AVC EM JOVENS ESTÁ AUMENTANDO: DOENÇA É MAIS PERIGOSA ANTES DOS 45 ANOS

 

A idade está entre os principais fatores de risco do AVC (acidente vascular cerebral), logo, o problema é menos comum em jovens do que em idosos. No entanto, pesquisas mostram que o número de pessoas mais novas com a doença tem aumentado, o que merece atenção, já que essa é uma das condições que mais provoca mortes no Brasil e no mundo.

Um estudo feito nos EUA e publicado no Journal of American Heart Association, por exemplo, revela que entre 2000 e 2010 houve uma elevação de 44% nos casos de AVC em indivíduos com idade entre 25 e 44 anos. No Brasil, umas das pesquisas de maior alcance a respeito foi feita em Santa Catarina. Publicado no periódico Stroke, trabalho científicocoordenado pelo neurologista Norberto Luiz Cabral, professor da Univille (Universidade da Região de Joinville), apontou que no período de dez anos a incidência de derrame na população com menos de 45 anos aumentou 62%.

Por que o número de AVC em jovens está aumentando?

A rotina cada vez mais estressante, a obesidade e hábitos de vida pouco saudáveis, como sedentarismo, má alimentação –repleta de frituras, fast-food e produtos ultraprocessados — e o uso excessivo de álcool e de drogas estão entre os principais responsáveis pelo aumento do número de AVC em jovens.

“Além disso, muitos casos têm sido identificados precocemente devido à evolução da medicina e melhora no diagnóstico”, explica José Renato Bauab, neurologista do Hospital do Coração (HCor).

Um derrame em um jovem é mais grave?

Vale lembrar que um AVC acontece quando vasos que levam sangue até o cérebro entopem ou se rompem. Isso provoca paralisia da atividade cerebral na área que ficou sem circulação sanguínea, o que causa déficits e complicações nas funções do corpo. A gravidade e as sequelas geradas pelo derrame dependem de alguns fatores, como seu tipo (isquêmico ou hemorrágico), sua localização e sua extensão no cérebro. Por isso, não dá para cravar que todo derrame é mais perigoso em jovens do que idosos.

Porém, o aumento da pressão intracraniana, decorrente do edema (inchaço) que o cérebro apresenta na fase aguda do AVC, costuma trazer maior repercussão e maior risco de morte em jovens. Isso acontece porque essas pessoas têm menor complacência ao aumento da pressão intracraniana. “Com o passar da idade, há redução no volume do cérebro, fazendo com que exista maior espaço dentro do crânio, permitindo assim maior tolerância ao inchaço em idosos”, explica Eli Evaristo, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Outro fator que pode tornar um AVC mais severo em pessoas abaixo de 45 anos é que, conforme a idade avança, o cérebro tende a “criar” novos vasos sanguíneos, para driblar problemas na circulação do sangue trazidos pelo diabetes, hipertensão etc. Isso traz uma proteção natural ao tecido cerebral, pois quando um vaso se rompe ou entope no AVC, há outros “caminhos” que permitem que o sangue continue sendo distribuído.

Quais são as principais sequelas de um AVC?

Como falamos, as sequelas não estão diretamente relacionadas com a idade. No entanto, como os jovens estão em uma fase da vida mais ativa do que idosos, mesmo as menores repercussões podem trazer grandes modificações na rotina. “A repercussão funcional de um AVC é grande. Cerca de 70% dos sobreviventes têm algum prejuízo funcional causado pela doença e cerca de 30% têm incapacidade para locomoção de forma independente”, diz Eli Evaristo.

Um derrame pode trazer problemas como:

  • Comprometimento da movimentação do corpo (déficit motor);
  • Comprometimento da sensibilidade física (dormência);
  • Dificuldade na fala e na compreensão (afasia);
  • Déficit de memória;
  • Agnosia visual (incapacidade da pessoa de reconhecer objetos e pessoas pela visão, apesar de ela não ter sido comprometida);
  • Alteração da coordenação e do equilíbrio;
  • Lesões no tronco cerebral (atinge centros responsáveis por atividades vitais, como a respiração);
  • Outras alterações neuropsicológicas (alterações comportamentais, depressão e transtorno de estresse pós-traumático).

Como é a reabilitação e o tratamento?

Quanto mais jovem é a pessoa acometida por um AVC, maior é a capacidade de regeneração. “O cérebro de alguém mais jovem consegue mais facilmente fazer com que áreas que não trabalhavam em determinada função a assumam — chamamos isso de plasticidade neuronal”, explica a neurologista Gisele Sampaio, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

As estratégias para reabilitação, em princípio, são as mesmas para jovens e idosos:

  • Fisioterapia;
  • Fonoaudiologia;
  • Suplementos/medicamentos;
  • Aparelhos de reabilitação neurológica com auxílio tecnológico e realidade virtual;
  • Neuromodulação;
  • Fisiatria.

O que ajuda a evitar um AVC?

A principal forma de prevenir o problema é combatendo os fatores de risco modificáveis. Portanto, o recomendado é praticar atividades físicas regularmente, manter uma boa alimentação, não fumar, reduzir o estresse, controlar o peso corporal, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool.

Fonte: Viva Bem – Uol

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