Pobreza no Brasil disparou de 8,9% para 45,5%, diz Banco Mundial. E o Maranhão como fica?

Por Raimundo Borges
(*) Com informações da Folha e estudo da Fama

A parcela de pobres no Brasil, que vinha diminuindo ao longo da última década, voltou a subir em 2015, apontam os dados do Banco Mundial. Como o Maranhão não conseguiu descolar da condição de mais pobre do Brasil é possível imaginar qual a real situação hoje, já que os dados não retratam a atualidade. E sua relação com os dados atualizados do Banco Mundial.

Diante de uma crise tão prolongada e da divisão política que vem desmantelando o país e capengando suas instituições, o lado mais fraco da realidade socioeconômica acaba levando o maior impacto. Assim como o Brasil está rachado entre elites e seus defensores, e a pobreza e suas seculares mazelas, imaginar num Maranhão socialmente mais igual e desenvolvido é sonho de longo prazo.

O Maranhão já vive a efervescência da política com vista às eleições de 2018. Mas o que está no centro do jogo eleitoral é a disputa do governo do Estado, entre o atual ocupante do Palácio dos Leões, Flávio Dino e o grupo que ele derrotou em 2018. A disputa mexe com a política, a economia e até com o imaginário popular, daqueles que têm como expressão maior no processo, o titulo de eleitor.

A pobreza do Maranhão virou espécie de bola de ping-pong política. Os derrotados de 2014 propagam que deixaram o Maranhão num completo estado de desenvolvimento social. Pobreza absoluta passa à distância de seus discursos. Já Flávio Dino chegou ao governo prometendo mudança e resolveu investir pesado em programas sociais ligados à Educação (Escola Digna), combate à pobreza (Bolsa Escola) e ações efetivas nos 30 municípios de maior concentração de pobreza, no programa (Mais IDH).

Estudo acadêmico “Pobreza”, da Faculdade Atenas Maranhenses (Fama), assinado por Ana Paula Arruda da Rocha, Jeane Reis Mendes, Leoberg Pinheiro Barros, Paula Cristina Martins Costa e Roane Calaça Santa Cruz destaca as belezas naturais do Maranhão. Além, do segundo maior litoral do Brasil, com os Lençóis Maranhenses, o Delta do Parnaíba (75% pertence a este Estado, e os 25% ao estado do Piauí), a Baía de São Marcos (ilha de São Luís), Reentrâncias Maranhenses (maior concentração de mangues do Brasil), o Parque Estadual do Parcel de Manoel Luís (maior banco de corais da América Latina) e a expressiva Reserva Biológica do Gurupi.

Nada disso, porém, consegue ser transformado em bens para melhorar as condições de vida da população.  No seu interior é possível conhecer o Parque Nacional da Chapada das Mesas, a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense e o Parque Estadual do Mirador. Nas questões culturais, o Maranhão é conhecido pelas manifestações do bumba-meu-boi, cacuriá, dança portuguesa, tambor-de-crioula, tambor-de-mina (patrimônio imaterial) e uma culinária de influência indígena e africana.

Desse modo, quem visita o Maranhão pode verificar um estado rico em belezas naturais, o que faz dele um ótimo lugar para a prática do turismo no Brasil. É uma grande extensão de encantos naturais, cheios de marcos históricos, folclore e muito artesanato e culinária diferenciada. Com todas essas características reunidas com a meiguice de seu povo, fazem do Maranhão um estado de grandes oportunidades.

Segundo a nova métrica para determinar a quantidade de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, adotada este mês pelo Banco Mundial, o número de brasileiros considerados pobres aumentou de 8,9 milhões para 45,5 milhões – 22% da população. A instituição decidiu complementar a linha de pobreza tradicional – que traça o corte em consumo diário inferior a US$ 1,90 – com outras duas delimitações mais ajustadas às realidades de cada país. As informações são da Folha de S.Paulo.

Uma nova linha passa a ser demarcada em US$ 3,20, representando a mediana das linhas para países de renda média baixa. A outra linha é de US$ 5,50 por dia, que corresponde à mediana das linhas de pobreza dos países de renda média alta, entre os quais se inclui o Brasil. “Ser pobre no Maláui ou em Madagáscar é diferente de ser pobre no Chile, no Brasil ou na Polônia”, diz Francisco Ferreira, economista do Banco Mundial.

No caso de países como o Brasil, o volume de pessoas que vivem abaixo da linha de US$ 1,90 é pequeno, ou seja, esse corte não captura a real pobreza do país. “Muito pouca gente vive com US$ 1,90 por dia no Brasil, graças a Deus. Mas quem vive com US$ 2,00 ainda é pobre para os padrões brasileiros e para os padrões dos países de renda média alta”, diz.

A parcela de pobres no Brasil, que vinha diminuindo ao longo da última década, voltou a subir em 2015, apontam os dados do Banco Mundial. Sob a linha de US$ 1,90 por dia, a fatia da pobreza correspondia a 3,7% em 2014 e subiu para 4,3% no ano seguinte. Quando a régua sobe para US$ 5,50 diários, a parcela de brasileiros abaixo da linha vai a 20,4% em 2014, crescendo para 22,1% em 2015.

O Maranhão tem a metade de sua população dependente do Bolsa Família para conseguir comer e subsistir com alguma dignidade, comparando-se com os que nem isso dispõem.

 

Crescimento capenga no mundo

 

A economia mundial crescerá 3,5% em 2017, quatro décimos acima do ritmo de crescimento com que terminou 2016, é o que diz a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Isso representa uma ligeira melhora (+0,1) sobre a projeção realizada pelo organismo há quatro meses e uma mudança na tendência dos anos anteriores, em que todas as previsões eram de baixa. A Líbia será a economia que mais crescerá, 53,7%, muito à frente do segundo colocado na lista do FMI: a Etiópia, com 7,5%. Espanha, que crescerá 2,6%, fica na 115ª posição entre 191 nações.

Por regiões, os prognósticos do FMI revelam um crescimento econômico desigual: a Europa avançará a uma taxa interanual de 2% nos dois próximos anos, similar ao ritmo da América do Norte (2,2% em 2017 e 2,4% em 2018). Já as economias emergentes crescerão 4,5% e 4,8% em 2017 e 2018, respectivamente. Na Ásia, o crescimento será mais que o dobro do registrado nas principais economias (5,5% em 2017 e 5,4% em 2018), enquanto a América Latina crescerá mais devagar que a Europa em 2017 (1,1%), e na mesma velocidade em 2018 (2%) — o Brasil deve crescer apenas 0,2%.

Entre as economias desenvolvidas, as que mais vão crescer em 2017, de acordo dom o prognóstico do FMI, são a Espanha, os Estados Unidos e o Reino Unido. A expansão chegará a 2,6% na Espanha em 2017, uma melhora de três décimos em relação à última estimativa, de janeiro, mas uma freada brusca na comparação com o avanço de 3,2% registrado em 2016. A desaceleração se agravará em 2018, quando o Fundo prevê que o crescimento cairá para 2,1%, o mesmo que no último cálculo.

No caso dos EUA, a projeção de crescimento do FMI é de 2,2% para 2017 e de 2,4% em 2018. Isso representa uma tendência de alta para a economia norte-americana, que em princípio não refletirá as novas políticas de Donald Trump. No Reino Unido também surpreende a alta de 2% prevista para 2017, dois décimos acima do crescimento registrado em 2016. Os efeitos do Brexit, segundo o FMI, serão notados em 2018, quando o crescimento econômico cairá para 1,5%.

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