PRISÃO DOS “HACKERS”, O QUE SE SABE ATÉ AGORA E AS PERGUNTAS SEM RESPOSTA

 

Walter Delgatti Neto, uma das quatro pessoas presas na terça, disse à PF, de acordo com jornal, que foi a fonte do material publicado pelo ‘The Intercept’

Os quatro detidos desde terça-feira suspeitos de hackear os celulares de autoridades, entre elas do ministro da Justiça, Sergio Moro, e de jornalistas também invadiram os aparelhos do presidente Jair Bolsonaro, segundo o Ministério de Justiça. De acordo com as informações divulgadas por diferentes órgãos, os acusados de formarem uma quadrilha para realizar crimes cibernéticos hackearam até 1.000 autoridades, desde o magistrados das cortes superiores até o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Quem ordenou as prisões executadas pela Polícia Federal na terça-feira, como parte da Operação Spoofing, foi o juiz federal de Brasília Vallisney de Oliveira. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, um dos presos, Walter Delgatti Neto, de 30 anos, confessou à PF ter sido a fonte do material repassado ao site The Intercept. O conteúdo, que embasou reportagens publicadas pelo site e por outros veículos, contém diálogos mantidos no auge das investigações da Lava Jato entre o então juiz federal Moro e o procurador Deltan Dallagnol. O The Intercept diz ter recebido o material de uma fonte anônima. Segundo Folha, Delgatti afirmou que foi ele quem passou, de forma anônima, o material ao fundador do site, Glenn Greenwald, sem cobrar por isso

Quem são os supostos hackers?

Um dos detidos pela PF é Walter Delgatti Neto, conhecido como Vermelho, de 30, que se diz “investidor” e já foi preso por falsidade ideológica e tráfico de drogas. Ele foi detido em Araraquara e, em depoimento prestado à polícia na quarta-feira, confessou que tentou invadir a conta de Moro no Telegram e disse que deu, de forma anônima e gratuita, ao jornalista e Glenn Greenwald, fundador de The Intercept, acesso a informações obtidas no aplicativo. Os investigadores, no entanto, tratam a declaração com cautela, segundo o jornal O Estado de São Paulo, já que Delgatti Neto é apontado como estelionatário e todo o seu relato será investigado. O juiz Vallisney Oliveira autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Delgatti Neto e dos demais presos, todos naturais de Araraquara, cidade paulista a 275 km da capital.

Delgatti Neto também era filiado ao partido Democratas (DEM). Nesta quarta-feira, o partido determinou, por meio de nota, a expulsão do acusado, enfatizando que o suposto hacker “não tem participação ativa na vida partidária da legenda”.

O ex-DJ Gustavo Henrique Elias Santos, de 28 anos, detido em São Paulo, disse ao seu advogado que Delgatti Neto mostrou-lhe mensagens de autoridades obtidas ilicitamente, mas tanto ele quanto sua mulher, Suellen Priscila de Oliveira, de 25 anos, também detida, negaram envolvimento no caso. Santos já havia sido preso por receptação e falsificação de documentos, mas Oliveira não tinha passagem pela polícia.

O outro preso é Danilo Cristiano Marques, ex-motorista de Uber, de 33 anos, condenado no passado por roubo. Em depoimento prestado na quarta-feira, ele negou qualquer participação nos crimes.

Quem são os outros seis investigados?

Além dos quatro presos, a PF investiga o possível envolvimento de seis pessoas, cujos nomes aparecem vinculados às contas utilizadas na invasão ao aparelho de Moro. Os agentes rastrearam os endereços de IP (número identificador de computador na Internet) utilizados para as invasões do Telegram e conseguiram chegar aos endereços desses indivíduos. Ainda não há, no entanto, evidências da participação direta deles no caso.

Matéria completa em El País

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