Seis disputam Palácio dos Leões e 13 querem a cadeira de Temer

Por Raimundo Borges

Um fato curioso nas eleições de outubro: dois maranhenses disputam a Vice-Presidência da República: a índia Sônia Guajajara (PSOL) e o professor Hertz Dias, do PSTU.

Governador Fávio Dino busca sua permanência por mais quatro anos à frente do executivo maranhense

O governo do Maranhão, estado com uma população de sete milhões de habitantes e um orçamente, para 2019, superior a R$ 20 bilhões (a lei ainda não foi aprovada pela Assembleia Legislativa), já conta com seis candidatos oficiais a ocupar a cadeira principal do Palácio dos Leões. Também o titular do cargo, Flávio Dino, busca renovar o mandato.  Os partidos, agora, começam a corrida para efetuar o registro dos candidatos na Justiça Eleitoral, dentro do prazo que termina no dia 15, às 19h.

A eleição maranhense envolve quase todos os 35 partidos registrados no TSE. Eles vão para as urnas do dia 7 de outubro amarrados a várias coligações, nas quais a identificação ideológica passa à distância, assim também como a afinidade programática. Em meio à crise e a ausência de dinheiro das empresas financiadoras de candidaturas, os políticos saíram a campo na caçada aos partidos de maior tempo de TV no horário eleitoral, considerado a mais importante  ferramenta política atualmente. Portanto, cada segundo por esse meio vale ouro.

Todo esse caldeirão ideológico passou a ser fervido no Maranhão em meio ao barulho das convenções. Elas já passaram e agora o eleitor já tem noção em quem poderá votar principalmente para os cargos majoritários. A campanha eleitoral para presidente da República vai começar com 13 candidatos à sucessão de Michel Temer. Enquanto isso, os partidos e coligações do Maranhão já calculam o tempo de propaganda na TV e no rádio de cada um. A coligação liderada por Flávio Dino levou mais de 40% de todo o tempo disponibilizado pela Justiça Eleitoral.

Roseana Sarney (MDB), encabeça chapa com nove partidos aliados na disputa estadual

O PCdoB de Dino reuniu 16 partidos, contra nove de Roseana Sarney (MDB), cinco de Roberto Rocha (PSDB) e dois de Maura Jorge (PSL) e dois Odívio Neto (PSOL. Mas a pressa maior agora dentro dos partidos e coligações é sobre  desdobramento dos registros perante a Justiça Eleitoral, com impugnações, as fake News, trocas de acusações e de insultos que correm soltas nas redes sociais.

O MDB de Roseana Sarney, por exemplo, já acionou a Procuradoria Regional Eleitoral do TRE-MA com um processo de “Notícia de Inelegibilidade” do candidato a vice-governador na chapa de Flávio Dino, Carlos Brandão. A alegação: Brandão teria assumido o governo, durante viagem do titular, em período supostamente vedado pela Justiça Eleitoral.

Candidato preso

Lula (PT), preso em Curitiba segue candidato tendo Fernando Haddad, também do PT, como seu vice

No âmbito nacional, o ex-presidente Lula está marcando a história do Brasil, ao ser lançado pelo PT a um novo mandato no Palácio do Planalto, preso em Curitiba, desde abril, a 12 anos e um mês em regime fechado. Ele tem como vice o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT. Em caso de impedimento definitivo da candidatura de Lula pela Justiça, Haddad será o substituto e a deputado gaúcha Manuela D’ávila, do PCdoB, ficará na vice.

Nessa hipótese, a candidatura Flávio Dino, ao governo do Maranhão, estará duplamente calçada na relação com o PT no estado e no âmbito nacional. Já Roseana Sarney, que vem polarizando a corrida com Dino, tem como companheiro na corrida presidencial pelo MDB, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Por sua vez, o senador Roberto Rocha também, candidato ao governo maranhense, terá no palanque o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, Já a candidata do PSL, Maura Jorge será apoiada pelo concorrente ao Planalto, Jair Bolsonaro, de seu partido.

Marchando pela esquerda mais radical, o sociólogo Guilherme Boulos concorrerá ao Planalto pelo PSOL e tem como vice-presidente a índica maranhense, Sônia Guajajara, ativista social com duas faculdades na biografia e amplo reconhecimento em âmbito internacional. Na disputa do governo do Maranhão, o candidato do PSOL é Odívio Neto, engenheiro civil e professor da disciplinada Meio Ambiente, na UEMA.

Vices do Maranhão

Ainda pelo mesmo segmento de esquerda, o PSTU terá como candidata presidencial a sapateira Vera Lúcia, de forte presença nos movimentos sociais, e contará com outro maranhense no páreo da Vice-Presidência da República – o professor Hertz Dias, da rede pública do Maranhão.

Ainda na disputa presidencial, o candidato Ciro Gomes, do PDT pode ser apoiado por Flávio Dino, num segundo palanque no Maranhão, já que o PDT é uma das legendas coligadas com o PCdoB flavista, tendo o deputado Weverton Rocha concorrendo ao Senado.  A senadora pedetista Kátia Abreu será a vice de Ciro Gomes (PDT).

Lula vai ter que passar por uma longa luta nos bastidores na tentativa de obter o registro de sua candidatura. O PT vai esgotar todo o tempo e os meios legais disponíveis para manter a candidatura de Lula de pé. Mas o prazo máximo para a eventual troca de candidato é 20 dias antes das eleições. Nesse caso, a justiça poderá indeferir o registro. Mas a estratégia petista é levar a candidatura até onde der e depois substituí-la por Fernando Haddad.

De cima a baixo

Nessa hipótese, Manuel D’Ávila será oficializada como vice na chapa do PT, num cenário que favorece Flávio Dino no Maranhão sobre o reduto dos eleitores de Lula, onde ele apareceu na última pesquisa (Exata/JP) com 66% das intenções de voto.

Com fim do prazo previsto na legislação eleitoral para definição dos concorrentes às eleições de outubro, 13 candidatos e seus vices foram oficializados pelas convenções à Presidência da República. Segundo a legislação, as chapas completas com os candidatos, vices, alianças ou coligações tiveram o prazo até ontem para ser apresentadas à Justiça Eleitoral.

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