APÓS AÇÃO DA PM PARA DISPERSAR BAILE, 9 MORREM PISOTEADOS EM PARAISÓPOLIS

Nove pessoas morreram pisoteadas na madrugada deste domingo (1º) depois de uma ação da Polícia Militar para dispersar um baile funk na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo. Duas pessoas ficaram feridas e duas viaturas da PM foram depredadas.

No momento, as versões sobre o ocorrido são bastante divergentes. A PM afirma que agiu em resposta a criminosos que atacaram policiais e tentaram se esconder dentro da festa. Participantes do baile e moradores da favela dizem que PMs encurralaram frequentadores, o que levou ao pisoteio das vítimas em uma viela da comunidade.

Há pelo menos um registro claro de abuso cometido pela PM. Um vídeo que teria sido gravado depois da dispersão do baile mostra policiais dando socos, tapas e pontapés em adolescentes, já dominados, em uma viela. Outro vídeo mostra a PM disparando balas de borracha.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse lamentar o ocorrido e que determinou a “apuração rigorosa dos fatos”. O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, afirmou que vai oficiar para que a Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo fique à frente da investigação interna sobre o caso.

O que diz a polícia

Segundo a Polícia Civil, por volta das 4h da manhã, dois homens em uma moto atiraram contra policiais e entraram no baile que acontecia na esquina entre as ruas Ernest Renan e Rodolf Lutze.

Os policiais militares que foram ao local foram recebidos com “garrafadas, pedradas etc.”, e por isso foi feito uso de “munições químicas para dispersão e segurança das equipes”. As vítimas foram pisoteadas, diz a Polícia Civil, durante a “ação de controle de distúrbios civis”.

Em nota enviada à imprensa de tarde, a PM afirmou que “a moto fugiu em direção ao baile funk, ainda efetuando disparos, ocasionando um tumulto entre os frequentadores do evento.”

O porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Emerson Massera, disse que “a moto ainda não foi apreendida, nem os indivíduos foram presos”.

O que dizem moradores e frequentadores

Participantes do baile, por sua vez, descrevem uma situação de cerco policial sobre a festa.

“Eles fecharam [a rua] dos dois lados, e todo mundo correu para uma viela de três metros de largura. Quem estava na frente caiu”, contou ao UOL o estudante de direito Luiz Henrique, 26 anos.

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