Favoritos, zebras e incertezas: como começa a campanha para presidente

Com todos os candidatos a presidência devidamente registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), começa agora oficialmente a campanha eleitoral, que promete uma chuva de emoções ao longo dos próximos 45 dias. A começar pela incerteza provocada pela situação do PT na disputa, que insistiu em registrar a candidatura do  ex-presidente Lula – preso e condenado na Lava Jato.

A forma como a Justiça Eleitoral vai lidar com a situação de Lula vai definir o tamanho da confusão em que o país pode estar metido depois que o resultado das urnas for apurado. Lula está inelegível pela Lei Ficha Limpa, já que foi condenado em segunda instância na Lava Jato.

Ainda nesta quarta-feira (15), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge,  pediu ao TSE a impugnação da candidatura de Lula. O relator do caso no TSE é o ministro Luis Roberto Barroso. A partir de agora, começa a contar o prazo para defesa, produção de provas e alegações finais.

Se o TSE demorar para dar um parecer sobre a candidatura e o Supremo Tribunal Federal (STF) não conseguir dar uma resposta final até o dia 17 de setembro, o nome de Lula vai aparecer na urna eletrônica. Dia 17 é o prazo máximo para que os partidos substituam os nomes na disputa por outros candidatos. Depois desse prazo, as urnas começam a ser lacradas e enviadas para os locais de votação.

Se a situação de Lula não for definida até aí, o nome dele vai aparecer na urna eletrônica, no dia 7 de outubro. “Eles [o PT] vão empurrar a candidatura o máximo que puderem para frente e vão tentar que o Lula esteja na urna”, aposta o cientista político Marcio Coimbra.

Se isso acontecer, o cenário será de incerteza. “O PT vai dizer que os votos do Lula são do Lula. Vai ter gente dizendo que os votos de Lula são do Haddad [candidato a vice na chapa]. E vai ter gente dizendo que o PT não pode ter candidatura”, explica. “A questão é se Lula vai estar na urna ou não e qual o imbróglio que vai sair dessa história”, completa.

A última pesquisa para presidente, realizada pelo Paraná Pesquisas*,  mostra Lula isolado na liderança, com 31% das intenções de voto. O segundo lugar ficaria com o deputado federal  Jair Bolsonaro (PSL), com 22% dos votos. O cenário mostra o tamanho da confusão que estará formada se os votos em Lula forem questionados depois da votação, já que ele teria, pelas previsões, o voto de um terço do eleitorado.

Precedente

Em 2010, a eleição para o governo do Distrito Federal teve uma situação parecida. O então candidato Joaquim Roriz (PSC) desistiu de concorrer por causa de um impasse com a Justiça Eleitoral, que tentava barrar sua candidatura. Dentro do prazo para substituição de candidatos, Roriz substituiu sua candidatura pela de sua mulher, Weslian Roriz. O nome que apareceu na urna, porém, foi de Joaquim Roriz, mesmo que a candidata oficial fosse sua mulher.

O nome de Lula na urna beneficia o PT, que não precisa se preocupar em garantir a transferência de votos de Lula para Haddad.

Favoritos

Caso o PT troque de candidato até o dia 17 de setembro, quem vai disputar oficialmente a presidência pelo partido é o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Nesse cenário, a vice mais provável para a chapa é a deputada  Manuela D´Ávila (PCdoB), que chegou a lançar candidatura própria, mas desistiu para apoiar o PT.

Para Coimbra, tudo indica que, nesse cenário, o PT dispute o segundo turno com Bolsonaro. A última pesquisa XP/Ipespe** para presidente  mostra Bolsonaro com 21% das intenções de voto e Haddad com 13%, em um cenário em que o ex-prefeito é apontado como substituto de Lula na disputa. A pesquisa mostra, ainda, Manuela com 3% dos votos.

“Acho que o Haddad entra na disputa com 16%”, aposta Coimbra, somando as intenções de voto em Haddad e Manuela. Para o cientista político, com esse percentual de intenções de voto, aliado ao dinheiro disponível para campanha – o PT tem a segunda maior fatia do Fundo Eleitoral -, tempo de TV e palanques espalhados pelo país, a candidatura de Haddad tem mais chances de decolar do que a do tucano  Geraldo Alckmin (PSDB).

Por falar em Geraldo Alckmin, o tucano foi o que conseguiu costurar o maior número de alianças. O candidato  fechou uma coligação com os partidos do centrão, o que garantiu ao tucano o maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito e o maior número de inserções ao longo da programação. O número de partidos agrupados em torno de Alckmin também garante mais palanques pelo Brasil.

Resta saber se o tucano vai conseguir transformar a vantagem em voto. No levantamento do Paraná Pesquisas,  Alckmin aparece com 9% das intenções de voto. Ele aparece tecnicamente empatado com  Marina Silva (Rede – 13%) e  Ciro Gomes (PDT – 10%), que acabaram ficando praticamente isolados na disputa, com coligações bem mais modestas que a de Alckmin. Os dois vão ter que brigar com o candidato do PT por uma vaga no segundo turno.

Bolsonaro, por enquanto, segue liderando todas as pesquisas de intenção de voto em um cenário sem Lula na disputa. Resta saber se o candidato do PSL, que também não conseguiu apoios significativos para a campanha, vai se manter na liderança e não vai desidratar ao longo da campanha.

“Acredito que as condições para vitória do Bolsonaro estão postas. Se ele vai se aproveitar dessa onda e conseguir chegar ao Planalto, é outra história”, opina Coimbra.

Os vices influenciam?

Nesse ano, os candidatos a vice podem acabar influenciando mais do que em outras eleições. O levantamento do Paraná Pesquisas mostrou que os vices preferidos do eleitor são o General Mourão (PRTB) – de Bolsonaro – e Haddad, que é vice de Lula, mas pode acabar virando candidato oficial, ao lado de Manuela. O levantamento acende um alerta amarelo para a campanha de Alckmin, que tem como vice a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Leia matéria completa em Gazeta do Povo

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