Suzano compra Fibria e monta gigante de celulose no Brasil

A Suzano Papel e Celulose acertou a compra do controle da Fibria em uma reunião na madrugada dessa sexta-feira, com participação da BNDES. O anúncio oficial será feito agora de manhã. Ao propor a combinação de ativos com a Fibria, a Suzano não teria entraves, uma vez que as negociações envolvem grupos brasileiros.

Os maiores acionistas da Fibria são a família Votorantim e o braço de participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar). Do lado da Suzano, a família Feffer é a maior acionista. Maior produtora de celulose do mundo, a Fibria possui 1,056 milhão de hectares de florestas, das quais 633 mil hectares são de árvores de eucalipto plantadas.

Uma outra parte – 364 mil hectares – é de áreas de preservação e de conservação ambiental e 59 mil hectares destinados a outros usos. A família Votorantim é dona de boa parte dessas terras e as arrenda para a Fibria. Procurados, BNDES, Fibria, PE, Suzano e Votorantim não comentam o assunto.

A negociação

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que, por meio de sua subsidiária de participações acionárias, a BNDESPar, aprovou a fusão entre as empresas Suzano e Fibria. A operação consolida as duas maiores empresas de celulose do país e transforma a companhia resultante em líder mundial em celulose de mercado. As negociações foram conduzidas em comum acordo com a Votorantim S/A, com quem a BNDESPar compartilha o controle da Fibria.

O BNDES entrou na Fibria, empresa que nasceu da fusão de Aracruz e Votorantim, para evitar quebra das empresas após perdas com derivativos financeiros (instrumentos financeiros cujo preço de negociação é baseado no preço futuro de algum outro ativo, como ações, câmbio ou juros, que são usados como se fosse um seguro de preço e tem como objetivo proteger o investidor contra variações de taxas, moedas ou preços).

A composição da forma de pagamento ao BNDES concilia o recebimento de parte significativa em dinheiro, cerca de R$ 8,5 bilhões, e o recebimento de ações da companhia resultante. Segundo a nota do BNDES, foram negociadas melhorias de governança, que incluem a aprovação de uma política de indicação de conselheiros independentes. A companhia resultante deverá, por contrato, manter, no mínimo, o mesmo padrão de responsabilidade socioambiental em que as duas empresas já eram referência.

O acordo, segundo o BNDES, assegura que acionistas minoritários recebam dinheiro e ações nas mesmas condições dos controladores. A BNDESPar seguirá com participação relevante, mas será minoritária. Segundo o BNDES, a operação é garantida por consórcio de bancos privados e sua conclusão está sujeita à aprovação de agências antitruste. A holandesa Paper Excellence chegou a entrar na disputa e havia feito uma proposta para comprar a participação da BNDESPar na Fibria Celulose. A oferta formal avaliou a empresa brasileira em R$ 40 bilhões.

Fonte: Fiems

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.