma trapalhada. Valdizão, Waldizão!…


Weverton Rocha
“Estamos num Estado de Direito. Todos têm que se submeter a lei, inclusive o presidente da República. Contra a Reforma Trabalhista, contra a Reforma da Previdência, contra qualquer retirada de direito do nosso trabalhador. Acredito que o Brasil pode, sim, superar essa crise, fazendo a boa política. E a política, é a gente fazendo a nossa parte. Todo o Parlamento tem que votar, e nós do PDT votamos não ao relatório, fora Temer, Diretas Já!”

Comentário: Só se for estado de direito torto. Foi ele, como líder da bancada pedetista, que orientou o voto contra.


Zé Carlos
“Pela garantia de que ninguém está acima da lei, que toda denúncia tem que ser apurada, pela hipocrisia que reina nesta casa, por Temer na cadeia eu voto contra esse parecer e pelo prosseguimento”.

Comentário: Vai ter que esperar muito para ver Temer na cadeia. Do jeito que as coisas estão andando, na imparcialidade da Justiça, Lula pode chegar primeiro.

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