Vice de Ciro acusa Haddad de não ter defendido Dilma

‘Haddad foi higienista com Dilma’, diz Kátia

(…) Valor: Que estratégia adotar diante do crescimento de Haddad?
Kátia Abreu:
 Nós estávamos esperando essa curva do Haddad, essa polarização. Mas se você somar os indecisos com os votos dos alckmistas, da Marina, do Meirelles, do Alvaro Dias vai chegar a quase 30%. Então, a nossa perspectiva é a melhor possível, porque essas pessoas poderiam ter ido para o Bolsonaro ou PT e não escolheram. É muito natural que eles possam escolher um perfil mais próximo e equilibrado do jogo. Nem extrema esquerda nem extrema direita.

Valor: Ou seja, a estratégia é se mostrar como a candidatura mais viável ao centro?
Kátia:
 Exatamente. E demonstrar aos antibolsonaristas que nós somos a opção para vencer o Bolsonaro, vencer o radicalismo que pode levar o país a uma guerra civil. Nós não podemos vacilar e entregar o país a esse radicalismo.

Valor: A senhora perdeu muito capital político por ter ficado com Dilma até o fim. Se arrepende disso?
Kátia:
 Não. Quando defini a minha posição ao lado da Dilma, pelos meus princípios, pela ética, pela lealdade, eu imaginei até sair da política. Eu estava preparada para isso, avisei minha família, porque eu sabia que o prejuízo seria grande. Mas eu não ia passar o resto da minha vida sem dormir, com vergonha de mim e dos meus filhos.

Valor: A senhora se sente reconhecida pelos petistas por isso?
Kátia:
 Não só pelos petistas, mas por todas as pessoas de bem, que não gostam de traidores e de nenhum Judas. A política pode até esquecer a prática de um Judas, da traição. Mas a população não esquece. O Haddad esqueceu rapidamente os Judas do PT e já está aliado com Eunício [Oliveira, presidente do Senado], com Renan [Calheiros, senador], com muitos que traíram o governo do PT. Parece que isso não significou nada. E o Haddad esqueceu primeiro porque na época do impeachment ele correu, ele não colaborou no combate ao impeachment.

Valor: Ele foi omisso?
Kátia:
 Não, ele foi higienista.

Valor: O que isso significa?
Kátia:
 Ser higiênico, se distanciar de qualquer denúncia de corrupção. Não enfrentar e não defender as pessoas por causa da opinião pública. O PSDB é muito assim. Quando tem alguma acusação, eles expulsam rapidamente. Depois, sofreram do mesmo mal com todos os seus grandes líderes. Então, higienista é aquela mania de limpeza ética. O Haddad tem um espírito pessedebista de higienizar sem considerar o direito de defesa das pessoas. Ele não defendeu a Dilma porque queria ficar num patamar à distância de tudo isso para não ser atingido.

Valor: Para a senhora, a prisão do Lula é política?
Kátia:
 Eu acho que tem todos os componentes. Só rezando ele não estava, não. Existe um componente de acusações. Provas concretas não há. Mas tem evidências. Eu acredito que a Justiça vai resolver sobre isso.

Valor: Mas tem um componente político na prisão do Lula?
Kátia:
 Acho que tem. Confesso que tem.

Valor: A senhora vê exageros na Lava-Jato? Tem que haver algum ajuste nos procedimentos da operação?
Kátia:
 Não existe na política espaço vago, como me ensinou Marco Maciel. Quando tem um espaço vago, alguém ocupa. Nesses últimos quatro anos especialmente, a classe política e o Congresso Nacional ficaram muito desmoralizados e sem interlocução com a sociedade. E aí a Justiça começou a fazer o papel de legislador. Quando o Ciro fala em colocar cada um nas caixinhas, é fazer as pessoas voltarem ao seu papel constitucional.

Valor: Como a senhora vê os posts dos procuradores da Lava-Jato em Curitiba no Facebook?
Kátia:
 Política. Estão todos fazendo política. Muitos agindo de boa-fé, mas fazendo política porque a situação permitiu. (…)

Em tempo: um dos momentos marcantes da carreira política da senadora Kátia Abreu foi jogar um copo de vinho tinto na cara do Careca, o maior dos ladrões – PHA

Fonte: Conversa Afiada

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