Um amigo e uma saudade

Por Raimundo Borges

Francisco Campos foi um profissional exemplar. Criterioso no que fazia e responsável na execução daquilo que a profissão indicava. Por três vezes, alternadamente, trabalhou em O Imparcial e sempre estava pronto para ser chamado em outras oportunidades. Foi um amigo de profissão e da família. Sabia de cor todos os aniversários dos meus filhos, do meu e de Elda.

Quando se aproximavam as datas, ele sempre ligava perguntando: “E aí, vai ter festa?” Às vezes ele lembrava até primeiro do que eu. Ele fotografou os meninos desde pequeno até o casamento. Campos fotografava com prazer e zelo profissional. De tanto gostar de fotografia jornalística e social, passou, também, a revender máquinas fotográficas profissionais.

Quando morou no Araçagi, perto da Praia, frequentei muito a casa dele e de Luiza Lina, outra jornalista das grandes, com a qual trabalhei por vários anos na redação.  Ao se mudar para o novo endereço, ele encontrou sem nome, a rua que liga a Avenida dos Holandeses à Praia do Meio. Arrumou uma placa e pôs a identificação na entrada: Rua Campos Júnior, o filho, cuja denominação perdura até hoje.

Na semana passada, na confraternização natalina da Cemar, Campos me abordou já na saída da festa: “Borges quero fazer uma foto contigo”.

Parecia muito feliz, embora tenha eu estranhado o pedido da foto, pois ele sempre me fotografava onde quer que estivesse. Naquele dia foi diferente. Me posicionei com Elda e Campos entre nós dois. Foi a foto da despedida. Uma despedida que dói para todos nós jornalistas que com ele conviveram, por amizade ou nas redações e assessorias em que trabalhou.

A forma como ele nos deixou foi dramática. Dolorida e sem opção de alguém lhe dar a mão. Não comento as razões. Ele as levou consigo. Mas deixou a foto, uma lembrança e uma dor da amizade sincera. À Luiza e seus filhos, o nosso pesar.

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