PSDB em autoflagelação, se extingue no MA, mesmo como candidato a governador em 2018

Por Raimundo Borges

Em tempo de movimentação nos partidos por espaços eleitorais e de articulações sobre as eleições de 2018, o PSDB do Maranhão passa por uma crise inédita e explosiva. O diretório regional, que sofreu intervenção de uma hora para outra, deixando sua diretoria, presidida pelo vice-governador Carlos Brandão, sem qualquer função, agora, acabou. Não existe diretório, nem a comissão provisória, nomeada pelo presidente nacional interino, Tasso Jareissati, que também sofreu defenestração do cargo, por ordem do senador Aécio Neves.

Na semana a comissão provisória interventora também foi extinta e o partido só existe no nome. Nem Roberto Rocha mais é presidente da intervenção, nem Carlos Brandão tem qualquer poder na legenda, que o fez vice-governador de Flávio Dino, em 2014, depois de uma negociação apoiada pelo então presidente nacional, Aécio Neves.

O senador tucano, que encontra-se afastado da presidência, da formatação da coligação com o PCdoB na eleição passada, quando Flávio Dino precisava do tempo generoso do partido no horário eleitoral de TV e rádio. Aécio participou da campanha PCdoB/PSDB, indo a Imperatriz. Já Brandão, por sua vez, foi o responsável pelo crescimento explosivo do partido tucano no Maranhão em 2016.

Crescimento explosivo em 2016

Segundo dados da Justiça Eleitoral e do próprio PSDB, nas eleições municipais passadas, os tucanos do Maranhão elegeram vereadores em 114 dos 217 municípios, o que corresponde a 52,5% de representação nas Câmaras Municipais do estado. Os municípios que elegeram o maior número de vereadores foram: Lago da Pedra (07), Miranda do Norte (04), Monção (04) e São Pedro dos Crentes (04).

Em termos de votações expressivas para o cargo de prefeito, levaram vantagem Luís Fernando, Silva em São José de Ribamar, com 72,4% do universo de 92.420 eleitores deste município, e Vianey Bringel, em Santa Inês, com 68,5% dos 47.933 eleitores nesta cidade. O Maranhão, portanto, ficou em segundo lugar no ranking do Nordeste, ao conquistar na eleição de 29 prefeitos em 2016; 21 a mais do que em 2012, representando o percentual de 263% na evolução dos candidatos a prefeitos eleitos pelo PSDB em nosso estado.

Em relação ao número de vereadores eleitos este ano, as marcas de escala também se elevam, ao evidenciarem que de 2012 para 2016 houve um progresso de 42% no número de eleitos, já que nas eleições de 2012 o montante foi o de 118 e agora passa para o de 167 vereadores tucanos eleitos em todo o Maranhão.

Partido acabou

O PSDB maranhense está formalmente extinto. Nem diretório regional, nem comissão provisória. Com a chegada do senador Roberto Rocha há dois meses, o então presidente Tasso Jereissati baixou um ato individual, de intervenção no diretório do Maranhão. Em seguida nomeou o senador Roberto Rocha presidente da Comissão Provisória, com o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, na secretaria geral. Foi Madeira quem pediu a intervenção, passando uma rasteira em Carlos Brandão, vice-governador, argumentando que o PSDB estava sendo manipulado por Flávio Dino, do PCdoB.

Desde sua criação, o ninho tucano maranhense nunca havia passado por tamanhas reviravoltas em tão pouco tempo. Depois da intervenção em outubro, na última terça-feira, em decisão igualmente surpreendente, a direção nacional do PDSB extinguiu a tal comissão provisória. Hoje o partido inexiste em solo maranhense.  Roberto Rocha e Madeira terão que se submeter a uma eleição sem data. A decisão é do presidente nacional provisório, Alberto Goldman, colocado pelo então presidente afastado Aécio Neves.

Penas voam em São Paulo

O ninho tucano virou um autêntico sambo do crioulo doido. A convenção regional seria realizada no dia 11 passado, mas como estava sob intervenção, não a realizou.  Agora, a cobra está fumando no diretório nacional entre o prefeito João Dória, o senador José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Dória teria desistido de concorrer à Presidência da República em 2018, pressionado pela cúpula do partido. “Vendido” como candidato anti-Lula, ele se perdeu na primeira curva da trajetória, marcada por traição a seu criador Alckmin e ambição política desmedida.

Com a imagem dissolvida e sua peregrinação pelo país sem deixar rastro de uma candidatura competitiva, Doria estaria se reprogramando para disputar o governo de São Paulo em 2018. Porém, mais uma vez, ele topa nos caciques do PSDB. Enquanto ele percorria o país, o senador José Serra se preparava para suceder Geraldo Alckmin, com o apoio do presidente interino do PSDB, Alberto Goldman. Quanto a disputa da presidência, o nome posto hoje é Geraldo Alckmin, enquanto Dória terá que seguir tentando repaginar sua imagem, como fez com a grafitagem dos muros de São Paulo, que logo a chuva se encarregou de dissolver.

Roberto Rocha joga pesado

Agora, após a reconstrução organizacional, o partido terá como candidato a governador o senador Roberto Rocha, que vem tentando abrir espaço entre as candidaturas de Roseana Sarney (PMDB) e do governador Flávio Dino (PCdoB), sem que tenha noção de como se dará essa candidatura em termos de alianças, nem formação das chapas majoritárias e proporcionais. Em São José de Ribamar, o prefeito do terceiro município mais importante do estado, Luís Fernando Silva, não diz uma só palavra sobre a encrenca tucana.

Roberto Rocha chegou ao PSDB, depois de abandonar o PSB, arrombando a porta da frente. Ele percorre o interior do Maranhão jogando pesado contra o ex-aliado Flávio Dino, com quem esteve junto em 2014, e usando as redes sociais para fazer a parte mais contundente dos ataques. O que chama a atenção é que, seus antigos adversários, centralizados no grupo Sarney, ele até agora tem ignorado que terá como adversária de forte apelo eleitoral, também, Roseana Sarney.

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