Em entrevista, Mourão destoa de Bolsonaro sobre temas polemicos

O vice-presidente eleito Hamilton Mourão vai se apresentando surpreendentemente como uma voz ponderada em meio às tensões que têm caracterizado a formação do novo governo. Ele tem protagonizado diversas conversas de bastidores no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde se dá a transição de governo. Investido dessa dicção apaziguadora, Mourão crava sua divergência com Bolsonaro de maneira sistemática e, dentre diversas outras questões, defende boas relações com Venezuela, China e Mercosul.

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo do jornal Folha de S. Paulo, Mourão comenta o alinhamento automático com os americanos: “a posição brasileira tem sido sempre marcada por um certo pragmatismo. A gente tem que buscar nossos objetivos e os países que fortaleçam a conquista desses objetivos. A posição dos EUA é inquestionável. É a potência hegemônica, que tem capacidade de travar guerra em dois locais diferentes ao mesmo tempo e grande projeção tecnológica. É um mercado a ser explorado e uma parceria estratégica.

Mourão, no entanto, destaca a importância da China: “mas não podemos descuidar dos outros grandes atores da arena internacional. Não podemos nos descuidar do relacionamento com a China”.

E minimiza as críticas de Bolsonaro ao gigante asiático, com surpreendente independência política: “aquilo [a declaração] é mais uma retórica de campanha, né? Com as redes sociais, muita coisa flui e não é a realidade. E as pessoas compram aquilo como se fosse verdade absoluta.”

Mourão praticamente dá o tom do novo governo: “o governo precisará ter uma posição equidistante. É óbvio que com os EUA, vamos colocar assim, tanto o presidente Bolsonaro quanto o presidente [Donald] Trump têm uma forma peculiar de lidar com o mundo exterior. Eles são meio parecidos nisso aí. Mas Trump comanda a maior economia do mundo e pode comprar certas brigas. Eu acho que o presidente Bolsonaro não vai poder. Exatamente. Nós podemos comprar as brigas que podemos vencer. As que a gente não pode, não é o caso de comprar.”

Fonte: Brasil 247

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