Período de convenções torna ambiente político irrespirável

Por Raimundo Borges

O PSOL deu a largada, ontem, à corrida ao Palácio do Planalto, oficializando a candidatura do sociólogo e líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) Guilherme Boulos e da vice, Sônia Guajajara, 44, da tribo maranhense guajajara, município de Amarante. A líder indígena, reconhecida internacionalmente pelo ativismo políitico,  Sônia Bone Guajajara é formada em Letras e em Enfermagem, especializada em Educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão. Recebeu em 2015 a Ordem do Mérito Cultural.

PSOL oficializa candidatura de Boulos ao Planalto

Já o presidenciável Guilherme Boulos deixou a casa dos pais, um casal de médicos professores da Universidade de São Paulo (USP), para ir morar na ocupação Carlos Lamarca, em Osasco (SP). Lá se uniu aos dois mil sem-teto acampavam em um terreno de 600 mil metros quadrados. Começava ali a transformação do militante estudantil em porta-voz da luta pela moradia no país, uma trajetória que hoje, 15 anos depois, o guindou à pré-candidatura à Presidência da República pelo PSOL.

Boulos é Coordenador nacional do MTST, organização que dobrou de tamanho nos últimos quatro anos. Já se tornou uma das principais lideranças da esquerda no país. Seu programa de governo defende a implementação de mecanismos de democracia direta, como plebiscitos e referendos, pesados investimentos públicos em infraestrutura social e uma reforma tributária progressiva, com taxação concentrada na renda dos mais ricos e desoneração do consumo.

Pontos obscuros

Enquanto isso, no Maranhão, o cenário das coligações permanece com pontos obscuros, enquanto os dirigentes partidários e candidatos correm contra o tempo em busca de nomes eleitoralmente fortes e de legendas que fortalecem as coligações em tempo do horário eleitoral e nos debates televisivos. Pelo menos seis concorrentes ao Palácio dos Leões, já estão com as convenções marcadas, embora nem todos conseguiram fechar a chapa majoritária.

A candidatura de Flávio Dino será oficializada na convenção do PCdoB, dia 28, mesma data em que os demais 13 partidos de sua coligação. Roseana Sarney, por sua vez, terá o nome definido na convenção no MDB, no dia 29, quando deve haver também os encontros das legendas aliadas à sua candidatura. O senador Roberto Rocha, candidato do PSDB ao governo, tem convenção no dia 4 de agosto, mas até hoje não informou com quais partidos concorrerá. É a mesma situação dos candidatos Maura Jorge (PSL), com convenção no dia 28; Ramon Zapata (PSTU), dia 26; e Odívio Neto (PSOL), com convenção no dia 2 de agosto, todos não revelaram se sairão coligados.

Nas principais candidaturas reveladas nas pesquisas, o preenchimento da lista de candidatos a vice, senador, suplentes, deputados federais e estaduais ainda é motivo de muita divergência interna e dentro das coligações. Trava-se uma guerra surda por legendas com tempo considerável no horário eleitoral, nos debates de TV e por políticos de densidade eleitoral reconhecida. O ambiente, portanto, é de corre, corre! pega, pega! A Justiça Eleitoral abriu hoje o prazo das convenções nacionais (até o dia 5), aos partidos vão disputar a Presidência da República, com alguns deles ainda sujeitos a abandonar o barco antes de zarpar rumo ao Planalto, por pura falta de apoio popular revelado nas pesquisas.

Vice de Roseana: mistério

Roseana Sarney ainda não apontou seu candidato a vice

No Maranhão, por exemplo, apenas o governador Flávio Dino, candidato à reeleição, já decidiu em manter o vice Carlos Brandão na posição atual e apontar os deputados federais Everton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), como candidatos às duas vagas de senador. Por sua vez, Roseana Sarney, até agora principal concorrente de Flávio Dino, já definiu o irmão Sarney Filho (PV) e o senador Edison Lobão (MDB) para compor as duas vagas ao Senado.

Há especulação de que o ex-deputado federal, suplente, Francisco Escórcio teria sido indicado por membros da cúpula do MDB, para vice de Roseana, mas ela em momento algum o citou como de sua preferência. Outro nome é o Senador João Alberto, presidente regional do MDB, que abdicou de concorrer à renovação do mandato. Ele, na opinião de alguns emedebistas,  seria um nome ideal para vice de Roseana, pela capacidade de articulação, conhecimento da realidade estadual e o passado político histórico alinhado com o grupo Sarney.

Dando tempo ao tempo

Candidato a vice de Roberto Rocha também ainda não foi divulgado

Neste fim de semana, nenhuma convenção está marcada no Maranhão e possivelmente não haverá na próxima, salvo as exceções dos partidos nanicos, como suas candidaturas simbólicas, que, normalmente são eles os primeiros a realizar os encontros convencionais. Já o candidato do PSDB ao governo, senador Roberto Rocha também não apontou o vice e nem os dois concorrentes ao Senado. Mas o seu partido existem no páreo os deputados federais José Reinaldo Tavares, Waldir Maranhão e o estadual Alexandre Almeida.

Até o dia 5 de agosto, os nomes dos candidatos a presidente e a governador, com os vices; dos concorrentes ao Senado, com suplentes; deputados federal e estadual têm que estar aprovados nas convenções e registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até agora, há 18 pré-candidatos presidenciais, cujo numero, porém, já foi superior a 20. Alguns desistiram no meio do caminho, outros foram barrados pelos partidos.

O total de candidatos poderá ser menor, já que alguns partidos, como o DEM, o SD e o PCdoB, estão sendo provocados a desistir da candidatura própria para apoiar chapas mais competitivas. No caso do PCdoB, há uma batalha interna sobre levar a candidatura de Lula até o limite dos limites legais. Outros, já admitem cair na realidade e partir logo para apoiar uma candidatura, competitiva e com viés à esquerda, como, por exemplo, Ciro Gomes, do PDT.

Planalto distante do pleito

O detalhe da campanha de 2018 é que, pela primeira vez na história republicana, existe um fator inusitado, que pode até favorecer o conjunto da eleição. A começar pelo Palácio do Planalto, que, pela impopularidade do presidente, não irá influenciar o processo eleitoral. Nem o MDB, partido de Michel Temer busca seu apoio e sua presença no palanque.

Lula, mesmo preso, lidera com folga todas as pesquisas

Esse fato é inédito na história recente. Quebra um paradigma universal de o chefe do Executivo sempre tentar a reeleição ou fazer o sucessor. Mas temer não tem um candidato forte nem colocou peso no candidato da oposição. O ex-ministro Henrique Meirelles, do MDB, ainda engatinha nas pesquisas. Esse fato levou à pulverização de candidaturas. Outro fator intrigante: o candidato que lidera com folga todas as pesquisa – Luís Inácio Lula da Silva –, está preso e sem previsão de ganhar a liberdade.

Sônia Guajajara no páreo

Três partidos – PDT, PSC e PCB – têm reuniões marcadas para hoje (20). Em Brasília, os convencionais do PDT e do PSC vão decidir se confirmam as candidaturas de Ciro Gomes e Paulo Rabello de Castro, respectivamente. Ciro e Rabello ainda não têm nomes para vice. O PCB se reunirá no Rio de Janeiro, mas não terá candidato próprio na eleição presidencial de outubro.

Também hoje será o dia de PSOL, PMN (no Maranhão comandado pelo deputado Eduardo Braide) e Avante realizarem suas convenções. PMN e Avante tendem a não ter candidaturas próprias a presidente da República, enquanto o PSOL deve confirmar a chapa Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Domingo (22), o PSL se reúne no Rio de Janeiro para debater a candidatura do deputado Jair Bolsonaro, as alianças possíveis e o nome do vice.

Questões envolvendo a situação criminal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) podem deixar o cenário político incerto mesmo semanas após o fim da eleição. Doutor pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e consultor do PT sobre direito eleitoral, o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira tem feito estudos de casos em que a inelegibilidade de políticos condenados em segunda instância foi revertida a poucos dias da diplomação de políticos. No Maranhão teve o caso recente de Zé Vieira, que mesmo ficha suja, concorreu à prefeitura de Bacabal, subjudice, ganhou e ficou no cargo até junho passado, quando, finalmente foi cassado pelo TSE.

Efeito Enéas em 2018

Bolsonaro enfrenta dificuldades para compor alianças

O pré-candidato do PSL à Presidência da República, deputado federal Jair Bolsonaro, afirmou ontem, 19, que “jamais” se comprometeu com os partidos que rejeitaram alianças com ele nos últimos dias. Bolsonaro enfrenta dificuldades para compor alianças desde que assumiu a disposição de concorrer ao Planalto.

Em menos de 48 horas, ele ouviu um “não” do PR, comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), e do nanico PRP – legenda do general da reserva Augusto Heleno Ribeiro, cotado até então para ser o vice na chapa. Caso não consiga romper o isolamento, Bolsonaro vai dispor de apenas 8 segundos em cada bloco no horário gratuito de rádio e TV que começa em 31 de agosto.

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