Drogada e estuprada por colega, agente revela crimes em missões humanitárias

A canadense Megan Nobert, 30, trabalhava em uma missão humanitária no Sudão do Sul quando foi dopada e estuprada por um colega de trabalho. Sem qualquer suporte da entidade que representava, buscou ajuda por conta própria –física e psicológica– e decidiu compartilhar sua experiência traumática em uma tentativa de conscientizar a comunidade internacional para a violência entre funcionários humanitários. Como ativista, acabou encontrando inúmeros casos semelhantes de um crime até então silenciado.

O ataque: violentada dentro de uma base da ONU

Advogada de direitos humanos, Megan trabalhava para uma ONG com sede em Bruxelas, na Bélgica, em um dos espaços de Proteção dos Civis (PoC, na sigla em inglês), sob o comando da ONU –uma espécie de campo de refugiados.

Megan foi dopada com uma mistura de cocaína, codeína, morfina e oxicodona numa noite de fevereiro de 2015 em que saiu para jantar com colegas de trabalho com quem atuava na missão humanitária no Sudão do Sul, região que tornou-se independente em 2011 e registra violentos conflitos até hoje. Sua última memória antes de despertar era a de um pequeno bar em que as pessoas que trabalhavam na missão da ONU frequentavam, onde ela tomou uma taça de vinho e dançou.

Ela acordou horas depois passando muito mal, nua, sozinha e sem qualquer memória do ataque. Megan tinha sido estuprada dentro de uma base da ONU em Bentiu. Perguntou para colegas de trabalho sobre o que tinha ocorrido naquela noite. Disseram que ela foi vista beijando um homem que trabalhava para uma pequena empresa prestadora de serviços para a missão humanitária.

Além dos sintomas provocados pelas drogas e das sensações ruins no corpo, Megan tinha ainda um exame de sangue comprovando as substâncias com as quais ela foi dopada –que podem ser letais em grande quantidade– e uma carta do homem se desculpando e pedindo que ela não contasse a ninguém.

Megan não teve qualquer assistência para realizar os testes para doenças sexualmente transmissíveis, tomar os medicamentos pós-estupro, como o coquetel para prevenção de HIV. Arcou ainda com todos os custos com acompanhamento psicológico para superar o trauma.

“Quando fui drogada e estuprada por um colega, não tinha nenhuma ideia de como proceder. Como resultado, fui deixada em grande parte sozinha para lidar com as consequências da violação”, disse Megan em entrevista ao UOL.

Ela denunciou o agressor para seus chefes diretos e indiretos. “Nenhum tipo de investigação foi realizada –o caso não foi apurado, nunca pude o acusar formalmente, e ele nunca teve a oportunidade de se defender”, diz.

“A ONG internacional com a qual eu trabalhava na época era muito mal preparada para responder ao meu estupro. Não existia nenhum tipo de medida, política ou procedimento de prevenção para enfrentar incidentes de violência sexual contra seus funcionários”, afirmou a advogada.

Fonte: UOL Notícias

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