ESPECIAL MAIS IDH – BELÁGUA: UMA FENDA NO CAMINHO

Por Xavier Bartaburu

Sara não contava nem um mês de vida quando foi encontrada pela Força Estadual de Saúde. Estava já magrinha de todo, e não parava de perder peso. Como sugar o leite da mãe se os lábios não deixavam? Eliete até tentava amamentar a filha, apertando os seios até sair a última gota, mas o que jorrava era pouco: nada como a boca de um bebê para beber o tanto de leite que o manterá vivo e forte.

Quis o destino, contudo, que a boca de Sara nascera rachada: no lábio de cima, bem no meio, uma fenda se abria até encostar no nariz. Não podia mamar e mesmo respirar era difícil: vira e mexe Sara ficava sem ar, respirava pela boca e aí entrava tudo quanto era vírus e bactéria. Tinha uma facilidade danada para ficar doente. Médico especializado, só em São Luís, a 280 quilômetros de Belágua.

– A Sara provavelmente entraria para essa estatística cruel da mortalidade infantil – diz Leandro Moraes, enfermeiro da Força.

Mas o destino, ainda que arrevesado, tinha planos melhores para a segunda filha de Moisés e Eliete Silva: a equipe estadual de saúde enviou menina e mãe para a capital e lá o médico pôde reverter o quadro de desnutrição. Ao cabo de algumas semanas, Sara já gordinha novamente, era hora de cuidar da fenda palatina – ou lábio leporino, como se diz – com que tinha nascido. E era um tanto urgente, pois logo a menina teria que começar a falar, e mesmo isso, com o lábio superior partido ao meio, seria difícil.

Plano Mais IDH muda a vida de moradores em Belágua. (Foto: Fellipe Neiva)

– A fenda vem desde o céu da boca – explica Leandro. – A fala, a audição, até a visão podem ficar comprometidas. Está tudo conectado.

Sara fechou a fenda com 11 meses de vida, no hospital infantil de São Luís. Ganhou uma cicatriz, mas também o direito de mastigar: hoje já come banana amassada e arroz empapado com caldo de frango.

– Agora tá crescendo rápido – celebra a mãe, Eliete. – Já tá com 12 quilos.

A menina ganhou também auxílio-doença, um salário mínimo até completar 18 anos – coisa que veio bem a calhar, pois o pai está há meses sem trabalhar depois de um acidente de moto. Essa ajuda agora está garantida, assim como as viagens pagas que mãe e filha fazem todo mês a São Luís para as consultas com o pediatra especializado nesse tipo de atendimento.

Agora falta pouco: basta só fechar o palato, que continua aberto porque esse é um tipo de cirurgia que a criança só pode fazer depois de certa idade. Sara agora já pode – tem um ano e seis meses e já está na fila para a operação. De quebra, ainda vai ganhar uma gengiva nova durante a cirurgia. Voltará do hospital com a boca inteira restaurada, quem sabe até na mesma época em que já estiver começando a falar. A fenda vai ser só uma cicatriz na memória dos pais.

 

Plano Mais IDH muda a vida de moradores em Belágua. (Foto: Fellipe Neiva)

 

Fonte: Agência de Notícias GovMA

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