Governo da Venezuela barra entrada de eurodeputados convidados por Guaidó

Chancelaria alega ‘fins conspiratórios’ para veto de europeus; senador americano Marco Rubio visita fronteira a dias de entrada prevista para ajuda internacional

CARACAS E CÚCUTA — O governo da Venezuela proibiu a entrada de seis eurodeputados conservadores que viajaram neste domingo ao país a convite do líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por 49 países. Do aeroporto, os deputados denunciaram o veto ao ingresso e a expulsão “sem justificativa”. Enquanto isso, um dos principais mentores da estratégia do governo americano para a Venezuela, o senador Marco Rubio, chegou a Cúcuta, na Colômbia, onde está sendo armazenada a ajuda internacional que, segundo Guaidó, entrará na Venezuela no próximo sábado, 23 de fevereiro.

— Estamos sendo expulsos da Venezuela. Reteram nossos passaportes, não nos comunicaram a razão da expulsão, nem temos nenhum documento que justifique por que nos mandam para fora do país — ressaltou o deputado espanhol Esteban González Pons, que encabeçava a delegação.

Ao saber do veto, Guaidó criticou que os eurodeputados tenham sido expulsos por um regime “isolado e cada vez mais irracional” e culpou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por “elevar o custo” da transição democrática.

“É o usurpador (do poder, Maduro) quem eleva o custo do que é um fato: a transição. Exerceremos toda a pressao necessária para conseguir o fim da usurpação. Seguimos!”, escreveu o presidente da Assembleia Nacional (AN) no Twitter.

Em vídeo gravado no aeroporto internacional de Maiquetía, González Pons e seus companheiros de viagem explicaram que viajaram à Venezuela com convite oficial do Parlamento, de maioria opositora e presidido por Guaidó.

Além do deputado espanhol, não puderam entrar no país os também espanhóis José Ignacio Salafranca, Gabriel Mato Adrover e José Salafranca, assim como a holandesa Esther de Lange e o português Paulo Rangel. Todos são membros do Partido Popular Europeu (PPE), conservador.

— Éramos a primeira delegação internacional que ia visitar o presidente interino Juan Guaidó. Não se trata de deixar nós entrarmos, mas sim de não deixar que o presidente interino veja qualquer autoridade de fora da Venezuela — assegurou González Pons, que ressaltou ter sido convidado por “um órgão constitucional venezuelano reconhecido internacionalmente”.

Segundo o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, o governo de Caracas havia notificado “há vários dias” os membros do Parlamento europeu de que “não seriam admitidos”. Arreaza justificou que os europeus iriam ao país “com fins conspiratórios”.

“Por vias oficiais diplomáticas do governo, foi notificado há vários dias um grupo de eurodeputados que pretendia visitar o país com fins conspiratórios que não seriam admitidos, e foi instado a desistir (da viagem) e evitar nova provocação”, escreveu ele no Twitter.

Os eurodeputados pretendiam se reunir com Guaidó, a seis dias da operação que o opositor lidera para obter a entrada no país de ajuda humanitária nas fronteiras com Colômbia e Brasil e da ilha de Curaçao. A aposta é de que a ação sensibilize militares, hoje fechados com Maduro no poder e responsáveis pelo que passa ou não das divisas.

Barrados no aeroporto, os deputados tentarão entrar no país no próximo sábado a partir da fronteira da Colômbia, assim como a ajuda humanitária. O objetivo é também se reunir com ONGs locais e tentar visitar o opositor Leopoldo López, em prisão domiciliar. González Pons pediu que a União Europeia abandone o grupo de contato e retire as credenciais de embaixadores de Maduro.

Rubio e ‘Venezuela livre’ na fronteira

O ingresso da assistência é tema sensível na Venezuela dada a severa escassez de medicamentos e bens essenciais. O governo bolivariano bloqueia a entrada da ajuda por considerá-la um “show” para embasar uma invasão militar dos Estados Unidos. Maduro se diz vítima de um complô internacional para derrubá-lo do poder.

Neste domingo, o senador republicano Marco Rubio chegou à fronteira da Colômbia com a Venezuela para supervisionar os preparativos da operação de ajuda. A delegação americana visitou a cidade de Cúcuta, onde medicamentos, alimentos e outros suprimentos são estocados.

Mentor da estratégia de Trump para a Venezuela, Marco Rubio alertou que haverá “severas consequências” caso Maduro atue contra Guaidó. Em entrevista transmitida pela televisão americana, o senador se negou a dizer se apoiaria uma ação militar contra Caracas, mas apontou que os EUA não tolerariam lesões ou detenções de opositores.

— Há certos limites, e Maduro sabe quais — ressaltou à rede CNN o senador pela Flórida, que também alertou o governo bolivariano contra ações prejudiciais a funcionários de Washington no país — As consequências serão severas e serão rápidas.

Segundo o senador, que usou um boné “Venezuela Livre” durante a visita, os EUA vão responder caso os trabalhadores e voluntários da assistência humanitária sejam alvos das forças venezuelanas. Foi Rubio quem falou no ouvido de Trump, desde o início da Presidência, sobre o governo de Maduro e a necessidade de os Estados Unidos assumirem a liderança na questão. Também foi Rubio, junto ao vice-presidente Mike Pence e outros, que pediu para o presidente apoiar algum líder da oposição no intuito de fazer Maduro cair.

A delegação americano incluiu o embaixador dos EUA para a Organização dos Estados Americanos (OEA), Carlos Trujillo, e o deputado republicano Mario Diaz-Balart, da Flórida.

Fonte: O Globo

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