Carlos Brandão: “Nosso foco é fazer o novo governo melhor ainda”

Por Raimundo Borges

Em 2014, Carlos Brandão, então presidente regional do PSDB, acabou indicado para vice-governador na chapa do PCdoB, uma aliança até então improvável. Em 2016, Brandão elegeu 29 prefeitos tucanos contra 45 do PCdoB, numa demonstração de forte liderança e poder de articulação. Em dezembro de 2017, articulado com a direção do PSDB, o senador Roberto Rocha, já rompido com Flávio Dino, dá um chega pra lá em Brandão e assume o comando do ninho tucano maranhense.

Carlos Brandão (PRB), governador em exercício do MA, enquanto Flávio Dino tira férias

Carlos Brandão foi para o PRB e levou quase todos os prefeitos do PSDB. Mostrou, novamente sua liderança, que o cacifou para novamente ser o vice do PCdoB. Agora, numa demonstração de confiança, Flávio Dino assume o governo e em seguida o deixa com o vice Carlos Brandão, enquanto tira férias. Sobre essa relação de confiança, a mudança no secretariado e temas melindrosos, como as divergências ideológicas de Flávio Dino com Jair Bolsonaro, que O Imparcial conversou com o governador em exercício.

O Imparcial – Carlos Brandão, vice-governador, na primeira semana do novo mandato, na titularidade do cargo, qual a sua agenda nessa largada da administração?

Brandão – Agenda de Rotina. Recebendo secretários, prefeitos, definindo ações imediatas, dialogando com autoridades, visitando obras e entregando algumas que estão prontas. No mais, é levar a rotina do governo dentro da normalidade.

Qual a conclusão que se pode tirar do fato de o governador Flávio Dino ter tirado férias logo nessa primeira semana do novo mandato e deixado o governo com o senhor?

Normal. Ele já havia programado as férias. Ele precisava descansar do período tenso da campanha, e eu estou fazendo o meu papel. Conheço toda a estrutura do governo, sei sobre o andamento das ações, a equipe é a mesma e a confiança é reciproca. Vai haver pequenas mudanças, porque ele mesmo tem aprovação elevada, sendo considerado pela 3ª vez o melhor governador do Brasil, pelo Portal G1, portanto não tem que mudar muita coisa. O resultado disso foi refletido nas urnas.

O fato de Flávio Dino ter sido eleito por 16 partidos, agora, no começo do mandato, não gera muita dificuldade na divisão de cargos e de espaço no governo?

O governador vai considerar a seguinte premissa: o governo está dando certo e vamos manter esses acertos. Porém, há necessidade de ajustar algumas pendências relacionadas aos partidos que entraram na coligação. Mas sem na necessidade de desmontar o governo, mas sim fazê-lo andar até melhor do que tem sido até agora, sem muita mudança.

Raimundo Borges e Celio Sergio, de O Imparcial, em bate-papo com o governador em exercício, Carlos Brandão

No dia da posse, Flávio Dino falou em mudança, mas apenas em fevereiro. Já existe um cronograma ou uma relação de nomes que serão trocados no governo ou a extensão da reforma administrativa?

Ele disse que ria esperar a definição do governo federal. Agora, que o presidente Bolsonaro já definiu o tamanho do Estado, com apenas 23 ministérios, também aqui tem pontos a considerar: a adequação da estrutura estadual à federal, a questão partidária da coligação e, finalmente, manter o que está dando certo. Como é uma área sensível, ele só vai tratar desses temas quando retornar das férias.

O senhor hoje é do PRB, partido da Base do governo Bolsonaro, também alinhado com a candidatura de reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), o que Carlos Brandão pretende fazer em articulação nesse meio de campo, como vice-governador do PRB? Também levando-se em conta as oposições antagônicas de Flávio Dino com Jair Bolsonaro.

A posição do nosso partido em Brasília é uma coisa. No Maranhão é outra realidade política. Minha posição é ao lado do governador Flávio Dino, já em Brasília, o PRB apoia o presidente Bolsonaro. Quanto a postura ideológica dos dois, tem que haver uma relação institucional de governantes em nome da democracia e do povo. No governo Michel Temer, aliado do grupo Sarney, participei de várias reuniões com ministros deles em nome do Maranhão, e deram resultado. Com o Ministério das Cidades, por exemplo, consegui a liberação de R$ 42 milhões para a estação de Tratamento de Esgoto do Vinhais. Existem a questão ideológica, mas o que precisamos fazer é manter uma boa relação institucional. Quando o governador não puder ir, eu vou.

O presidente Bolsonaro não deixou de demonstrar ressentimento pelo fato de nenhum dos governadores do Nordeste ter participado de sua posse. Isso pode prejudicar essa relação com os governadores da região, mesmo de forma institucional que o senhor fala?

Pela posse em si, acho que não. É um dia complicado para todos os governadores, que também estão assumindo seus cargos. Foi ainda o dia do reveillon, tornando-se difícil alguém largar a posse para viajar à Brasília. Poucos foram os governadores que compareceram à posse do presidente.

Como o senhor vai se comportar durante esse novo mandato, o último de Flávio Dino? O Já pensa, por exemplo, em ser candidato ou numa articulação dentro do grupo flavistas?

Vamos nos conduzir do mesmo jeito desses quatro anos passados. Meu projeto é ajudar Flávio Dino a fazer um bom governo. Esse é meu foco. Quanto ao futuro, tudo vai ficar para ser debatido no tempo certo. Prefiro nem tratar desse assunto, pois estamos apenas há cinco dias do novo governo. A pauta é segurança, saúde, educação e produção. Só isso.

Flávio Dino, ao tomar posse na Assembleia Legislativa, chegou a elogiar sua postura, como companheiro de chapa. Como o senhor viu essa posição?

Nossa relação é de respeito, colaboração e de amizade. Fui eleito vice-governador, sem nunca pensar em fugir disso. Tentar ocupar o cargo de governador seria uma insanidade, desrespeito ao Maranhão e aos eleitores. Temos uma relação tranquila, já assumir setes vezes e ele sempre diz: “Faz o que tu achares que tem que fazer”. O que ele falou foi uma demonstração de confiança que não é de agora. Afinal, somos bons parceiros.

Fonte: O Imparcial

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