Cana-de-açúcar faz economia sair da crise

Beneficiadas pela expansão do setor sucroalcooleiro nos últimos anos, as regiões Norte e Noroeste de São Paulo, representadas por Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente e São José do Rio Preto, tiveram crescimento positivo do PIB (Produto Interno Bruto) de 1% em 2016 e, com isso, “já saíram da crise”, segundo declarou o gerente de indicadores econômicos da Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), Vagner Bessa, ao jornal Valor Econômico. O órgão, ligado ao governo estadual, acaba de divulgar análise sobre a evolução do PIB no Estado de São Paulo com projeção sobre as mudanças no perfil econômico das regiões. A tendência é que a cultura da cana-de-açúcar mantenha a expansão no Interior do Estado, acentuando a mudança que vem sendo registrada há uma década e meia. A cana-de-açúcar chegou para ficar, disse Bessa na entrevista, que sinaliza ainda a continuidade da desconcentração da atividade industrial para fora da Região Metropolitana da Capital, a curto e médio prazos.

Incentivo a biocombustíveis

No novo cenário, as culturas de soja e algodão, além de pastos para a criação pecuária, foram substituídas por plantações de cana-de-açúcar, que se transformou no principal produto da pauta exportadora do Estado. Na visão de Bessa, a agropecuária vem mudando “drasticamente” seu perfil no Estado de São Paulo, com redução da diversificação de culturas. Segundo ele, isso é explicado por política deliberada do governo federal de incentivar a produção de biocombustíveis derivados da cana.

Açúcar pega carona

Nos últimos anos, com a alta dos preços no mercado internacional, o açúcar refinado também apresentou crescimento, o que levou à substituição de segmentos industriais mais tradicionais, como os de couro e calçadista. Em muitos municípios, o complexo sucroalcooleiro chega a ser a atividade hegemônica, aponta o estudo. O lado positivo dessa tendência é que, pelo menos no ano passado, a economia se recuperou em parte do Estado, nas regiões de Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente e São José do Rio Preto.

Cidades médias

Em relação ao PIB industrial, houve crescimento desse indicador na faixa de cidades entre 100 mil e 500 mil habitantes – um salto de 32,4% para 37,5% no período estudado, de 2002 a 2014, com destaque para as situados nas regiões de Sorocaba, Jundiaí e São José dos Campos. Uma série de fatores ajudou, e deve continuar ajudando, essas regiões a atraírem investimentos industriais. Entre eles destacam-se os gargalos de infraestrutura da Capital, que tem menos espaços disponíveis para a instalação de indústrias, a infraestrutura, como rodovias, os incentivos oferecidos por algumas prefeituras e a proximidade com a Região Metropolitana de São Paulo.

Fuga da metrópole

De acordo com o relatório da Fundação Seade acessado por esta coluna Contexto Paulista, há nítida preferência pelas empresas por se instalarem fora das áreas metropolitanas. Cresceram, por exemplo, as participações das regiões de Jundiaí e de Piracicaba (de 2,6% para 4,2% e de 4,1% para 5,4%, respectivamente) e dos outros municípios do Estado (de 15,3% para 18,3%) no valor adicionado industrial. Além disso, as regiões metropolitanas de Sorocaba e Ribeirão Preto mantiveram ou fizeram crescer a sua importância no valor adicionado da indústria, ao contrário da Região Metropolitana de São Paulo. A desconcentração ocorre também no setor de serviços, a favor especialmente das regiões de Sorocaba e de Campinas.

Avanços e recuos

Em relação ao PIB, Osasco teve forte avanço, se beneficiando por ser município com alto grau de concentração das atividades de intermediação financeira. Jundiaí aumentou sua representatividade no ranking estadual. De outro lado, Diadema e Mauá saíram da lista das 20 maiores participações no PIB estadual, cedendo posição para Mogi das Cruzes e Bauru. A região formada por Diadema, Mauá, Santo André, São Bernardo, São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra reduziu sua participação de 13,4% para 11,8% no PIB, no período de 2002 a 2014. Ainda não foram computados os dados de 2015 e 2016, nessa pesquisa.

Os critérios

Para chegar às conclusões, a Fundação Seade empregou metodologia desenvolvida pelo IBGE e órgãos estaduais de estatística, baseada no rateio, entre os municípios, do valor adicionado das principais atividades econômicas contidas no PIB do Estado, por meio de indicadores de cada uma delas, calculados com base em resultados de pesquisas econômicas e registros administrativos.

Desaparecidos

Segundo pesquisa divulgada em 2016 pelo Plid (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos), a cada ano 250 mil pessoas desaparecem no Brasil sem deixar rastro. “Apesar da gravidade do problema, o tema tem recebido pouca atenção do poder público”, diz o deputado estadual Gil Lancaster (DEM). A Assembleia Legislativa avalia duas propostas relativas à publicidade de imagens de pessoas desaparecidas, com o objetivo de ajudar a busca de familiares e parentes.

Fonte: Diário do Grande ABC

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