Dino já chama o povo para a posse

O governador do PCdoB marca história ao derrotar o Grupo Sarney e se projetar como líder da esquerda brasileira.

Por Raimundo Borges

O governador Flávio Dino já usa sua rede social preferida, o twitter, para convidar a população maranhense para a posse, ao entardecer do dia 1º de janeiro. Obviamente, um horário completamente diferente dos adotados por Roseana Sarney nos mandatos que exerceu do Palácio dos Leões. Desde 1995, ela tomava posse sob o troar dos fogos de artifícios da chegada do ano novo, à meia noite. Ao inaugurar a moda da posse à meia-noite, naquele ano, Roseana deu como justificativa a necessidade de participar da posse do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Flávio Dino e Carlos Brandão no momento da posse em 01 de janeiro de 2015

Como ela sempre esteve ao lado do presidente de plantão, nas quatro vezes em que foi governadora, Roseana sempre esteve presente nas posses de FHC, de Lula e Dilma Rousseff, duas vezes cada. Já Flávio Dino, em 2015, foi empossado às 15hs na Assembleia Legislativa, e depois recebeu a faixa do governador interino, Arnaldo Melo, no Palácio dos Leões. Ele substituiu Roseana Sarney faltando 20 dias para terminar o mandato. Foi o pretexto para não passar a faixa ao adversário, que havia derrotado Lobão Filho, com Roseana no poder, e repetiu agora, contra a própria emedebista.

Oposição encolheu

Com o parlamento estadual já definindo como será dirigida a partir de 2019 (presidido por Othelino Neto), o Palácio dos Leões também já fez as contas sobre o tamanho da bancada que os partidos da base governista elegeram, e quantos estarão na oposição. Até agora, em fim da legislatura de 2014, pelo menos o governo não terá dificuldade em aprovar seus projetos ainda pendentes, pela larga maioria de apoiadores no plenário.  Já a partir do próximo ano, a proporção de deputados governistas aumentou, mesmo que haja alteração de postura de alguns, diante da eleição presidencial.

Dos 42 deputados, Flávio Dino terá mais de 34 parlamentares em sua base de sustentação, enquanto a oposição definhou junto com o estrangulamento do grupo Sarney. Mesmo com a reeleição do deputado Adriano Sarney (PV), os dois emedebistas – Roberto Costa, Arnaldo Melo nunca foram de fazer oposição radical. Já o PSL do presidente Jair Bolsonaro elegeu apenas o novato Pará Figueiredo, cuja posição é uma incógnita.Já o DEM retornou ao plenário César Pires e mais quatro. Porém, Pires é o mais talentoso na oposição, que deve contar com a parceria do veterano Wellington do Curso e do novato do PMN, Wendell Lages. Um dado da eleição de deputado estadual chamou a atenção. Wellington do Curso, que passou os quatro anos fazendo a oposição mais dura ao governo Dino, junta com a emedebista Andrea Murad, só conseguiu dois mil votos mais em relação a 2014. Já Andreia ficou fora da reeleição.

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A proporção de deputados governistas aumentou para o próximo pleito

Seja como for, hoje, o Maranhão de 2018 vive uma situação demoradamente singular. A derrota do grupo Sarney-Lobão-Murad, deixou Flávio Dino numa posição mais confortável do que atualmente na Alema e na bancada federal, onde tem ampla maioria dos deputados e os dois senadores eleitos Weverton Rocha e Eliziane Gama. O outro, Roberto Rocha, do PSDB, não tem ligação orgânica com o sarneísmo.

Roseana: menos votos que Lobão Filho

Há quatro anos, Flávio Dino foi eleito, no primeiro turno, com 1.877.064 votos (63,52% dos votos válidos). Enquanto o segundo colocado, Lobão Filho (PMDB) não passou dos 995.619 (33,69%). No dia 7 de outubro deste ano, Flávio Dino renovou o mandato com 1.967.396 votos 59,29% dos válidos. Sua adversária Roseana Sarney, com o partido rebatizado de MDB, obteve 947.191 votos (30,07%). A ex-governadora ficou 48.428 votos abaixo de Lobão Filho em 2014, que nunca havia disputado sequer eleição de vereador em Belágua.

Marcando a história

Ao assumir o segundo mandato em 1º de janeiro, Flávio Dino marca pontos significativos na história política brasileira. Reeleito o único governador do PCdoB em quase cem ano de história do Partidão no Brasil. Acabou a mais antiga e mais bem estruturada oligarquia política do país – a implantada em 1965 pelo então governador José Sarney.

Dino ainda conduz o Maranhão fazendo oposição ao Palácio do Planalto desde 2016, com o golpe parlamentar-jurídico. Agora, ele abre espaço para mostrar que a esquerda não foi completamente sufocada pelo avanço da direita e que lhe cabe nesse espaço político, como liderança forte dentro do Maranhão, do Nordeste e até fora do Brasil.

Sua relação com o Palácio do Planalto tudo indica não será diferente no governo Jair Bolsonaro, de oposição direitista, totalmente contra comunista ou qualquer política de coloração socialista. Ao tomar posse em 2014, Flávio Dino discursou, de improviso: “Materialmente, este diploma serve muito mais do que um título que habilita a uma investidura e um cargo público. Ele habilita ao exercício de uma missão grandiosa, a de ser servidor público, a missão de servir ao povo, de não estar acima dos homens e das mulheres, mas estar com junto com eles”.

Fonte: O Imparcial

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