Governadores do Nordeste fiéis a Lula disparam e podem vencer no 1º turno

As principais pesquisas de intenções de voto mostram que os três candidatos que devem receber a maior porcentagem de votos nas eleições para governos estaduais estão no Nordeste. Todos eles concorrem à reeleição e são defensores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo sendo a região a mais afetada pela crise econômica desde 2015.

Segundo levantamentos mais recentes do Ibope, em ao menos cinco estados do Nordeste os governadores devem ser reeleitos já no primeiro turno. Em três deles, os líderes superam o patamar de 60% das intenções de voto – cenário que não se verifica em outas regiões do país. Em termos percentuais, Camilo Santana (PT), que lidera a última pesquisa Ibope para o Ceará, é o candidato a governador com o maior índice de intenções de voto, com 69% dos votos totais. Para vencer no primeiro turno, o candidato deve atingir a maioria dos votos válidos, desconsiderando-se os brancos e nulos.

Em Alagoas, Renan Filho (MDB) lidera com 65% das intenções de voto, sem considerar brancos e nulos. Analisando apenas os votos válidos, Renan conta com 88% das intenções de votos. O petista Rui Costa, que disputa a reeleição na Bahia, também lidera as pesquisas com folga, soma 82% dos votos válidos e venceria as eleições já no próximo dia 7.

Os outros dois governadores que, segundo o Ibope, venceriam no primeiro turno são Flávio Dino (PCdoB), com 55% dos votos válidos no Maranhão, e Wellington Dias (PT), que, apesar de ter perdido 8 pontos percentuais em um mês, venceria no primeiro turno com 53% dos votos válidos, se a eleição fosse hoje. No Maranhão, brancos e nulos somam 7%; no Piauí, representam 8%.

Os cinco nomes que lideram as corridas para reeleição no Nordeste tentaram visitar Lula em Curitiba, em 10 de abril, mas a comitiva foi barrada pela Justiça.

Para a cientista política Luciana Santana, professora da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), o bom desempenho dos governadores defensores de Lula não é uma coincidência e está diretamente relacionado à força do petista na região.

“Por ser um momento de incertezas politicas e de polarização, um dos fatores que podem influenciar é a memória retrospectiva do eleitor sobre o mandato ou nomes que conseguiram enfrentar melhor a crise. Esses cinco candidatos que podem ser reeleitos são de estados que se posicionaram contra a prisão de Lula. Parece coincidência, mas não é”, afirma. “Independentemente de outras avaliações, foram nos governos de Lula que a região recebeu mais investimentos e atenção da gestão federal.”

Apesar de ter sofrido com a crise econômica de forma intensa, as mudanças de vida do nordestino nesse século fizeram a região se desenvolver –o que é levado em conta agora pelo eleitor.

“A região esteve em uma situação muito pior, como anos 1980 e 90, em comparação com essa crise. O Nordeste era uma região extremamente prejudicada pelas mudanças econômicas, pelas instabilidades políticas. Houve o estabelecimento da economia com Fernando Henrique [Cardoso], mas investimento na região veio mesmo nos governos Lula”, afirma.

Santana ainda acrescenta que há no país um alto índice de reeleição desde 1997, quando a possibilidade foi inserida no sistema político. “Os governadores têm alcançado uma taxa de sucesso alta, de 70% em média. Soma-se a isso que o resultado é influenciado por um conjunto de fatores que definem a competitividade do candidato, alternativas à disposição do eleitor ou as condições nas quais estão competindo”, ressalta.

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