Fufuca tem uma prova de fogo como presidente da Câmara

Por Raimundo Borges

Empossado ontem como presidente da Câmara dos Deputados, André Fufuca, um dos mais jovens parlamentares do Congresso, com 29 anos e primeiro mandato federal, tem pela frente uma missão quase impossível. Colocar em votação e aprovar a reforma política, que, pela pressa, terá que atropelar as demais reformas do governo – Previdenciária e tributária – para ganhar tempo. Afinal, se não aprovar até 7 de outubro, nada valerá em 2018.

Fufuca tem uma semana e apenas cinco sessões para provar que é bom de articulação, como interino na presidência da Câmara. Ontem, mais uma vez, a votação da reforma política pela Comissão Especial foi cancelada, após os deputados não chegarem a um consenso sobre o texto do relator Vicente Cândido (PT-SP) e as mudanças que interessam às bancadas.

Enquanto os partidos grandes e pequenos não chegarem ao consenso sobre o que terão a ganhar e a perder com a reforma, nada feito. Fufuca tem uma interinidade curta, diante de um plenário em burburinho. Todos querem a reforma, desde que ela traga dinheiro para a campanha, direito de todos se reelegerem e manter os partidos no sistema que melhor sirva às negociações cabeludas.

A ideia inicial do presidente em exercício da Câmara, André Fufuca (PP-MA), enquanto Rodrigo Maia (DEM-RJ) conduz as atividades do Planalto com a viagem internacional de Michel Temer, era colocar em pauta na manhã desta quarta-feira (30) a PEC 282, uma das partes da reforma política em debate.

O segundo texto, de relatoria da deputada Shéridan (PSDB-RR), busca incluir nas mudanças eleitorais dos parlamentares a extinção das coligações partidárias, a partir de 2018, e a criação de uma cláusula de desempenho para os partidos.

O texto em análise pelo Plenário serviria como uma forma de pressão para os deputados decidirem sobre o principal deles, de autoria de Vicente Cândido, que cria um fundo público para financiar as campanhas e o chamado “distritão”.

A falta de consenso fez com que o caso novamente atrasasse ainda na Comissão Especial. Os parlamentares encerraram a reunião que nem chegou a ter início nesta quarta-feira na Câmara, e tampouco definiram nova data para o encontro do colegiado.

O presidente em exercício da Casa pelo menos aparenta esperanças. Defendeu que um acordo deve ser definido até o fim desta semana. Mas o próprio líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), admitiu que não há votos suficientes (são necessários pelo menos 308) para nenhum dos pontos da reforma política.

“Consenso não teremos, mas o ideal é que possamos construir uma posição majoritária para que possamos votar, já que temos matérias que são PECs”, afirmou Ribeiro. Para o líder do PDT, “infelizmente o caminho que estamos seguindo é para não decidir nada”.

“Não existe nenhuma proposta que seja consenso, portanto só tem um jeito: fazer um acordo para uma reforma política em 2040 ou 2050, porque as pessoas não estarão mais aqui”, chegou à conclusão o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE).

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