Riqueza e pobreza juntas na campanha eleitoral do Maranhão em 2018

Por Raimundo Borges
(Reprodução de O Imparcial)

Com inúmeras regras de divulgação e nenhum centavo de empresa financiando candidaturas, vale destacar os dez candidatos mais ricos da eleição no Maranhão, alguns desconhecidos. Ao mesmo tempo, em 2018, o numero de candidatos aos cargos eletivos caiu 56% no Maranhão, em relação a 2014. Será reflexo da falta de financiamento empresarial?

O exército está na rua. Ninguém armado ou fardando o verde-oliva. É a campanha eleitoral de 2018 que começou ontem nas ruas, com inúmeras regras de divulgação e nenhum centavo de empresa financiando candidaturas, como nas eleições passadas. Para o Palácio do Planalto, existem 13 candidatos registrados, enquanto os 26 governos estaduais e o DF contam com 178 concorrentes; 302 ao Senado, 7.232 à Câmara, 15.256 concorrem às assembleias legislativas e 604 vão para a moleza das suplências de senador.

No Maranhão, seis candidatos e respectivos vices querem a cadeira principal do Palácio dos Leões, ocupada hoje por Flávio Dino (PCdoB). Ele concorre à reeleição contra Roseana Sarney (MDB), Roberto rocha (PSDB), Maura Jorge (PSL), Ramon Zapata (PSTU) e Odívio Neto (PSOL). Para o Senado são oito no páreo, 78 candidatos a deputado federal, a 240 a estadual e 16 a suplentes. Todos os dados são do espaço “Divulgacand” do Tribunal Superior Eleitral (TSE), que não aparecia, ontem, de manhã, o nome de Maura Jorge, e só tinha oito candidatos a senador.

O detalhe é curioso na eleição maranhense é também um fato histórico. Se Flávio Dino ganhar a reeleição, derrotará cinco candidatos e mais o ex-presidente José Sarney, chefe da mais longa oligarquia política da história brasileira, com 50 anos. Ele joga todo o seu prestígio e a força de sua estrutura de mídias contra o governador adversário. Se o vencedor for, por exemplo, Roseana, quem ganhará, de fato, é o pai dela, José Sarney.

Mais ricos do Maranhão

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Em meio a esse burburinho da campanha iniciante, vale destacar os dez candidatos mais ricos da eleição maranhense, alguns completamente desconhecidos do grande público. O de conta mais robustecida de dinheiro é o postulante à suplência do “verde” Sarney Filho, empresário Clovis Fecury, filho do dono do complexo educacional Universidade Ceuma, instalado em vários estados. Ele registrou R$ 65,5 milhões. É seguido de longe pelo candidato a deputado federal, médico ortopedista e empresário César Filemon (PSD), com R$ 21,6 milhões.

O 3º da lista dos 10 dos ricaços é suplente do pai, Senador empresário Lobão Filho, com patrimônio de R$ 19,8 milhões, mais que o dobro do pai, senador Edison Lobão, que declarou R$ 8,6 milhões. Na 4ª posição está o deputado estadual e candidato a federal, Josimar do Maranhãozinho (PR), com R$ 14,5 milhões. Ele é deputado estadual de primeiro mandato e foi o mais votado em 2014, com 99,2 mil votos. A ex-deputada estadual e candidata a novo mandato, médica Cleide Coutinho é a 5ª fortuna declarada: R$ 12,9 milhões.

Já o empresário do agronegócio em Balsas, Márcio Onaiser, que foi secretário de Agricultura do atual governo e agora candidato a deputado estadual, registrou no TSE R$ 11,9 milhões, seguido de Hemetério Weba (R$ 9,6 milhões), deputado estadual, que teve o mandato cassado recentemente pelo STJ, decisão do Ministro Francisco Falcão, que deu provimento a recurso especial interposto pelo Ministério Público do Maranhão, decisão contra a proferida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão em ação rescisória.

A 10ª riqueza da lista, de R$ 7,2 milhões, pertence à odontóloga Andreia Rezende, candidata a deputada estadual pelo DEM, que substitui o marido Stênio Rezende, deputado estadual, que tornou-se inelegível há menos de um mês, por decisão do TSE. E não poderia ficar de fora da relação dos abastados, a candidata do MDB, Roseana Sarney, que declarou patrimônio de R$ 11,4 milhões. Ela já exerceu quatro mandatos à frente do governo do Maranhão, num total de 14 anos. O último terminou em 2014, quando ficou no cargo até 10 de dezembro, faltando 11 dias para termina. Ela apoiou o candidato Lobão Filho, derrotado por Flávio Dino, que levou no primeiro turno.

Pobreza extrema

A campanha deste ano mostra, como tem sido em todas anteriores, a face enrugada da pobreza do Maranhão. A média de renda dos brasileiros está a uma distância planetária dos países europeus, por exemplo. Em 2017, havia 52,2 milhões no Brasil em situação de pobreza extrema e a maior proporção de pessoas nesta situação foi observada no Maranhão, com 52,4% da população local inserida neste contexto. O estado com melhor desempenho foi Santa Catarina (9,4% da população local).

Basta lembrar que em 2010, quando o IBGE divulgou seu levantamento, indicava que a renda brasileira havia crescido 3% em cidades paulistas. A do Maranhão cresceu bem acima disso, mesmo assim, dos 50 municípios mais pobres do Brasil, 32 estavam no Maranhão, onde Belágua apareceu com a pior situação nacional, com uma renda de mensal de R$ 147.

É sobre essa realidade, que já mudou para melhor nos últimos oito anos, mas mesmo assim ainda tem muito a ser feito para o estado se desgrudar da situação de mais pobre do Brasil. Portanto, a campanha eleitoral se dará nesses universos distintos que os políticos fazem de conta que não os conheciam. É a riqueza escoando de pouquíssimos e a pobreza esparramada à frente de quase todos os maranhenses.

Prestígio de Lula na disputa

Por incrível que pareça, a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba e com a candidatura registrada é disputada pelos dois principais candidatos a governador do Maranhão – Flávio Dino e Roseana Sarney. Como ele tem aparecido nas pesquisas com larga distância à frente de todos os 12 candidatos presidenciais, e com mais de 60% de apoio no Maranhão, essa força servem tanto ao grupo Sarney, quanto a Flávio Dino, cujo PCdoB tem histórico de aliança com o PT nacional, e também com o MDB regional.

O PT está oficialmente alinhado com o PCdoB maranhense, mas suas correntes internas vivem à política longe dessa composição. Uma parte trabalha diretamente na campanha de Roseana Sarney, contra Dino, e outra, a menor, se juntou a candidato do PSDB, Roberto Rocha. Também os candidatos ao Senado, Weverton Rocha (PDT), e Edison Lobão (MDB) procuram a todo tempo fazer conexão de suas candidaturas com Luiz. O PDT é alinhado com o PT e Weverton Rocha esteve, como líder do PDT, lutando desde a cassação de Dilma Rousseff em 2016.

E quem apoia Meirelles?

Roseana Sarney já chegou a gritar até “Lula Livre!”, enquanto Flávio Dino tem todos os motivos para associar seu nome à Lula. Ele lutou em favor de Dilma Rousseff e depois passou a assumir várias manifestações contra a postura do juiz Sérgio Moro e até o STF, na condenação e prisão de Lula. A candidata ex-presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila, desistiu da empreitada por pressão de Flávio Dino, que prefere a opção alternativa do lançamento da candidatura de Fernando Haddad (PT), com Manuela concorrendo a vice.

Por sua vez, Roseana Sarney já começa a receber pressões da cúpula partidária para entrar em campo apoiando abertamente o candidato do MDB, ex-ministro Henrique Meirelles, que continua engatinhando nas pesquisas, mesmo sendo ele o candidato apoiado pelo presidente Michel Temer. Outras correntes do PT, não pensam duas vezes em hostilizar Roseana, ainda inconformadas por ela ter articulado no Congresso Nacional o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

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