ACADEMIA ANIVERSARIA

*Antônio Augusto Ribeiro Brandão

Neste dia 15 de agosto corrente, a Academia Caxiense de Letras, legítima sucessora do Centro Cultural Coelho Neto – CCCN, completará mais um aniversário de profícua existência e de relevantes serviços prestados à cultura maranhense. Com muito orgulho, sou seu membro efetivo desde 2003.

As Academias de Letras precisam de tempo para sua afirmação e prosperidade conforme pensava Joaquim Nabuco (1849-1910), que foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. É certo também que carecem de uma constante renovação, quer pelo preenchimento de vagas ou por abertura de outras, por exemplo, quando algum membro efetivo migra à categoria de honorário, como será o meu caso, dentro de poucos dias, tudo de acordo com as normas regimentais e estatutárias.

O nome “academia” tem origem numa escola fundada por Platão, em 387 a.C, “junto a um jardim a noroeste de Atenas, em terreno dedicado à deusa Atena, que segundo a tradição pertencera a uma personagem mitológica, Academo”.

A Academia Francesa, que serviu de modelo às demais do mundo todo, foi fundada por Armand Jean du Pressis, o cardeal Richelieu (1585-1642), em 1635, sob o reinado de Luís XIII de França e Navarra (1601-1643), que empresta o nome à capital maranhense; tem, portanto, 384 anos. A Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, foi baseada nesses pressupostos e já é centenária; a Academia Maranhense de Letras, fundada em 1908, também.

Assim foi, a partir da criação da Academia Francesa, que escritores e intelectuais brasileiros de todas as matizes desejaram criar uma instituição nos seus moldes, “sendo composta de 40 membros efetivos e perpétuos conhecidos como imortais, devidamente patroneados, e escolhidos entre os cidadãos que tivessem publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário”.

A Academia Caxiense de Letras – ACL, fundada em 15 de agosto de 1997, segue a regra e comemora a passagem dos seus 22 anos, tão jovem e já com relevantes serviços prestados à cultura maranhense; com sede própria, mas parcos recursos financeiros, com uma excelente biblioteca e ainda sem um jardim, abriga em seus salões os 40 acadêmicos que lhe dão vida, realiza suas sessões regulares e solenes, e as de posse dos seus novos membros dentro de ritual rico em tradições; o público tem tido acesso pleno e democrático às suas dependências e a essas atividades, além de às visitas guiadas e outras atividades de cunho recreativo-cultural proporcionadas principalmente aos estudantes .

A ACL, desse modo, dá seguimento aos diversos movimentos literários anteriormente acontecidos em nossa cidade, honrando as tradições caxienses e dando sequência aos esforços desenvolvidos em prol da cultura maranhense. Da época dos Centros Culturais, remanescem em seus quadros atuais descendentes daqueles que participaram desses movimentos, cidadãos representativos da sociedade de então e de saudosa memória.

No meu caso, que passarei à categoria de membro Honorário da ACL, abrindo uma vaga à renovação dos quadros, lembro do meu pai Antônio Brandão, que fez parte do CCCN, do meu patrono à Cadeira 39, João Guilherme de Abreu e do meu confrade Sillas Marques Serra, que fez a saudação ao meu ingresso na “Casa de Coelho Neto”, em 2003.

Considero que a Academia não faz política, mas é política na medida em que participando da vida da comunidade caxiense e conhecendo seus problemas, e através de um trabalho eminentemente cultural, procura arbitrá-los em busca das melhores soluções.

Durante minha condição de membro efetivo da ACL, tive a ventura de conseguir a edição, pela Fundação Municipal de Cultura de São Luís e pela EDUFMA, da Universidade Federal do Maranhão, de meus três livros.

“Fortes Laços”, em 2007, lançado na 1º Feira do Livro de São Luís; “Crônicas de 400 anos/Chroniques de 400 ans”, em 2012, lançado no Palácio Cristo Rei, em São Luís, na Université Lumière, em Lyon-França e na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, em Portugal, em 2014; e “Desafios à teoria econômica/Challenges to the economic theory”, em 2015, lançado, em São Luís, na Academia Maranhense de Letras e, em São Paulo, na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas.

Nas minhas viagens à França, Espanha e Portugal, em 2009 e 2014 (meus Livros também estão em bibliotecas desses países), sempre falei em nome das Academias às quais continuo a pertencer, Caxiense de Letras e Ludovicense de Letras, doravante, como membro Honorário; e da Universidade Federal do Maranhão, onde ensinei entre 1978 e 1997, quando aposentei-me, mas continuei ligado às suas atividades principalmente através da sua Reitoria.

Salve a Academia Caxiense de Letras, salve!

*Economista. Membro da ACL, do IWA e do ELOS Literários. Fundador e membro Honorário da ALL.

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