EXCLUSIVO: O MAPA DA CHANTAGEM DO ‘MERCADO’ CONTRA O PAÍS

Por Mauro Lopes – Veja o gráfico que está na ilustração deste artigo e logo abaixo. Ele demonstra como o chamado “mercado” tem utilizado a especulação com o dólar nos últimos anos para chantagear o país e o PT às vésperas das eleições. O gráfico elaborado pelo economista Paulo Kliass mostra em que momentos o dólar “explodiu”: diante da iminência da eleição de Lula em 2002, nos meses que antecederam a eleição de 2014, em todo o processo de golpe contra Dilma e, agora, quando o favoritismo do PT torna-se mais uma vez evidente. O único momento de alta do dólar nos últimos 16 anos com alguma conexão com a situação da economia real foi na crise financeira global de 2008. Mas, como observa Kliass,  “nem a profunda crise de 2008/9 chegou a alterar tanto a cotação do dólar”.

Kliass, doutor em economia, integrante da carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental, explica que as pessoas talvez cultivem a ideia do “mercado” como um lugar onde há milhares ou até milhões de pessoas “atuando do lado da oferta e da demanda” mas que esta é uma ideia completamente falsa, em especial no que se refere ao mercado do dólar: “O mercado financeiro e em especial o mercado de divisas é operados por poucos e grandes agentes, que eu chamo de mastodontes do sistema financeiro”, um punhado de bancos, instituições financeiras e multimilionários.

Portanto, explica o economista, “a ideia de que quando se fala no ‘mercado’ estaria se falando da maioria da sociedade é uma tentativa de iludir a mesma sociedade”. O gráfico, segundo Kliass, demonstra isso, porque mostra que as altas do dólar são sempre especulativas e “descoladas dos movimentos e fundamentos concretos da economia”.

A primeira alta do gráfico, em 2002, “deveu-se a todo o clima criado em torno da vitória do Lula, à conversa de que ‘se o Lula ganhar o país quebra, vai ser uma catástrofes. Depois o mercado se acalma e a ‘catástrofe’ foi esquecida, fica claro que era uma chantagem”. A outra grande onda foi na segunda eleição de Dilma: “Em 2014, o ‘mercado’ estava apostando no Aécio, a conversa entre esses especuladores era que ‘agora vamos tirar o PT do poder’ e recomeçou a chantagem, com grande apoio dos meios de comunicação conservadores. Há um breve momento de normalização, mas depois veio a escalada do golpe, pressão total contra Dilma e a cada nova ‘denúncia’ o dólar voltava a subir”.

Agora, explica ele, “volta a mesma dinânica, movida pelo medo de que um governo desenvolvimentista volte ao poder. Não emplacaram Alckmin, não emplacaram Meirelles e aí estão nessa nova escalada”. A alta do dólar acontece, segundo Kliass, tendo sempre em mira as “metas míticas”. No passado “era a barreira dos R$ 4, agora é as dos R$ 4,20, que deve ser ultrapassada semana que vem”. Mas isso “não tem qualquer relação com a economia, não é retrato de crise no setor externo nem no balanço de pagamentos; ao contrário, estamos muito bem, com reservas de US$ 380 bilhões”.

A alta do dólar agora é, “apenas a expressão de um movimento de poucas e grandes instituições do mercado financeira tentando fazer valer seus interesses com uma chantagem emocional e política contra a sociedade, anunciando uma catástrofe que não acontecerá e sobretudo colocando pressão sobre os próprios líderes políticos”. O alvo é Haddad, para Kliass: “É a maneira como eles fazem campanha para ver se obrigam Haddad, depois de eleito, a nomear um ministro da Fazenda permeável aos interesses dos grandes bancos e capaz de manter a política econômica do ‘austericídio'”.

O mais dramático de tudo “é que as grandes instituições se protegem com operações e produtos do próprio mercado financeiro que é totalmente desregulados, as chamadas operações de hedge que garantem que eles ganham com o dólar subindo ou caindo”.

Fonte: Brasil 247

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