Médica cria grupo de apoio a pessoas com sequelas da Covid; ‘sintomas que persistem não são caso de ansiedade’

Em um perfil no Instagram (@sindrome_pos_covid), ela reúne conversas com especialistas, estudos e outras informações.

A ginecologista e obstetra Melania Amorim teve Covid-19 e percebeu que, após uma recuperação inicial, passou a desenvolver sequelas da doença. Em um perfil no Instagram (@sindrome_pos_covid), ela reúne conversas com especialistas, estudos e outras informações.

ginecologista e obstetra Melaine Amorim — Foto: Reprodução/Instagram

Leia abaixo depoimento dela ao Bem Estarsobre como foi o seu quadro de Covid, como descobriu as sequelas e como os sintomas persistentes chegaram a ser erroneamente associados a um caso de ansiedade:

“Eu tive um quadro inicial da Covid-19 no final de junho, começo de julho. Foi uma manifestação leve, eu tive calafrios, mal estar, dor de garganta, não tive febre. Era mais uma astenia, um cansaço.

E como eu sou médica trabalhando num centro de referência para gestantes com Covid, imediatamente eu desconfiei e fiz o teste, que no terceiro dia e deu positivo. Fiquei em casa, isolada. Eu tenho um oxímetro, fiquei monitorando, nunca apresentei queda da saturação e estava me sentindo bem depois dos três a quatro dias já estava me sentindo bastante bem.

E quando terminou o isolamento eu voltei a trabalhar, e voltei a trabalhar feliz acreditando que tinha vencido a Covid-19 e nos primeiros dias eu estava me sentindo bastante bem.

Depois de umas três semanas eu comecei a perceber: eu trabalho num hospital que tem muitas rampas, um hospital de modelo antigo, tem muitas rampas e comecei a perceber falta de ar, cansaçoquando subia essas rampas e que não estava mais conseguindo desempenhar todas as tarefas sem me cansar do ponto de vista físico sem me sentir fatigada. Esses foram os primeiros sintomas pós-Covid. A falta de ar, dispneia.

E isso foi piorando. Eu comecei a sentir calafrios do tipo ondas. Ora eu estou muito bem, ora vem essa sensação de calafrios e também o que eu chamo de disautonomia e sintomas vasomotores. As palmas e as plantas dos pés ficam bem vermelhos, sudoréticos ou, por outro lado, há momentos que vem o que a gente chama de vasoconstrição. Eles ficam bem frios e às vezes roxos.

E continuou muito o cansaço físico, mal estar. E não é constante, tem dias que eu acordo muito bem e vou piorando principalmente no final da tarde. E tem dias que eu acordo mal e tem dias e momentos que eu estou me sentindo bem. Então são ondas mas que prejudicam bastante a qualidade de vida.

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