OPOSIÇÃO TENTA ACUAR DINO NO MA, QUE PREFERE DEBATE COM BOLSONARO

 

Com apenas seis meses no segundo mandato e três anos e meio para termina-lo, Flávio Dino tem ainda muito que fazer para encerrar seu ciclo no Palácio dos Leões, e tempo de sobra para definir o seu futuro político. Veja matéria publicada em O Imparcial (domingo passado) e atualizada com novos dados por este site

Por Raimundo Borges

Ao chegar ao sexto mês do segundo mandato à frente do governo do Maranhão, Flávio Dino está encarando uma oposição diminuta, mas barulhenta. Os deputados federais Aluísio Mendes e Edilázio Júnior, ambos com ligações de origem nos respectivos mandatos, com o hoje desmobilizado grupo Sarney, assumiram uma postura de contundência, tanto na Câmara quanto no Maranhão. Já é o ensaio das disputas eleitorais de 2020 e, principalmente, as gerais de 2022.

Na Assembleia Legislativa, a oposição mais inticante fica por conta dos deputados César Pires, Adriano Sarney, líder do bloco de oposição, e Wellington do Curso, que muito fala na tribuna, mas pouco consegue provocar maiores consequências ou resposta igualmente dura do bloco governista. Esta semana, Aluísio e Edilázio conseguiram levar à comissão de Segurança da Câmara os delegados da Polícia Civil, Ney Anderson e Tiago Bardal, sobre denúncias dos próprios parlamentares, de supostos grampas contra desembargadores e políticos do Maranhão em 2018.

Deputado Adriano Sarney, líder da oposição na Assembleia Legislativa

Ainda na semana passada, os mesmos deputados, contando com a presença de outros da base governistas, como Márcio Jerry, Gastão Vieira e Bira do Pindaré, visitaram o Porto do Itaqui. Aluísio e Edilázio compareceram à Empresa de Administração Portuária, gerenciada pelo governo, como membros da Comissão de Fiscalização de Controle da Câmara. E também com a anuência do deputado estadual César Pires, opositor ranzinza de Dino na Alema.

Sem sobressaltos

Foi uma visita técnica, na qual ouviram, em mesa-redonda, a exposição de técnicos e do presidente da Emap, Tede Lago, na qual o grupo foi informado tanto sobre o desempenho da empresa desde 2015, os investimentos e resultados de crescimento mesmo diante da crise econômica. Não ficaram de fora nem os dados sobre a Operação Draga, da Polícia Federal que, desde 2017 até hoje não apontou irregularidade. Segundo o presidente Ted Lago e o deputado federal, Márcio Jerry, presente à visitação ao Porto, o inquérito da PF foi enviado à Polícia Civil do Maranhão.

Também nesta terça-feira (11) o governo do Maranhão informou que, ao contrário do que vem propalando deputados de oposição, como Edilázio Júnior (federal) e César Pires (estadual), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas até o fim de 2019, o Porto do Itaqui terá ampliada a sua área de jurisdição sob o controle da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), com base na revisão de sua poligonal. Significa fortalecer o pal da Autoridade Portuária e atrair mais investimentos privados para o porto público do Maranhão, um dos maiores do país em volume de movimentação de cargas.

 

Ao contrato do que diz Edilázio Júnior, Porto do Itaqui terá ampliada a sua área de jurisdição sob o controle da Emap

Atuando na outra ponta, os mesmo deputados, juntos com o emedebista Hildo Rocha, foram na semana passada visitar o Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA) e as comunidades quilombolas e de pescadores residentes no entorno da Base. O objetivo é recolher informações sobre o uso do CLA pela Agência Especial dos Estados Unidos (Nasa), que vai operá-la comercialmente com lançamentos de foguetes e satélites, conforme o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), celebrado entre os governo Jair Bolsonaro e Donald Trump, que precisa ser homologado pelo Senado.

A visita foi proposta pela deputada federal Luzia Erundina e o colega de parlamento, Márcio Jerry, ambos da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. Objetivo é analisar ponto por ponto os detalhes do AST. Mas isso não foi uma divisão local entre governistas e oposicionistas. O que existe é o parecer do deputado Hildo Rocha (MDB) que, como relator do acordo, é totalmente a favor. Aliás, também Flávio Dino o defende, mas na condição de que ele beneficie diretamente as 42 comunidades quilombolas de Alcântara, posição defendida, igualmente, pelo deputado Gastão vieira (Pros). O governador prefere entrar num debate político nacional, provocando e chamando Bolsonaro e seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, para o ringue. Eventuais candidatos em 2022.  

Portela irremovível

Toda essa movimentação ocorrida no Maranhão, na Câmara e na Assembleia Legislativa não provocou reação por parte de Flávio Dino. Ele fez alterações em quatro secretarias, mas nem de longe especulou-se, por exemplo, eventual exoneração do secretário de Segurança, Jefferson Portela, denunciado por Aluísio, Ediásio e delegados acusados de crimes, de grampear desembargadores do Tribunal de Justiça e políticos de oposição. O próprio TJ tem acompanhado o desenrolar desse processo, mas sem provocar estremecimento na relação com o Palácio dos Leões.

Esta semana, o senador Roberto Rocha, outro opositor de Flávio Dino prometeu entrar na questão dos supostos grampos. Em maior ele já pedira, por ofício ao presidente do Senado Davi Alcolumbre providências para que a Polícia Federal entre no caso, que teria ocorrido durante a campanha de 2018, na qual Rocha disputou o governo e ficou em minguados 2% dos votos, contra 59,29% de Flávio Dino.

Marcando posições para 2022

Hoje, faltando três anos e meio para as eleições de 2022, Flávio Dino não poderá ser mais candidato ao cargo de governador e Roberto Rocha estará encerrando os seus oitos anos de senador. Significa que ele pode optar por nova disputa ao Palácio dos Leões, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, mesmo sendo do PSDB, enquanto Flávio Dino se projeta politicamente no país como uma opção das esquerdas a concorrer ao Palácio do Planalto contra o próprio Jair Bolsonaro.

Esses fatos embora distantes, já mostram que até 2022, o governo do PCdoB vai enfrentar uma oposição, reduzida numericamente,  mas cada vez mais dura tanto na Assembleia Legislativa, quanto no Congresso Nacional. São hoje bolsonaristas, esquecendo-se que até pouco tempo eram sarneístas. Roberto Rocha tenta ocupar um espaço estadual, com participação em reuniões, encontros e conversações permanentes com lideranças do interior do Maranhão. Sempre se expondo como aliado fiel de Bolsonaro, com Flávio Dino atuando na outra ponta, rebatendo posições, projetos e posturas políticas do presidente do PSL.

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