Bancada pressiona ministro sobre estrago nas rodovias federais do Maranhão

Por Raimundo Borges

Ao visitar sexta-feira parte da duplicação da BR-135, entre o Estreito dos Mosquitos, em Bacabeira, e Miranda do Norte, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas ouviu da bancada federal – deputados e senadores –, reclamações sobre praticamente todas as obras que a pasta dele realiza no Maranhão, em rodovias. São, no total 3.700 km de malha rodoviária federal no Estado, dos quais, 3.500 km estão asfaltados, mas algumas dessas vias enfrentam problemas de toda ordem, agravados em razão das chuvaradas deste ano.

Também o presidente da Fiema, Edilson Baldez foi ao encontro do ministro Tarcísio com um documento já entregue à bancada do Maranhão no Congresso e ao vice-governador Carlos Brandão, cobrando providências do DNIT sobre a situação dramática da BR-135. (Veja matéria baixo)

O trânsito de carretas pesadas agrava a situação  do asfalto da BR-135, com alguns trechos quase intransitáveis. Ela recebe uma média diária de mil carretas, quase todas transportando cargas com sobrepeso, por falta de controle de balanças.  Tal fato provoca danos à camada asfáltica. Na época de escoamento da safra de grãos, o numero de carretas dobra, para dois mil diários, segundo informou o vice-governador Carlos Brandão.

O trânsito de caminhões e carretas pesadas agrava a situação  do asfalto da BR-135

O vice-governador conversou, também em participar com o ministro para expôs, em detalhes, essa e outras situações das rodovias. Não deixou de fora a reclamação sobre a discriminação do Maranhão no valor do orçamento do Ministério para recuperação das estradas federais, que ficou com apenas um terço, em comparação com os demais estados do Nordeste, desde o governo Michel Temer.

Os problemas da BR-135 estão por toda parte, no trecho maranhense. A duplicação do Campo de Periz, que durou quase 10 anos, ficou incompleta, pois a parte da entrada em São Luís permanece em estado calamitoso, de tantos buracos. O trecho de Periz de Baixo até a entrada da BR-402, em Rosário, é de baixa qualidade, mesmo tendo custado a fabulosa soma de R$ 503 milhões. Existe ainda uma pendência no trecho, considerado área ambiental, perto de Santa Rita. A licença concedida pela Secretaria do Meio Ambiente foi questionada pelo Ministério Público Federal.

Territórios quilombolas

São 40 quilômetros da duplicação da BR-135, que cruzam a área habitada por 23 comunidades quilombolas, as quais precisam ser ouvidas e terem seus direitos reparados, pela interferência da rodovia. O outro trecho, entre Entroncamento e Miranda do Norte está em semiparalisada pela construtora do empresário Luciano Lobão, filho do ex-senador Edison Lobão. O TCU teria encontrado irregularidades. Assim também, a mesma empreiteira que ganhou a licitação de 100 quilômetros da BR-226, entre Presidente Dutra e Timon, só 25 quilômetros e o resto está abandonado.

Todos esses problemas foram levados ao conhecimento do ministro pelos deputados e senadores. Eduardo Braide chegou a fazer um pronunciamento na Câmara, cobrando providências, a exemplo de outros parlamentares, como a senadora Eliziane Gama, que participou da visita dele à BR-135. Ficou acertado que o Ministério de Tarcísio vai verificar os projetos e o andamento das obras. A empresa que não cumprir o contratado será considerada inidônea, ficando banida de participação em obras federais, conforme anunciou o ministro, mostrando que agora o jogo será duro.

Porto não será privatizado

Tarcísio Freitas foi questionado sobre a boataria relativa a privatização do Porto do Itaqui, administrada pela EMAP, do governo do Maranhão. Ele disse que existem oito portos no Brasil que são prejuízo ao governo, alguns sem recursos nem para pagar a folha de pessoal. Esses serão privatizados, o que não é o caso do Itaqui, no qual só a iniciativa privada tem investimentos superiores a R$ 1 bilhão.

O governo federal pretende interligar a ferrovia Norte-Sul, com a outra que demanda de Mato Grosso, o que vai permitir aumento substancial de escoamento de grãos, do estado maior produtor do Brasil, pelo Porto do Itaqui. Hoje, segundo Carlos Brandão, o Itaqui conta com quatro armazéns de 125 mil toneladas, mas que vai receber investimentos para construção de mais oitos armazéns, ficando com 12 do mesmo tamanho dos atuais.

Fiema também cobra do ministro providências sobre a BR135

Edilson Baldez entrega documento por melhorias na BR-135, ao ministro de Bolsonaro

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), Edilson Baldez das Neves, acompanhou a vistoria técnica realizada pelo ministro de Infraestrutura do governo federal, Tarcísio Gomes de Freitas, à BR 135, nesta sexta-feira, 8 de março. A rodovia é a principal saída da cidade de São Luís, capital do Estado, e essencial para a circulação de cargas das indústrias e do comércio do Maranhão.

Baldez, representando o setor industrial, entregou documento ao ministro, sinalizando os entraves para o desenvolvimento econômico causados pelo atraso nas obras de duplicação da via e destacou, por exemplo, que o trecho que vai da Estiva a Bacabeira foi liberado para uso em janeiro de 2018 e, apenas um ano depois, já se encontra com buracos, fissuras e depressões, o que vem causando problemas aos usuários e danos à economia do Maranhão.

“A obra de duplicação da BR 135 sempre esteve em pauta na Casa da Indústria. Por meio do Conselho Temático de Infraestrutura e Obras da entidade, já pedimos tratativas junto ao DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte, junto ao governo federal, e pedimos apoio à bancada maranhense em Brasília, que está mobilizada em encontrar soluções para o problema”.

O documento, que no início de fevereiro também foi entregue à bancada maranhense, pede a intervenção junto ao DNIT no sentido de que este determine ao Consórcio Serveng – Aterpa, detentor do Contrato nº UT 154.00620/2012 de duplicação da rodovia BR-135 (trecho Estiva-Bacabeira) a imediata recuperação da importante via, entregue em janeiro e já com problemas.

O ofício frisa, ainda, que os trabalhos de obras na BR estão ainda condicionados à execução dos contratos nº 387/17, referente ao Lote 02, trecho Bacabeira – Outeiro (Empresa Edeconsil) e nº 005/17, Lote 093, trecho Outeiro – Miranda do Norte (Empresa HITECH), os quais estão na Fundação Palmares, por conta de quilombos que estão utilizando a faixa de domínio da referida estrada, com prejuízos para o Maranhão. No total, cerca de R$ 500 milhões já foram gastos na duplicação.

O documento foi entregue em reunião na Superintendência Regional do DNIT, na presença de deputados federais maranhenses e do vice-governador do Estado do Maranhão, Carlos Brandão. “A bancada federal nos trouxe os problemas na obra de duplicação da BR-135 e estivemos no local para ver de perto o que está acontecendo”, ressaltou Tarcísio Freitas.

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