Prazer de fazendeiro é receber dinheiro e dar calote, diz Lula

Alvo de protestos de ruralistas durante sua caravana pelo Rio Grande do Sul, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os grandes fazendeiros de ingratos e caloteiros.

Durante ato na comunidade de Nova Santa Marta, na noite desta terça-feira (20), Lula disse que quando se consegue dar R$ 10 para uma pessoa humilde ela será grata para o resto da vida.

Já os fazendeiros, quando obtêm financiamento milionário para compra de maquinários, “não só são mal-agradecidos como passam a vida falando mal do PT”.

Ele disse ainda que eles têm dois prazeres: quando recebem o dinheiro e quando dão calote.

“Se eles tratassem os empregados como tratam os cavalos, os empregados estariam muito bem de vida”, criticou Lula. E acrescentou: “estou cansado de ver cavalo comendo maçã.”

Ao discursar para moradores de uma comunidade urbanizada durante sua administração, Lula afirmou, mais uma vez, que querem impedir sua candidatura por causa de seu legado voltado para os pobres.

Às vésperas de julgamento de seu recurso no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Lula voltou a desafiar seus julgadores: “Se juntar todos os meus acusadores… Aqui do Rio Grande do Sul, os três que me julgaram; o Moro, o Ministério Público da Lava Jato, a Polícia Federal, [se] colocar numa prensa e espremer, o que sobrar não tem 10% da honestidade que eu tenho.”

Carlos Macedo / Agencia RBSCarlos Macedo / Agencia RBS
Carlos Macedo / Agencia RBS

“Se espremer todos os meus acusadores, não sobra 10% da minha honestidade”, diz Lula em Santa Maria (no ZERO HORA)

Após o clima belicoso enfrentado à tarde na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a caravana de Luiz Inácio Lula da Silva encontrou um ambiente mais favorável ao ex-presidente no bairro Nova Santa Marta, na área periférica da cidade. De cima de um carro de som, o petista discursou para centenas de apoiadores ao lado de outros líderes do partido na noite desta terça-feira (20).

Às voltas com a possibilidade de ser preso caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negue o recurso apresentado pela sua defesa, Lula aproveitou a plateia para provocar as autoridades responsáveis pela sua condenação. Mais uma vez, afirmou ter sido “perseguido” por um crime que nunca cometeu.

– Se juntar todos os meus acusadores, os três (desembargadores do TRF4) que me julgaram, o (Sergio) Moro, o Ministério Público da Lava-Jato e a Polícia Federal, colocar numa prensa e espremer, o que sobrar não tem 10% da honestidade que eu tenho – emendou.

O ex-presidente voltou a reforçar a sua intenção de concorrer à Presidência em 2018. Sem se referir diretamente aos protestos que têm marcado a sua passagem pelo Rio Grande do Sul, Lula disse que seus opositores têm medo que ele “volte e acabe com o ódio”.

– Não vamos nos enganar com esses grã-fino que andam com bandeira do Brasil de dia e, de noite, vão para Miami gastar dinheiro – discursou.

Nas entrelinhas, também lançou críticas aos ruralistas que, na segunda-feira (19), organizaram uma manifestação em repúdio a sua visita em Bagé:

– Se eles tratassem os empregados deles que nem tratam os seus cavalos, estariam muito bem de vida. Estou cansado de ver cavalo comer maçã e criança crescer sem poder comer maçã.

GLEISI PEDE REFORÇO NA SEGURANÇA 

Iniciada na segunda-feira, a caravana de Lula pelo interior gaúcho encarou protestos por onde passou. Em frente à Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Bagé, e no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), manifestantes chegaram a se agredir.

Diante do clima tensionado, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, pediu reforço nacional e estadual para a segurança de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, que acompanha a comitiva. Segundo a senadora, o partido entrou em contato com os ministros da Segurança Pública, Raul Jungmann, e da Justiça, Torquato Jardim, e com o governador do Estado, José Ivo Sartori.

– A caravana tem sido ameaçada e agredida por milícias armadas de extrema-direita. Não são manifestações políticas divergentes, mas de violência e enfrentamento que querem cercear o direito de ir e vir de dois ex-presidentes da República. Estamos oficiando as autoridades porque tememos pelo clima que está sendo criado – declarou Gleisi.

Lula reavalia agenda no Sul após 2 dias de protestos

Após dois dias de enfrentamento durante sua passagem pelo Rio Grande do Sul, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na noite desta terça-feira (19) com dirigentes petistas e coordenadores da caravana que protagoniza pelo país para reavaliar sua agenda e discutir medidas adicionais de segurança.

Sob a orientação de Lula, petistas procuraram o ministro da Segurança, Raul Jungmann, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (MDB), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a Secretaria de Segurança do Estado para relatar os conflitos da manhã desta terça, quando um grupo de manifestantes fechou temporariamente o acesso à cidade de Santa Maria para impedir a presença do ex-presidente.

A polícia enviou reforços à cidade, enquanto a comitiva era escoltada por dezenas de carros da polícia e acompanhada por um helicóptero. Foram enviados 12 carros de polícia, incluindo a PRF.

Lula e sua comitiva foram obrigados a aguardar em um acostamento até a desobstrução da pista. Na chegada à cidade, a caravana foi seguida por manifestantes até a Universidade Federal de Santa Maria. Por medidas de segurança, Lula trocou o ônibus por um carro de passeio.

No campus, opositores de Lula —um deles com um chicote— entraram em confronto com estudantes e integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Munidos de pedaços de paus, participantes trocaram socos e pontapés, sendo contidos por presentes.

Foi o momento de maior tensão ao longo de toda a caravana. O ex-ministro Miguel Rossetto, pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, chamou de fascista e fanatizada a tentativa de obstrução do trânsito de dois ex-presidentes —Dilma Rousseff também participa do périplo.
“A caravana foi pensada para um ambiente sereno”, disse Rossetto.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), por sua vez, disse que a integridade física de dois ex-presidentes está sob ameaça e cobrou providências.

“A caravana pacífica e democrática do ex-presidente Lula está sendo ameaçada e agredida por milícias profissionais formadas pela direita e extrema-direita aqui no Rio Grande do Sul”, afirmou.
hostilidade

A região Sul, escolhida para a quarta etapa da caravana, é onde o ex-presidente tem menos apoio.

Segundo pesquisa Datafolha feita no fim de janeiro, 23% dos eleitores da região manifestaram intenção de votar no petista, contra 41% no Norte e 56% no Nordeste, por exemplo.

Conscientes do grau de hostilidade ao partido na região, petistas chegaram a questionar a oportunidade da passagem pelo Sul, mas Lula insistiu em ir.

O plano inicial é de, durante nove dias, Lula percorrer os três estados da região, totalizando 2,7 mil quilômetros. Além de visitas a universidades, a agenda tem como ponto forte a visita ao mausoléu de Getúlio Vargas, em São Borja, nesta quarta (21).

Nas etapas anteriores, a caravana percorreu estados do Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Na segunda (19), Lula já havia sido recebido com protestos em Bagé. Ruralistas e simpatizantes do deputado federal Jair Bolsonaro tinham bloqueado, com caminhões e tratores, o acesso da comitiva à Unipampa (Universidade Federal dos Pampas).

Fonte: Folha de S. Paulo/ZERO HORA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *