SUCESSÃO DE EDIVALDO JR VIROU UM QUEBRA-CABEÇA

 

Por Raimundo Borges

A sucessão do prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior (PDT) virou um caldeirão político, com uma listagem de pré-candidatos que parece não ter fim. Obviamente que a maioria é detentora de pouca consistência política e vaga densidade eleitoral. São os já conhecidos aventureiros que aparecem a cada eleição e depois somem. Mas a política tem dessas coisas. Assim como foi a eleição de 1985, quando São Luís elegeu, por via direta, Gardênia Castelo (PDS) como primeira prefeita após o regime ditatorial de 1964, a disputa de 2020 promete ser uma tremenda confusão.

Nem o PDT, que controla as eleições da capital hás longos 31 anos, não tem hoje um nome como provável sucessor de Edivaldo Jr. Jackson Lago foi o único político a ganhar três vezes a eleição da prefeitura, morreu e não deixou herdeiro para se tornar opção nem na capital nem em outra disputa legislativa.  O grupo Sarney está ainda em pior situação hoje, pois o MDB nem sequer arrisca falar em candidatura, pelo simples fato de não existe nomes fortes.

Edvaldo Holanda Jr (PDT) segue à frente da prefeitura de São Luís até o final 2020 quando finda seu segundo mandato

Há um paradoxo eleitoral em São Luís. Nenhum candidato do grupo Sarney, que dominou o Maranhão por 50 anos, conseguiu se eleger, enquanto Jackson Lago sozinho foi eleito três vezes. São Luís era chamada de “Ilha Rebelde”, desde a eleição de Epitácio Cafeteira em 1965. Ele foi o último prefeito eleito, contra Sarney, antes de as capitais perderem novamente a autonomia política, no regime militar e tornou-se o primeiro prefeito saído das urnas na história da capital maranhense.

Dino quebrou paradigma

Daí até hoje, nenhum dos prefeitos que passaram pelo Palácio La Ravardière deixou herdeiro político de relevância eleitoral. E dentre os eleitos desde Cafeteira só Edivaldo Júnior, que termina o segundo mandato em 2020, tem conseguido trabalhar em parcerias com o governo do Estado, hoje ocupado por Flávio Dino. Edivaldo termina seis dois mandatos em 2020 e o governador só em 2022, logo terá dois anos de governo com o futuro prefeito a ser eleito no próximo pleito.

O que vale destacar é que, desde a primeira eleição direta em São Luís, apenas Epitácio Cafeteira e Jackson Lago conseguiram se eleger para outro mandato: Cafeteira foi governador do Maranhão e senador duas vezes, e Jackson, governador, mas acabou cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral no meio do mandato, por Roseana Sarney, que assumiu o posto. No entanto, nenhum dos ex-prefeitos conseguiu formar um grupo político familiar.

Epitácio Cafeteira, Gardênia Gonçalves, Conceição Andrade, Tadeu Palácio, João Castelo não elegeram familiares. Gardênia Castelo, filha do ex-prefeito João Castelo foi eleita deputada estadual, mas perdeu a reeleição quando o pai estava na prefeitura. Cafeteira deixou um sobrinho, Rogério, que também perdeu a reeleição em 2018, quando o tio já havia falecido. Jackson Lago, por sua vez, mesmo com o histórico de três vitórias eleitorais na capital e uma para o governo do Estado, não deixou ninguém como herdeiro político. O irmão Zé Luís foi fracasso estrondoso na disputa da prefeitura em 2016 e do governo em 2018.

Conceição Andrade não disputou mais nenhuma eleição, e Tadeu Palácio, que assumiu a prefeitura em 2002, como vice de Jackson Lago e depois se reelegeu, hoje vivem no ostracismo. Jackson deixou Tadeu na quase metade do mandato para concorrer ao governo, e foi eleito em primeiro turno, em 2004, apoiado pelo então governador José Reinaldo Tavares. Em 2012, ele concorreu à prefeitura e ficou com apenas 4,8% doso votos, quando Edivaldo Júnior foi eleito no 2º turno com 56% doso votos, contra o então prefeito João Castelo.

São dados que tornam a próxima eleição de prefeito da capital em verdadeiro quebra-cabeça. Hoje são aproximadamente 10 pré-candidatos que tentam aparecer como tais, sendo dois deles da Câmara – o presidente Osmar Filho (PDT), o vice, Astro de Ogum (PL) – e três deputados estaduais, Neto Evangelista (DEM), Duarte Jr (PCdoB) e provavelmente Zé Inácio (PT), além dos federais Bira do Pindaré (PSB), Eduardo Braide (Podemos) e Rubens Jr (PCdoB).

Braide confiante no taco

Resultado de imagem para deputado braide
Deputado Federal Eduardo Braide (PMN) aparece como principal nome, de acordo com pesquisas

Braide aparece na dianteira das pesquisas, mas até agora não demonstra nenhuma movimentação sobre candidatura. Ele não tem grupo de peso na política do Maranhão, faz oposição ao governo Flávio Dino, não tem aproximação com os Sarney, nem os Lobão, mas é apontado pelas pesquisas como favorito.

Uma fonte da cúpula do MDB maranhense disse ontem que Braide parece já se considerar eleito sem o apoio de ninguém. Ele foi o segundo deputado federal mais votado em 2018, com 189,8 mil votos, dos quais, 131 na capital, contra 46,6 mil votos de Duarte Jr (estadual). O comentário indica que os Sarney bem que poderiam apoiá-lo com a gigantesca estrutura de comunicação e outros instrumentos econômicos.

O que chama a atenção sobre a eleição de São Luís, a qual tem um histórico de rejeição a candidatos do grupo Sarney, que mesmo dominando a política do Maranhão por 50 anos, nunca conseguiu eleger o prefeito da capital. O último de sua lavra foi Mauro Fecury, na distante década de 70, mesmo assim nomeado pelo governador, quando não havia eleição nas capitais, na ditadura.

30 anos de Jackismo em São Luís

O PDT que até hoje mantém o domínio do Palácio La Ravardière desde a primeira eleição de Jackson Lago Lago, em 1988, não conta agora com um nome de peso para 2020. O próprio prefeito Edivaldo Jr não dá qualquer sinal de quem deve apoiar, muito menos o governador Flávio Dino, que tem pelo menos seis pré-candidatos ao seu redor, procurando abrir espaço e se viabilizarem. O presidente da Câmara, Osmar Filho é o nome mais forte no partido comandado pelo senador Weverton Rocha, mas nunca experimentou uma eleição majoritária.

Vereador Osmar Filho (PDT), presidente da Câmara, aparece como nome mais forte dentro do partido

Se não bastasse isso, o Congresso Nacional já promulgou, a Emenda Constitucional que cria uma cláusula de desempenho, a partir de 2018, para as legendas terem acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e TV. O texto também prevê o fim das coligações proporcionais, a partir das eleições de 2020. A cláusula de desempenho tem relação direta com o dinheiro do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *