HOMENAGEM A DAMARES ALVES PROVOCA TENSÃO NA ALEMA

 

Por Raimundo Borges

A Assembleia Legislativa do Maranhão viveu terça-feira (25) uma manhã de tensão. Não por debater, entre os deputados, temas da atualidade, a crise econômica ou desavenças políticas estaduais entre apoiadores do governo Flávio Dino e seus opositores.

O dia foi marcado por um fato inusitado, envolvendo o nome da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves.

A deputada Mical Damasceno (PTB) que, evangélica como Damares, resolveu homenagear a ministra com a maior comenda do Poder Legislativo. Convidada a receber a comenda Manoel Bequimão, Damares só avisou na véspera que não viria recebê-la, alegando descompasso com sua agenda.

A anunciada presença da ministra em São Luís gerou um ato de protesto por movimentos de esquerda, que abominam suas oposições e seus discursos polêmicos, com frases sobre homossexualismo e família, que ganharam o mundo em forma de memes nas redes sociais. “Menino veste azul, menina veste rosa” foi uma das mais famosas. Sem saber que Damares não viria mais, os manifestantes chegaram cedo à Alema dispostos a “recepcioná-la” com cartazes, faixas, barulho com gritos de palavras de ordem.

Os manifestantes foram aconselhados a enrolar seus cartazes e faixas, pelos seguranças da Alema. Mesmo assim tentaram ocupar as dependências da Casa, o que não foi permitido. O intento era penetrar no Plenário, mas o presidente Othelino Neto só permitiu o acesso à galeria. O que ele fizeram.

O deputado José Inácio (PT) parabenizou a atitude do Presidente Othelino Neto por garantir o direito aos manifestantes terem o acesso à galeria. “O direito foi garantido sem nenhum tipo de truculência, de uso de força. Eu acho que todos aqui estão livremente exercendo o direito de protestar”. Ele lembrou que, como representante da Alema no Conselho Estadual de Direitos Humanos, havia apresentado no órgão “uma moção de repúdio à atuação da Ministra Damares. Pelo tudo que ela tem feito e defendido contra a afirmação de direitos humanos”. E repudiou a atitude da Ministra de ter exonerado o presidente nacional de direitos humanos.

Família de macha e fêmea

A deputada Mical Damasceno (PTB) foi à tribuna defender sua posição de prestar homenagem a Damares Alves. Começou, com um “Deus seja a glória!” E pediu que todos a escutassem: “Quero aqui dizer que vocês têm o livre arbítrio, o direito de defender suas escolhas, sua ideologia, mas eu represento aqui a comunidade evangélica e que jamais eu deixarei de lutar pelos interesses e valores éticos e morais em defesa da família. A família tradicional de macho e fêmea, e de todos os valores que a Bíblia representa”.

E mais adiante, Mical continuou: “A Ministra Damares tem sido um exemplo no ministério como nenhum outro, apesar de não ter recursos, mas, mesmo assim, vem desempenhando um belo trabalho. Quero dizer a vocês que, se eu não estivesse incomodando, aqui nesta Casa, não seria válida a minha vinda aqui, mas eu louvo a Deus que eu estou incomodando vocês. Eu estou muito feliz de estar sendo aqui bombardeada por vocês, isso me alegra, isso me exalta e ainda me dá mais ousadia e intrepidez para lutar contra as ideias malignas que nada têm a ver com a instituição criada por Deus”.

A sessão terminou com um bate-boca entre o deputado Dr Iglésio e manifestantes nas galerias, de onde se ouviu xingamentos, palavrões e vaias.

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