Que venha a esperança

Por Raimundo Borges

Ufa! O ano velho acabou. Foi embora sem deixar saudades. Na política foi tumultuado; na economia, fracassado; na Justiça, embaraçado. Foi quase a repetição de 2016, quando a presidente Dilma foi derrubada pelo impeachment. Michel Temer, que a substituiu, derramou suou, gastou bilhões para não passar por processo idêntico ao que golpeou sua companheira de chapa de 2014. O país, portanto, espera com as urnas, o soerguimento das estruturas abaladas pela crise generalizada. Que a esperança ressurja vestindo o branco da paz da boa nova.

Será a eleição mais complexas da história recente: depois do impeachment de 2016 contra Dilma Rousseff virá o embate tenso da campanha presidencial, com Lula ou sem ele. Será uma disputa para marcar a história. Afinal, um terço dos congressistas está encalacrado em denúncias de corrupção e outros crimes, o que leva a política ao nível mais baixo de confiança popular, em contrapartida ao apoio à Polícia Federal e a Justiça de 1º grau do Paraná, simbioticamente personificada no juiz Sérgio Moro e nos procuradores da Lava Jato. Será o pleito de imensa complexidade a ser determinada pelas urnas em todos os níveis de representação popular.

O Congresso que derrubou Dilma foi o mesmo que salvou Temer um ano depois. E o Brasil chegou ao fim de 2017 ainda mancando, em busca de saídas para a crise. O Congresso não conseguiu aprovar a Reforma da Previdência, segundo Michel Tremer, o ponto luminoso no fim do túnel. Mas os deputados a viram por outra ótica e preferiram não arriscar. Deixaram o projeto para 2018, sem garantia de aprová-lo. Os congressistas, temendo o ajuste de contas com o eleitor nas urnas de outubro, logo cuidaram de se esquivar da Reforma mais importante do governo peemedebista.

O Maranhão, ao contrário de vários estados do bloco considerado “rico”, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e vários outros, como o Rio Grande do Norte, foram engolidos pelo derretimento financeiro. As primeiras vítimas da quebradeira foram os funcionários públicos que viram o salário atrasar, ou pagos serem à prestação, enquanto os serviços públicos se deterioram. Mesmo sendo o estado de piores indicadores sociais de pobreza, o Maranhão chegou ao fim de 2017 investindo, fazendo concursos públicos e pagando os salários até antecipados. Uma proeza nesse ambiente devastado.   

O ano de 2018 vai ser marcado pela eleição geral – do presidente da Republica, dos governadores, do Congresso Nacional e das assembleias legislativas. Será o ano politicamente histórico no Maranhão. O atual governador Flávio Dino (PCdoB) é candidato à renovação do mandato e terá como principal concorrente – conforme as pesquisas – a sua antecessora Roseana Sarney, do PMDB. Portanto, a eleição será um tudo ou nada para os dois lados. A retomada do poder pelo grupo Sarney, ou a permanência do primeiro governador ‘comunista’ da história do Brasil. Os outros pré-candidatos ainda não sinalizam ameaça quebrar essa .

Apesar de tudo, expectativa é animadora para os maranhenses. Além dos investimentos sociais em expansão, o estado viu a consolidação de uma prática de governo sem ingerência familiar, sem empresas agregadas ao Palácio dos Leões e com programas voltados para as comunidades até então esquecidas pelo poder público. Esse tem sido o lado mais cruel da história antiga e recente do Maranhão dos “grotões”, pontos geográficos que viraram uma realidade política insolúvel ao longo de séculos e de décadas.

Roseana Sarney vai para uma disputa eleitoral sem poder, sem máquina governamental, sem todo o grupo que com ela atravessou o período sarneísta e dentro de regras eleitorais rigorosas quanto aos gastos e estruturas de campanha. Têm, é verdade, o nome bem lembrado pelo eleitorado – sendo esse um dos pontos fortes que ela conta no enfrentamento mais complexo de sua carreira. Mesmo tendo no Palácio do Planalto um presidente de seu partido, o PMDB, o cenário pouco muda. Um presidente, aliás, que sustenta a pior avaliação da história do Brasil. Mas o governo, vale lembrar, é a locomotiva do trem que dá sinal de engrenar uma marcha rumo ao desenvolvimento.

Seja como for, a população maranhense vai participar de uma eleição importante. Até muito mais do que as mais recentes, em que os candidatos presidenciais do PT, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, obtiveram votações até acima de 90%. Em 2018 Lula pode ser impedido pela Justiça de concorrer e o PT do Maranhão – tudo indicado – estará no palanque de Flávio Dino, mesmo com a pressão do ex-senador José Sarney para tê-lo com a sua filha Roseana. Ela e Dino disputam as legendas de maior tempo de TV e rádio na propaganda eleitoral.

Independentemente da eleição, o Maranhão espera muito mais no ano novo. Será o ano da conclusão das obras rodoviárias que consolidam o polo turístico chamado de Rota das Emoções, interligando-o ao Piauí e o Ceará. Pode, finalmente, terminar a emblemática duplicação da BR-135 e contar, ainda, com a definição do complexo industrial em Bacabeira, onde multinacionais chinesas estudam implantar uma refinaria de petróleo, um porto e uma siderúrgica. Será o ano da consolidação dos programas sociais do governo estadual, principalmente no ensino fundamental e médio, condição essencial à melhoria dos demais indicadores. É isso que todos desejamos esperançosos.

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