Flávio Dino manda reforço policial para as áreas dos índios Awá-Gujá

Por Raimundo Borges

Pelo twitter, o governador Flávio Dino anunciou, ter determinado reforço policial para apoiar a luta dos índios Awá-Guajá, ameaçados de terem suas terras invadidas, no Maranhão. Ele disse ter recebido pedido da Funai. Também o MPF do Maranhão pediu medidas urgentes do governo federal para evitar invasão na área dos awa-guajá. Os índios estão em pé de guerra.

Terra dos índios awá-guajá fica na região mais preservada do que resta da floresta amazônica no Maranhão e que agora está ameaçada por posseiros.

Os índios awa-guajá estão mobilizados para buscar proteção. Alguns vestem roupas camufladas, são de um grupo que eles chamam de vigilantes da floresta e que monitoram.

A terra Awá-Guajá está na região mais preservada do que resta da Floresta Amazônica no Maranhão e que agora está ameaçada por posseiros. A Funai diz que o desmatamento avança e já tem gado pastando dentro da área demarcada.

Na madrugada de quinta-feira (17), a Polícia Rodoviária Federal apreendeu um caminhão de toras de madeira extraída ilegalmente da área indígena.

Nesta sexta-feira (18), uma reunião discutiu estratégias para proteger a área de novas invasões com a participação de lideranças indígenas de tribos da região, ONGs que defendem os direitos dos índios e ativistas.

Os índios awa-guajá habitam uma área quase do tamanho da cidade do Rio de Janeiro na divisa do Maranhão com o Pará. São cerca de cem índios. Muitos vivem isolados e nunca tiveram contato com o homem branco.

“A terra indígena Awa-Guajá teve todo o seu processo concluído. Hoje, qualquer ocupação, invasão, volta das pessoas para essa terra, é inconstitucional, é ilegal”, afirma a líder indígena Sonia Guajajara.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, já garantiu que o governo vai respeitar os territórios indígenas demarcados legalmente. Como é o caso da reserva dos awa-guajá.

A área foi regulamentada como terra indígena em 2005. Em 2014, 427 famílias que ocupavam a área foram retiradas e realocadas em assentamentos na região. E enquanto outros posseiros estão invadindo a terra indígena, as famílias que foram retiradas de lá dizem que cinco anos se passaram e ainda falta estrutura para que elas continuem com o plantio de subsistência que tinham na área onde viviam. Alguns ainda estão em barracas de palha improvisadas.

Em depoimentos gravados nesta semana, assentados reclamam da situação. “O Incra prometeu tantas e tantas coisas para nós: água potável, unidade básica de saúde, unidade escolar, energia, casa, terra cortada. E hoje, eles estão fazendo o que com nós? Jogaram nós aqui, largaram de mão, como indigente”, diz um assentado.

“O que ficou restando foi essa casinha de palha aqui, que foi nós mesmos que fizemos. Eles deram foi até uma lona para a gente fazer, mas se fosse na lona já tinha se acabado há muito tempo”, afirma outro.

O Incra informou que 60 famílias ainda não foram assentadas porque não quiseram morar em outra região. E informou ainda que está tentando resolver o problema da falta de estrutura nos assentamentos, mas que depende de repasses do governo federal que ainda não foram feitos.

O Ministério da Agricultura declarou que a nova estrutura da pasta, que contempla o Incra, só passa a valer no dia 25 de janeiro e que, por este motivo, não sabe responder sobre os repasses de verbas.

Conflitos Awá-Guajá: Invasões de Terras Indígenas e Ação do Greenpeace

Os Awá-Guajá, também conhecidos como Guajás, são pertencentes a uma tribo indígena que habita o noroeste do Maranhão e parte do Pará. Conhecidos por manterem um estilo de vida nômade e baseado na coleta, parte desses índios teve contato com a FUNAI no ano de 1973.

O grupo indígena é considerado bastante tradicional já que obtem o seu alimento a partir, principalmente, da caça e de outros métodos baseado em crenças ancestrais. Entretanto, o que tem chamado a atenção das autoridades nos últimos anos são os constantes conflitos entre os índios e madeireiros, pecuaristas e até mesmo agricultores da região.

Os conflitos, que são geralmente causados por invasões, são tão violentos que levaram a organização Survival International a classificar os Awá-Guajá como a tribo mais ameaçada em todo o mundo. Esse litigio também atraiu a atenção do Greenpeace, que divulgou, em conjunto com outras organizações da sociedade civil, uma nota pública em apoio à desintrusão da Terra Indígena Awá-Guajá, no norte do Maranhão.

Eles pedem a retirada de todas as pessoas não-índias que invadiram a Terra Indígena, o que se deveria ao cumprimento do artigo da Constituição, que reconhece e garante aos índios direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Isso porque, além das invasões, os Awá têm sofrido com roubo de madeira, grilagem e o desmatamento.

Embora esse problema pareça tão distante de nós, saiba que é possível, sem sair da sua casa, contribuir para a resolução dos Conflitos Awá-Guajá e que eles tenham as terras de sua reserva desocupadas. Para saber mais sobre a ação que vem sendo mobilizada pelo Greenpeace, clique aqui.

Mas e você, o que achou da iniciativa? Qual é a sua opinião em relação aos conflitos envolvendo o grupo Awá-Guajá? Deixe o seu comentário aqui no blog Essas e Outras.

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