Retorno de Roberto Rocha ao PSDB abre crise no estadual

Por Raimundo Borges

A semana está começando e o Brasil a ponto de explodir no espiral das delações de executivos da J&F, a prisão do irmão Batista, Wesley, presidente da Holding, e a última “flechada” do procurador-geral da República Rodrigo Janot, ao denunciar o presidente Michel Temer por obstrução da justiça e organização criminosa transnacional. No Maranhão, o abolo foi em outro cenário. Quem levantou a poeira política na semana finda foi senador Roberto Rocha, ao ser convidado pelos tucanos de bico longo a retornar ao ninho.

É a tentativa da segunda volta “por cima” partidária de Roberto Rocha, igualmente tomada por uma crise.  Em 2012 ele abandonou o PSDB maranhense, como presidente do diretório de São Luís, para “sentar praça” no PSB, a convite do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato presidencial em 2014.  Naquele ano, Campos chegou a participar da campanha do candidato Edivaldo Júnior, que tinha Roberto Rocha, do PSB, como vice-prefeito, saindo vitorioso no segundo turno contra o então prefeito tucano João Castelo.

A morte de Eduardo em meio a campanha presidencial de 2014 em acidente aéreo deixou Roberto Rocha deserdado dentro da legenda maranhense. Mesmo sendo eleito senador por reduzida margem de votos contra Gastão Vieira, do PMDB, Rocha nunca reconheceu o peso de Flávio Dino na reta final da campanha, quando percebeu que Gastão levaria a única vaga de senador e ele, com a eleição assegurada, teria um adversário forte no Senado, do grupo Sarney.

Resultado desse imbróglio foi o senador Roberto Rocha achar que, sem ele disputando o Senado, Dino não teria sido eleito. E não durou muito para Rocha, já fora da vice de Edivaldo, tomar posição contra Dino. Em 2015 chegou a dizer que Edivaldo não poderia “ancorar” o governador do PCdoB. Antes, porém, desse novo ambiente, coincidiu com a proeza de Flávio Dino acomodar no governo a parte do PSB que sempre olhou atravessado para Roberto Rocha. 

Estresse pré-eleitoral

Depois do sucesso eleitoral da engrenagem política do PCdoB com o PSDB em 2014, o vice-governador Carlos Brandão sempre obteve lugar destacado e respeitoso no governo “comunista”. Os dois nunca andaram “de banda” dentro do governo.  Brandão até hoje tem o seu espaço demarcado na administração e cumpre a sua função institucional sem sobressalto.

Agora, em relação a chegar da Roberto Rocha, Brandão acha normal qualquer partido querer aumentar sua bancada no Congresso, pois os benefícios são inúmeros. Mas não admite que o diretório regional seja ignorado. Se a filiação do senador Roberto Rocha for para o PSDB ter candidato a governador no Maranhão, nada demais, afirma. “Em 2014 o partido fechou aliança com o PCdoB de Flávio Dino, mas os partidos da coligação fizeram campanhas de seus candidatos presidenciais e não houve crise. Aécio Neves veio duas vezes ao Maranhão, Eduardo campos (PSB), quatro; e Marina Silva (Rede), duas. Foi tudo tranquilo. Flávio Dino não fez qualquer objeção”, explicou Brandão.

Com a relação entre Dino e Rocha arruinada no Maranhão em razão da candidatura dos dois em 2018 ao governo, o senador partiu para demarcar terreno de opositor, ora dividindo, ora somando na trincheira com o Grupo Sarney. Roseana Sarney recebe pressão familiar e do grupo para disputar contra Flávio Dino, mas não arrisca anunciar candidatura enquanto não tiver um cenário desanuviado da crise. Não parece ser o momento, diante de seu PMDB atolado até o gogó no lamaçal da corrupção, com o presidente Romero Jucá nas cordas e Michel Temer se havendo com a segunda denúncia apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, a três dias de deixar o cargo, cujo mandato terminou neste domingo.

Entrada por cima

Roberto Rocha sai do PSB com imensas resistências na base e na direção, que chegou a defender sua expulsão.  E retornar ao PSDB provocando indignação regional. Quinta-feira passada, o presidente Carlos Brandão se reuniu com outros membros da direção para analisar a situação diante da definição da volta de Roberto Rocha. “Todos estão perplexos diante dessa posição. O PSDB não tem nada pessoal contra o senador, que pode se filiar como qualquer pessoa, mas desde que tenha o aval da direção estadual”, disse Brandão.

Ele diz que em 2018 o partido no Maranhão está pronto para continuar apoiando a reeleição de Flávio Dino, por isso a filiação de Rocha, vinda da cúpula para baixo, criou indignação. “É como se ninguém existisse aqui. Não aceitamos que Roberto Rocha queira tomar conta do PSDB estadual. Se o PSDB disputar a Presidência da República, com João Dória ou Geraldo Alckmin, estaremos juntos na campanha”, reagiu.   

Brandão vai conversar com o presidente em exercício senador Tasso Jereissati para saber como se dará a filiação de Roberto Rocha. Como a noticia da filiação veio por um ofício de Jereissati, sem detalhes, Brandão não quer precipitar nada. Mostra, porém, que o PSDB tinha oito prefeitos antes de 2016 e hoje tem 30, estava instalado em 80 municípios e agora em 200. Por isso, quer que, depois de ser citado por Aécio Neves, ainda presidente, como “medalhista de ouro” em razão do trabalho em favor do Partido, “não vamos aceitar que alguém chegue para tomar conta de tudo”.

Um deputado tucano provoca Roberto Rocha, olhando os dados da eleição de 2002, quando disputou o governo e ficou em último lugar, com 2% dos votos, quando José Reinaldo Tavares ganhou de Jackson Lago. No entanto, em 2006, quando Jackson Lago (PDT) foi eleito no segundo turno, Roberto Rocha foi o deputado federal mais bem votado, com 139 mil votos, enquanto Sarney Filho ficou em segunda posição com 136 mil votos, Carlos Brandão em terceiro, com 134 mil e Flávio Dino, estreante em eleição legislativa, depois de deixar a toga de juiz federal, levou a quarta posição, com 123 mil votos.  

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