Que comunismo é esse que existe no Maranhão?

Por Raimundo Borges

O tema é recorrente até fora do contexto histórico. Porém, o deputado Adriano Sarney (PV), neto do ex-presidente da República José Sarney, não se cansa de chamar de “comunista” o governo de Flávio Dino.  A pergunta é: O Maranhão é um Estado comunista, simplesmente em razão da filiação do governador, um ex-juiz federal, ao PCdoB? Os manuais de história e política ensinam que “estado socialista é qualquer Estado que se dedique constitucionalmente a desenvolver uma sociedade socialista”.

Deputado Estadual Adriano Sarney (PV)

Mas para chegar ao socialismo é necessário a sociedade passar pelo comunismo. O comunismo é a ideologia política e socioeconômica, que se propõe a promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum dos meios de produção. Quem vive no Maranhão não dá para perceber nem, de longe, sinais de tamanha transformação social e política em apenas quatro anos de governo Flávio Dino.

Adriano Sarney, formado em Economia na Université Paris I Panthéon-Sorbonne, França, e Administração na Harvard University, Faculty of Arts and Sciences, Cambridge, portanto, super-bem preparado nas mais respeitadas da Europa e dos Estados Unidos, sabe muito bem o que fala. Ele não deve identificar o comunismo de verdade no Maranhão, de 2014 para cá. Em outubro, o PCdoB de Dino derrotou o sistema sarneísta, com uma fieira de 16 partidos – da direita, como o DEM, PP e PTB, por exemplo – à esquerda, juntados o PT e o PSB. Logo se conclui: se o regime político do Brasil fosse identificado pelo nome dos 35 partidos registrados, haveria, ideologicamente, um verdadeiro balaio de gatos.

Países comunistas

Atualmente, os Estados que conservam total ou parcialmente estas características são: República Moldava da Transnístria, República Popular da China, a República de Cuba, a República Democrática Popular da Coreia, a República Democrática Popular Laoana, e a República Socialista do Vietnã. E o Maranhão, virou uma República Popular, sem alterar nenhuma letra da Constituição democrática de 88, ou a do Maranhão? Qual seria então a regra ou a prática legal que tornaria o Maranhão um estado comunista? Quem souber, por favor, responda.

E quando se fala em comunismo, a melhor coisa que o brasileiro deve procurar como referência não é a tola informação que recebe diariamente sobre a Venezuela de Nicolás Maduro. Deve olhar é para o oriente, onde a China comunista tem uma economia tão dinâmica que assusta não apenas a Europa, mas, principalmente, os Estados Unidos, que não esconde a preocupação, comparando o seu capitalismo-modelo, para o comunismo econômico renovado da China.

Maior potência até 2024

Nos últimos 20 anos um pais que havia sido usado como motor para o crescimento das grandes potências ocidentais, fonte de sua dependência para manter a economia estável começou a se desenvolver de forma espantosa. O motor dessa evolução é a gigantesca mão de obra barata, com uma população medida em bilhão, e os inesgotáveis recursos naturais, além de localização estratégica para o comercio mundial marítimo.

A China, no rimo que cresce, entre 7% e 9% ao ano, transformou-se na segunda maior economia do planeta com um PIB de aproximadamente US$ 11 trilhões, com o qual se aproxima de toda a economia da União Europeia junta. Com esse crescimento, os Estados Unidos ficam em alerta, enquanto os estudiosos preveem que a China se converterá como a maior potência mundial entre os anos de 2021 e 2024. Assim sendo, passará a ser o principal credor dos Estados Unidos, que já tem uma divida de cerca de US$ 1 trilhão de dólares com a China.

O novo formato do G7

Atualmente a China faz parte do conselho de segurança da ONU e tem poder de veto, seu presidente Xi Jiping é a quarta pessoa mais poderosa do mundo atrás apenas de Angela Merkel, Donald Trump e Vladmir Putin. Existem planos para a criação de um novo G7 grupo de países mais poderosos do mundo que atualmente é composto por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Enquanto isso, o novo G7 deve ser formado por China, Índia, Rússia, Brasil, Indonésia, México e Argentina – grupo dos futuros países mais poderosos do mundo sendo a China a líder desse novo blocão.

Não é à toa que a China está se desvencilhando da moeda americana como referência nos seus negócios pelo mundo, ao mesmo tempo em que expande seus investimentos para onde percebe que encontrará retorno. Além de ser cliente potencial da Vale, na compra de minério de Carajás, que sai pelo Porto da Ponta da Madeira, em São Luís, a China está investindo em seu próprio porto no complexo do Itaqui.

Investimentos no Maranhão

A maior empresa em infraestrutura da China, a China Communications Construction Company (CCCC), assinou, dia 27 de dezembro, o último documento para a formalização da parceria na construção do Porto Multimodal de São Luís. O grupo passa a ser formado pela CCCC, com participação em 51% do empreendimento, e por sócios brasileiros, com 49%.

Em abril do ano passado, em São Paulo, a CCCC assinou acordo com o Grupo WTorre para construção do Terminal de Uso Privado (TUP), em solenidade que contou com a presença do governador Flávio Dino, que considerou positiva esta iniciativa das duas empresas, mas elas continuam enfrentando resistências de moradores da área do empreendimento, o que vem dificultando o andamento da obra (foto principal).

De acordo com comunicado da empresa, 4 mil empregos devem ser gerados na obra, sendo 2 mil já no primeiro ano da construção e 85% da mão-de-obra devem ser do Maranhão. A informação sobre a formalização da parceria é do diretor do Porto Multimodal, José Hagge, que esteve em São Luís esta semana para compromissos técnicos da obra que já iniciou a fase de supressão vegetal.

“Estamos confiantes de que o investimento de R$ 800 milhões no Maranhão contribuirá para a geração de empregos diretos e indiretos, arrecadação de tributos e possibilitará o incremento do desenvolvimento ao Estado que conta com excelente posição geográfica e marítima na baía de São Marcos”, analisa Hagge, em entrevista ao site Maranhão Hoje, do jornalista Aquiles Emir.

O projeto do Porto Multimodal de São Luís é de um Terminal de Uso Privado (TUP), com área de 2 milhões de metros quadrados, sendo 550 mil de área de proteção ambiental,  próxima ao Porto do Itaqui, compreendendo seis berços (quatro na primeira fase e dois na segunda, ponte de acesso, acesso rodoferroviário e pêra ferroviária. O terminal atende as áreas central, norte e nordeste do país, interligado pelas Ferrovias Norte Sul e Carajás.

A primeira fase da obra deve ser concluída em quatro anos, com capacidade para movimentar anualmente: 7 milhões de toneladas de soja e milho, 1,5 milhão de fertilizantes, 1,5 milhão de carga geral e 1, 8 mil metros cúbicos de derivados de petróleo.

Grupo de investidores

CCCC– Empresa chinesa de construção pública negociada, foi criada em 2005 e é a maior empresa do segmento da China. Está envolvida na construção e infraestrutura de transporte de draga, além de operar ativos em outros países. Entre suas obras mais conhecidas está a maior ponte do mundo, que liga Hong Kong, Macau e Zhuahi, com 55 quilômetros. Da infraestrutura faz parte um tunel com 6,7 quilômetros, que se situa a 40 metros abaixo do nível do mar.

WPR– Fundada em São Paulo, em 1981, atua em diferentes áreas, como construção civil, desenvolvimento imobiliário, centros logísticos, entretenimento, shopping centers e infraestrutura. Os projetos que assina já somam quase 10 milhões de metros quadrados de área construída. Entre as obras de destaque estão estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, o Allianz Parque, em São Paulo, conhecido como Arena Palmeiras, construído para receber espetáculos, concertos, eventos corporativos e, principalmente, partidas de futebol do Palmeiras.

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