Sarney: “eleição sem Lula deixa uma frustração”.

Por Raimundo Borges

Depois de ter se mantido equidistante do debate sobre o julgamento, hoje, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Porto Alegre, o ex-presidente José Sarney decidiu defender a absolvição do petista. Sarney, como presidente da República, teve Lula como adversário ferrenho, já quando ocorreu o inverso, já na fase “Lulinha Paz e Amor”, Sarney tornou um dos aliados mais importantes do presidente, graças a sua influência no Congresso e na política em geral.

Agora, de acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, assinada pelo jornalista Fabio Murakawa, o  ex-presidente José Sarney (MDB) resolveu quebrar o silêncio sobre o julgamento. Na terça-feira, ele disse esperar que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, absolva o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A corte julga recurso da defesa de Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro, da primeira instância, que o condenou a nove anos e meio de prisão.

O que está em julgamento no TRF-4 é o recurso da defesa de Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro, da primeira instância, que o condenou nove anos e meio de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

Para Sarney, uma eleição sem Lula “será sempre contestada” por deixar “uma frustração grande em parte do eleitorado”. Caso condenado, Lula pode ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa e, assim, impedido de concorre à Presidência neste ano.

“Uma eleição sem o Lula deixa uma frustração grande em parte do eleitorado e será sempre contestada”, disse ele ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor. “Lula é um grande líder popular e de grande experiência. Espero que o tribunal o absolva.”

(Mídia Ninja)

Por outro lado, já em Porto Alegre, diante de mais de 70 mil pessoas (segundo os organizadores do ato) reunidas em manifestação em seu apoio, o ex-presidente Lula fez um discurso emocionado em que reafirmou sua disposição de lutar por um Brasil mais justo, apesar da perseguição política e judicial que vem sofrendo.

Crédito: Ricardo Stuckert

“Qualquer que seja o resultado do julgamento, eu seguirei na luta pela dignidade do povo desse país”, disse; muito aplaudido, o petista reafirmou sua inocência; “As pessoas têm que entender que não estou preocupado comigo. Estou preocupado com o povo brasileiro. Eles estão desmontando o Prouni, o Fies, as escolas técnicas”, destacou, enumerando os retrocessos que sucederam a derrubada da presidente eleita Dilma Rousseff, que também estava presente.

O julgamento começou esta manhã, na 8ª Turma do TRF-4, do recurso de Lula da Silva contra a condenação de 9 anos e 6 meses de prisão no caso do triplex do Guarujá, que foi aplicada pelo juiz Sérgio Moro. Em sua primeira manifestação, o procurador do Ministério Público Federal Maurício Gerum criticou juristas e acadêmicos por “não verem provas” contra o ex-presidente Lula; Gerum citou reportagem do jornal O Globo como prova contra Lula.

Em artigo publicado hoje (4ª feira) na Folha de S. Paulo, o advogado de Lula, Cristiane Zani Martins classificou o processo de “uma trama que se iniciou quando alguns procuradores decidiram transformar em crime a relação contratual lícita entre a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva e a cooperativa Bancoop”.

E mais adiante acrescenta: “Num fantástico exercício de futurologia, a compra de uma cota, em 2005, que daria direito a um apartamento de 82 m2 em Guarujá (SP), tornou-se base da acusação de que Marisa e Lula estariam escondendo, desde aquela época, que receberiam a propriedade de um apartamento de 230 m2 no prédio que uma empresa do grupo OAS viria a assumir em 2009. A acusação diz que teria havido prática de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobrás.

“Os acusadores escolheram o juiz Moro para julgar a causa afirmando que o caso envolveria três contratos específicos da Petrobras”. Já no final do texto, Zanin diz que “a absolvição de Lula, além de ser o único resultado compatível com a lei e com o que consta no processo, será relevante para resgatar o Estado de Direito e a confiança dos cidadãos no Poder Judiciário”.

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