ANTECIPAÇÃO DA CAMPANHA DE 2022 DESATA GUERRA INTERNA NA OPOSIÇÃO E NO PRÓPRIO PT

 

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o senador Jaques Wagner (PT), ex-governador da Bahia, chegam ao prédio da PF em Curitiba para visita ao ex-presidente Lula nesta quinta-feira (25). Fotos: Ricardo Stuckert.

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro põe em campo seu plano para formar um governo puro sangue de milicos, meganhas e milicianos, com apoio de Donald Trump, a esquerda embarcou numa guerra fratricidra e antecipada pelo poder em… 2022.

Com a desculpa de descartar a recriação do imposto do cheque, Bolsonaro trocou o chefe da Receita Federal.

Prepara o terreno para mudar o diretor da Polícia Federal, o que deve resultar na saída do governo do ministro da Justiça, Sergio Moro.

O general tucano Guilherme Teophilo, pró-ditadura, já está sendo cogitado para substituir o ex-juiz federal.

Na PGR, Bolsonaro tenta emplacar Augusto Aras.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) nem trocou de nome — agora é a Unidade de Inteligência Financeira, lotada no Banco Central — e já havia produzido relatório comprometedor para o deputado federal David Miranda (Psol-RJ), marido do jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil.

Independentemente do conteúdo, que cabe sim ao deputado esclarecer por completo, o timing sugere tratar-se de uma vendetta contra a divulgação das conversas entre o ex-juiz Moro e procuradores da Operação Lava Jato, demonstrando que eles promoveram um golpe midiático-jurídico-parlamentar contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

Com tamanho controle sobre as instituições e o apoio do núcleo duro dos militares e da arapongagem herdada dos porões da ditadura militar (1964-1985), Bolsonaro protege seu próprio poder e as relações de sua família com Fabrício Queiroz e os milicianos suspeitos de assassinar a vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, a esquerda troca ataques públicos.

A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, deu hoje uma sapatada no pedetista Ciro Gomes.

Usou uma mensagem no twitter:

Está claro pq Ciro fugiu p/ Paris em 2018: não aceitou o jogo democrático. Respeite ao menos o eleitor, Ciro. Foi ele quem escolheu levar Haddad, e não vc, ao 2o. turno.

Haddad deu uma surra em Ciro Gomes no primeiro turno das eleições de 2018: 29,28% a 12,47%.

Ciro, em entrevista recente à BBC, havia dito que a candidatura de Fernando Haddad era uma fraude:

O Haddad é uma fraude cuja origem eu denunciei ancestralmente, porque foi transformado num vice, convidou a Manuela para ser um terceiro não sei de quê de uma candidatura do Lula. Toda burocracia do PT sabia, como todas as pedras no caminho sabiam, menos o nosso povo mais simples, que o Lula não podia ser candidato por uma lei que ele próprio colocou em vigor, a lei da ficha limpa.

E toda semana no primeiro turno o Haddad ia a Curitiba. O Brasil não precisa de um presidente por procuração. Aquilo estava perdido. Como eu ficava? Ficava aqui e a imprensa me perguntando todo dia por que eu não ia para o palanque e eu ia ter que dizer ou eu, para não atrapalhar, saía. Optei por sair. Eu sou livre. O que eu estou devendo para essa gente? Nada. Me esfolei de trabalhar, lutei, cansei de dizer para todo mundo o que as pesquisas diziam: eu, Ciro Gomes, ganharia as eleições do Bolsonaro no segundo turno.

Em outra entrevista, o líder do PDT já havia dito que Rui Costa, o governador da Bahia, seria uma candidato bem melhor que Haddad em 2002.

Rui teve uma experiência de governo relativamente exitosa. Não é um poste. Haddad perdeu a reeleição em São Paulo para João Dória, que é um grande farsante, e perdeu em todas as urnas. 100% das urnas e nem foi nem para segundo turno. Foi essa pessoa que Lula escolheu para ser um poste, um pau mandado. Não acho, francamente, que o PT da Bahia tem essa característica.

O mentor de Rui Costa, o senador Jaques Wagner, era favorável a uma aliança eleitoral em 2018, possivelmente em torno de Ciro.

Ciro, de fato, tinha chances de vencer Bolsonaro no segundo turno, indicaram algumas pesquisas.

O PT, no entanto, obedeceu à estratégia do ex-presidente Lula, que manteve sua candidatura até o final e depois tentou transferir votos para seu escolhido, o ex-prefeito Fernando Haddad.

Em entrevista à revista Veja, o governador Rui Costa retribuiu os elogios de Ciro.

Lançou-se candidato do PT ao Planalto em 2022.

Disse que “Lula Livre” não deve condicionar alianças do partido.

Sobre Ciro:

Foi um erro o PT ter uma candidatura própria em 2018, em uma eleição marcada pelo antipetismo? 

Adjetivar dessa forma é ruim. Mas o certo era ter apoiado o Ciro Gomes lá atrás. Essa não é uma opinião que dou com a partida já encerrada. Eu e o ex-governador Jaques Wagner defendemos naquele momento a ideia de que o PT deveria ter um candidato de fora do partido caso houvesse o impedimento do ex-presidente Lula. Nenhuma outra liderança teria condições de superar o antipetismo ou disputar a Presidência em pé de igualdade naquele cenário. A reflexão também tem de ser anterior. Faltou perceber que era preciso dialogar com todos os segmentos sociais, mesmo com aqueles que pensam diferente.

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, no entanto, rebateu imediatamente no twitter:

Meu candidato a presidente é @LulaOficial. É com ele que vamos vencer as eleições e repactuar o Brasil. Não vejo outro nome melhor para unir o País em um projeto de soberania, crescimento com distribuição de renda, inclusão e democracia.

Fonte: VioMundo

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