Reunião de Temer e Pezão termina sem anúncios de detalhes sobre a intervenção

O presidente Michel Temer, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Marcelo Crivella – que retornou da Europa após o carnaval – participaram de reunião com várias autoridades no Palácio da Guanabara no início da tarde deste sábado (17). O encontro aconteceu a portas fechadas e, ao fim, Temer se pronunciou, sem dar detalhes técnicos sobre a atuação do general Braga Netto, nomeado interventor responsável pela segurança pública do Rio.

“Acerca de ter uma intervenção, nós a decretamos após ter uma conversa com o governador Luiz Fernando Pezão, que naturalmente concordou e vai prestar toda a colaboração necessária. Seria intolerável continuar a situação que está aqui no Rio de Janeiro porque ela cria também um problema nos outros estados. Porque no instante que as coisas desandem aqui, a tendência é que as coisas venham a desandar nos outros estados”, disse Temer.

Durante a reunião, Temer também confirmou a criação do Ministério da Segurança Pública, mas não anunciou um nome para a pasta. O presidente, no entanto, não aprofundou como ocorrerá a intervenção federal ou disse quem poderá ocupar a nova pasta federal.

“Nós não vamos parar por aí. Muito brevemente, semana que vem ou na outra semana, eu quero criar, e já conversei com o presidente da Câmara e do Senado, o Ministério Extraordinário da Segurança Pública. Na verdade, ele vai coordenar o trabalho da segurança pública em todo o país. Não vai invadir as competências de cada estado federado. Vai cumprir as suas funções de natureza constitucional e vai coordenar o trabalho de segurança pública em todo o país”, explicou Temer.

O presidente reforçou que espera, com a intervenção, um trabalho conjunto dos poderes, dos estados e da União.

“Quero também registrar o que já disse na reunião, que foi muito útil, porque eu salientei que não basta uma ação da União. É preciso uma união de todos os esforços. Por isso estavam aqui o presidente do Tribunal de Justiça, o procurador-geral de Justiça, o defensor público e várias autoridades, como o presidente da Assembleia e setores da sociedade civil. Estão todos unidos para combater a criminalidade. Esse é um ponto fundamental”, explicou Temer.

Aprovação ‘tranquila’, diz Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi um dos poucos a dar entrevistas. Segundo ele, a votação para aprovar o decreto presidencial irá ocorrer, na Câmara, na segunda-feira. Maia imagina que aprovação será “tranquila”.

O presidente da Câmara explicou que, para o presidente Temer, a intervenção no Rio de Janeiro deveria ficar restrita à área de segurança pública, não chegando a outros setores, como finanças do estado, saúde ou educação, por exemplo.

“Eu estou apoiando [a intervenção] porque, independente de ser maior ou menor [os índices de violência], há um nível de desespero da sociedade carioca, da Baixada e do interior é enorme. Mesmo que os indicadores mostrem outra realidade, a sensação de nós que moramos aqui no Rio é de completo desespero e pânico em relação ao tema”, justificou o deputado.

Perguntado se haverá condições de interromper a intervenção para a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência, Maia afirmou que não sabe e que não iria responder sobre aquilo que ele próprio tem dúvida.

Militares nas ruas

O presidente desermbarcou no Rio pela manhã, na Base Aérea do Galeão. Militares foram vistos em vários pontos da cidade, principalmente nos bairros de entorno do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. A poucos metros dali, circulava um blindado.

Conforme adiantou a jornalista Andréia Sadi, Temer se irritou neste sábado (17) com a avaliação de que ele decidiu a intervenção federal no Rio para lavar as mãos sobre a reforma da Previdência.

Nos próximos dias, Temer adotará o discurso de que, se houver votos para a Previdência , em 10 dias, ele cessa a intervenção. E que isso já foi acertado com Luiz Fernando Pezão, governador do Rio.

Temer vai reforçar esse discurso neste sábado, a aliados e autoridades no Rio de Janeiro. No estado, o presidente participou de uma reunião no Palácio Guanabara.

Na sexta-feira (16), Temer assinou decreto que permitirá às Forças Armadas comandar as ações de segurança pública no Rio. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, o presidente reiteirou que a intervenção federal no estado do Rio foi “construída em diálogo” com o governador.

Após a assinatura do decreto, Pezão afirmou em Brasília que, inicialmente, havia pedido a implantação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ampliada, medida diferente da adotada por Temer. Mas, segundo Pezão, o governo federal insistiu que a intervenção seria necessária.

Além disso, segundo a colunista do Andréia Sadi e militares ouvidos pelo G1, Pezão teve de ser convencido a aceitar a intervenção.

Com a publicação do decreto no “Diário Oficial”, a intervenção no Rio de Janeiro já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para continuar valendo. A votação, na Câmara, já está marcada para a próxima segunda (19).

Fonte: G1

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